Reforçando o alinhamento com a posição europeia, Paulo Rangel diz que “defender os interesses da comunidade portuguesa” é a prioridade e que Edmundo González "faz parte da solução".
Após a intervenção militar dos Estados Unidos que levou à detenção do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Paulo Rangel defendeu uma "solução política na Venezuela" que deve ser trabalhada perante o atual cenário.
"Quando existe uma intervenção que necessita de uma revisão, normalmente é para voltar à situação anterior. Neste caso, ninguém defende que Nicolás Maduro volte ao poder na Venezuela. Temos é de estar a trabalhar, especialmente tendo uma comunidade portuguesa tão grande, para uma solução, essa sim, democrática para a Venezuela", explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros aos jornalistas na segunda-feira, à margem do Seminário Diplomático, em Lisboa.
Paulo Rangel reforçou que o posicionamento de Portugal está alinhado com os restantes países da União Europeia, com exceção da Hungria, na defesa de uma solução política que envolva os membros da oposição venezuelana, María Corina Machado e Edmundo González. Para Rangel, deveria ser mesmo o candidato das eleições presidenciais venezuelanas de 2024 a assumir a Presidência venezuelana. "Edmundo González faz parte da solução, na nossa opinião", reforçou.
Sobre a nomeação da Delcy Rodríguez como presidente interina, Paulo Rangel não quis "fazer prognósticos".
“O que eu acho que seria natural, nesta situação, que se pilotasse o processo político atual, que é ainda muito incerto, para: ou respeitar os resultados de 28 de julho de 2024 ou, se os próprios protagonistas da oposição e os seus movimentos entenderem que fazer um novo processo eleitoral, a médio prazo, é o caminho", explicou.
O ministro português voltou a reforçar que existem "aspetos benignos da intervenção", nomeadamente a queda de Maduro, e que, perante o cenário agora criado, o Governo deve "trabalhar numa solução que seja inclusiva, que torne a sociedade venezuelana plural e democrática", em nome do bem-estar da comunidade portuguesa.
"O interesse de Portugal é, estando a situação como está, defender a comunidade portuguesa. Se alguém discordar disso, eu fico espantado", afirmou o ministro.
Em comunicado, o Governo português defendeu, no sábado, "o regresso tão rápido quanto possível à normalidade democrática", apelando "à redução das tensões, ao respeito pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas, bem como à promoção da segurança e da tranquilidade públicas".
No mesmo dia, nas redes sociais, o primeiro-ministro Luís Montenegro disse ter "tomado nota das declarações e garantias do presidente Donald Trump" para uma "transição estável" na Venezuela, "com a maior brevidade possível".