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709 mulheres foram assassinadas entre 2002 e 2025 em Portugal

27% das mulheres assassinadas não eram de nacionalidade portuguesa
27% das mulheres assassinadas não eram de nacionalidade portuguesa Direitos de autor  AP Photo
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De Joana Mourão Carvalho
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Nos últimos 22 anos, foram mortas em média 32 mulheres por ano em Portugal. Maioria destes crimes ocorreu na residência partilhada entre vítimas e agressores e havia registo de violência prévia.

Pelo menos 709 mulheres foram assassinadas entre 2002 e 2025 e 939 foram vítimas de tentativa de homicídio. Os dados são do Observatório de Mulheres Assassinadas revelados esta sexta-feira em conferência de imprensa.

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Desses 709 crimes, 539 foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, em contextos em que as vítimas tentam separar-se e os ofensores não aceitam a separação.

De acordo com a estrutura da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), só em 2025 foram assassinadas 26 mulheres em Portugal e 57 foram vítimas de tentativa de homicídio. Destas mortes, 22 foram femicídios, "mortes intencionais de mulheres motivadas por questões de género", todos cometidos por homens.

Quanto às 57 tentativas de homicídio de mulheres, 45 foram também no contexto de femicídio.

"Dos 22 femicídios, 16 foram em contexto de intimidade e as vítimas tinham entre 36 e 56 anos. A maioria destes crimes ocorreu na residência partilhada entre vítimas e agressores", salientou a coordenadora daquele observatório, Cátia Pontedeira, cita a Lusa.

A presidente da UMAR, Liliana Rodrigues, sublinhou que os dados "mostram que a casa continua a ser o lugar mais inseguro para as mulheres", também em declarações citadas pela Lusa.

Os dados referentes ao último ano permitiram identificar igualmente que 27% das mulheres assassinadas não eram de nacionalidade portuguesa, e em 23% dos casos "houve uma tentativa de ocultar o crime" por parte do agressor.

Outra realidade que o Observatório pôde comprovar é que "em quase metade dos casos de homicídio de mulheres houve uma tentativa de suicídios por parte do agressor, com sete homens a perderem a vida".

Cátia Pontedeira chamou também a atenção para que "na maior parte dos crimes de femicídio há violência prévia e em 80% dos casos esta violência é conhecida por outras pessoas".

O Observatório de Mulheres Assassinadas contabilizou nos últimos 22 anos uma média de 32 homícidios por ano, o que, segundo uma das responsáveis pela estrutura, Frederica Armada, demonstra que "a violência sobre as mulheres não é um fenómeno episódico".

A estrutura sinalizou ainda que é durante a noite e madrugada, sobretudo nos meses de verão, entre junho e setembro, que os femicídios mais acontecem e que em 55% dos casos registados em 2025 houve recurso a armas brancas para cometer aquele crime.

Para a presidente da UMAR, perante o facto de os números apontarem que na maior parte destes crimes há episódios de violência doméstica já denunciados, "é urgente que o sistema de justiça criminal deixe de minimizar o risco".

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