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Maduro será julgado nos EUA. Venezuelanos aguardam pelos próximos desenvolvimentos

Veículos blindados da Guarda Nacional bloqueiam uma avenida que leva ao palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, Venezuela.
Veículos blindados da Guarda Nacional bloqueiam uma avenida que leva ao palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, Venezuela. Direitos de autor  Cristian Hernandez/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Cristian Hernandez/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
De Manuel Ribeiro
Publicado a Últimas notícias
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Os EUA lançaram um “ataque em grande escala” contra a Venezuela na madrugada de sábado e afirmaram que o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa foram capturados, mas isso “não significa ainda a queda do regime”. “Há que esperar”, dizem à Euronews membros das comunidades luso-venezuelanas.

O anúncio da operação “extraordinária” foi adiantado por Donald Trump, que se encontra em sua residência de golfe, Mar-a-Lago, na Flórida, por meio da rede social Truth Social.

A autoridade legal para o ataque não está clara, tão pouco a prisão de um governante no seu próprio país. Na rede X, têm surgido várias mensagens de senadores dos EUA a afirmar que o Congresso não foi consultado, logo, a “operação militar em larga escala” anunciada por Trump não obteve aprovação.

Mas avançou dentro de um outro quadro legal, de acordo com o que foi explicado ao senador Mike Lee, esta ação militar “provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, nos termos do Artigo II da Constituição, de proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente”, escreveu o senador na rede X, após uma conversa com Marco Rubio.

Maduro indiciado por "narcoterrorismo" no distrito sul de Nova Iorque

Depois de capturado em Caracas, juntamente com a sua mulher, Nicolás Maduro foi transportado para Nova Iorque, onde será formalmente indiciado por "narcoterrorismo", avançou a Procuradora-Geral, Pamela Bondi.

O presidente venezuelano e a sua esposa vão ser acusados de "conspiração para o narcoterrorismo, de conspiração para a importação de cocaína, de posse de metralhadoras e de dispositivos destrutivos, e de conspiração para a posse de metralhadoras e de dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".

"Em breve, eles enfrentarão toda a ira da justiça americana em solo americano, nos tribunais americanos. Em nome de todo o Departamento de Justiça dos EUA, gostaria de agradecer ao presidente Trump por ter tido a coragem de exigir responsabilidade em nome do povo americano e agradecer aos nossos bravos militares que conduziram a incrível e altamente bem-sucedida missão para capturar estes dois supostos narcotraficantes internacionais”, escreveu a PGR norte-americana no X.

População na Venezuela aguarda com expectativa pelos próximos desenvolvimentos

Apoiantes exibem um cartaz do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela, no sábado, 3 de janeiro de 2026, após a sua detenção
Apoiantes exibem um cartaz do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela, no sábado, 3 de janeiro de 2026, após a sua detenção Cristian Hernandez/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

A captura e detenção do presidente da Venezuela deixaram a população num misto de esperança e expectativa, pois, por um lado, a detenção de Maduro pode resultar na queda do regime e na sua viragem. Por outro lado, pode dar lugar à violência.

Em conversa com a Euronews, Christian Useche, venezuelano residente em Portugal, diz que a sua família está em segurança e “à espera de ver o que acontece” a seguir. “Estão otimistas, mas, infelizmente, acham que o caos inicial possa vir a gerar violência”, receia.

Para este cidadão venezuelano que vive na diáspora, ainda “não está claro o que pode acontecer”, embora considere a saída de Maduro algo positivo, “ainda têm o vice-presidente lá” e, por isso, o melhor é “esperar para ver o que acontece”.

Da mesma opinião é Fernando Campos, conselheiro da comunidade portuguesa na Venezuela, que, em resposta à Euronews, sublinhou que o regime continua, apesar da detenção de Maduro. “Há outras pessoas no poder e, por isso, o regime não caiu. É preciso esperar. É uma situação complicada que não é fácil de resolver”, disse Fernando Campos, que veio a Portugal passar a quadra natalícia com a família.

Líder da oposição ao regime de Maduro e Nobel da Paz diz que chegou a hora

A líder da oposição e Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, afirma, num comunicado publicado nas redes sociais, que chegou a hora da soberania popular prevalecer na Venezuela, mencionando a libertação de presos políticos e o regresso dos exilados.

Chegada à ala mais conservadora e populista, Corina Machado, reconhece Edmundo González Urrutia como presidente legítimo e comandante das forças armadas após as eleições de 28 de julho. A laureada com o Prémio Nobel da Paz apela aos venezuelanos, dentro e fora do país, para que se mantenham preparados para uma transição democrática. Contudo, a população, embora considere a mudança positiva, apresenta algumas reservas em relação a ela. "Eles [a população] confiam na oposição da senhora Machado, o que ela estava a tentar fazer, mas não se sabe se isto terá outro tipo de consequências", acrescentou Christian Useche.

União Europeia pede contenção

António Costa e a chefe da diplomacia europeia pediram contenção. Kaja Kallas conversou com o secretário de Estado dos EUA a quem pediu contenção.

“Falei com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o nosso embaixador em Caracas. A UE está a acompanhar de perto a situação na Venezuela.

A UE afirmou repetidamente que o Sr. Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados. Apelamos à contenção.

A segurança dos cidadãos da UE no país é a nossa principal prioridade”, escreveu Kallas.

O Presidente da Comissão Europeia, António Costa, e a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, também expressaram preocupação sobre os recentes eventos na Venezuela. Na rede X, Costa disse estar a acompanhar a situação de perto e pedir contenção.

“Estou a acompanhar a situação na Venezuela com grande preocupação. A União Europeia apela à desaceleração do conflito e a uma resolução que respeite plenamente o direito internacional e os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.

A União Europeia continuará a apoiar uma solução pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela”.

Rússia condena ataque dos EUA como “ato de agressão armada”

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o que chamou de “ato de agressão armada” dos EUA contra a Venezuela em comunicado publicado no seu canal do Telegram no sábado.

“A Venezuela deve ter garantido o direito de determinar o seu próprio destino sem qualquer intervenção externa destrutiva, muito menos militar”, diz o comunicado.

O ministério apelou ao diálogo para evitar uma nova escalada e afirmou reafirmar a sua “solidariedade” com o povo e o governo venezuelanos, acrescentando que a Rússia apoia os apelos para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Brasil e Colômbia preparam plano de contingência

O Presidente da Colômbia foi dos primeiros líderes mundiais a repudiar a “operação militar” dos EUA em Caracas. Gustavo Petro disse que o seu governo “observa com profunda preocupação os relatos sobre explosões e atividade aérea incomum registados nas últimas horas na República Bolivariana da Venezuela, bem como a consequente escalada de tensão na região”. Petro anunciou ainda o reforço das suas fronteiras como “medida preventiva”.

“O Governo Nacional tomou medidas para proteger a população civil, preservar a estabilidade na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela e atender oportunamente a eventuais necessidades humanitárias ou migratórias, em coordenação com as autoridades locais e os órgãos competentes”.

O Brasil também está a preparar medidas semelhantes. Lula da Silva classificou a captura de Maduro como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional” e apelou à comunidade internacional para que responda através das Nações Unidas.

“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”.

A ação militar americana que Trump classificou como “impressionante e rápida”, que tirou o líder em exercício de um país do cargo, ecoou a invasão dos EUA ao Panamá, que levou à rendição e à captura do líder panamenho, Manuel Antonio Noriega, em 1990 — exatamente há 36 anos, também num sábado.

Outras fontes • AP

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