Mais de 200 presos políticos na Venezuela iniciaram uma greve de fome na prisão Rodeo I após serem excluídos da nova lei de amnistia aprovada pela Assembleia Nacional. Familiares denunciam que a lei exclui detidos acusados de crimes militares e de terrorismo, as acusações mais comuns.
Mais de 200 presos políticos na Venezuela iniciaram uma greve de fome, na sexta-feira, na prisão de Rodeo I, nos arredores de Caracas, para exigir que sejam incluídos numa recente lei de amnistia que deixa muitos deles de fora, indicaram os seus familiares num comunicado divulgado a vários meios de comunicação social.
De acordo com os familiares dos detidos, incluindo os familiares do capitão Antonio Sequea e Fernando Noya, cerca de 214 prisioneiros venezuelanos e estrangeiros iniciaram o jejum como medida de pressão contra o que consideram ser um texto legal insuficiente. Entre os que aderiram à greve de fome está o gendarme argentino Nahuel Agustín Gallo, acusado de terrorismo, uma das acusações que não está abrangida na nova lei, destacaram fontes próximas aos familiares à AFP.
Os detidos protestam porque a amnistia recentemente aprovada pelo parlamento venezuelano, dominado pelo partido no poder, não abrange os que enfrentam julgamentos militares ou por crimes graves, que são precisamente os casos mais comuns entre os reclusos da prisão de Rodeo I. A legislação foi promovida pela presidente em exercício, Delcy Rodríguez, após uma onda de reformas relacionadas com a transição política que o país está a viver.
Nem todos os detidos nesta prisão aderiram ao protesto, segundo pessoas próximas, que afirmaram que a medida reflete um descontentamento crescente com o que consideram ser uma exclusão injusta de grandes setores de presos políticos num processo que, até agora, levou à libertação de centenas de outros detidos na Venezuela.
A lei da amnistia, aprovada por unanimidade pela Assembleia Nacional a 19 de fevereiro, visa conceder a liberdade a pessoas envolvidas em acontecimentos políticos em anos anteriores, embora organizações de direitos humanos e familiares tenham denunciado que os seus limites deixam de fora numerosos prisioneiros detidos por causas relacionadas com a dissidência e o protesto social.