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Família de Antonio Sequea denuncia a libertação "seletiva" de presos políticos na Venezuela

Jacklin Ibarreto, cujo pai, Miguel Ibarreto, está detido, mostra fotografias de presos políticos na Universidade Central da Venezuela, em Caracas, Venezuela, na terça-feira, 13
Jacklin Ibarreto, cujo pai, Miguel Ibarreto, está detido, mostra fotografias de presos políticos na Universidade Central da Venezuela, em Caracas, Venezuela, na terça-feira, 13 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Christina Thykjaer
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A família de Antonio Sequea e de Fernando Noya continua sem notícias sobre a sua libertação após os anúncios oficiais na Venezuela. As organizações de direitos humanos alertam que o número de presos políticos libertados é inferior ao comunicado pelo governo de Delcy Rodríguez.

No início de janeiro, quando o governo interino da Venezuela anunciou o início da libertação dos presos políticos, apenas cinco dias após a captura de Nicolás Maduro, Verónica Noya voltou a fazer algo que evitava há anos: imaginar o momento do reencontro. Pensou nos seus filhos a ouvirem novamente a voz do pai. Pensou na sua mãe a abraçar o seu irmão. Pensou, nem que fosse por um momento, que a espera poderia estar a chegar ao fim.

Mas os dias passaram. E a notícia da sua libertação não chegou.

Verónica é esposa, irmã, mãe e exilada. É também familiar de quatro presos políticos atualmente detidos na Venezuela. O seu marido, o capitão Antonio Sequea, e o seu irmão, Fernando Noya, que, tal como Verónica, tem dupla nacionalidade, venezuelana e espanhola, estão presos há quase cinco anos. A eles juntam-se a sua sogra, de 71 anos, e uma tia, ambas desaparecidas à força há meses.

Antonio Sequea, um dos principais líderes da incursão marítima da Operação Gedeón em 2020, e Fernando Noya estiveram detidos durante quase quatro anos na temida prisão El Helicoide, cujo encerramento foi anunciado há poucos dias. Há um ano e oito meses, Sequea e Noya foram transferidos "sob falsos pretextos" para o centro penitenciário Rodeo I. "Durante este ano e oito meses, não tive qualquer contacto com eles", conta Verónica, a partir de Espanha, onde vive com os três filhos.

Verónica Noya com outros familiares de presos políticos detidos na Venezuela
Verónica Noya com outros familiares de presos políticos detidos na Venezuela Fotografia: Verónica Noya

"Não só o meu marido e o meu irmão: todos os presos políticos deste centro estão em isolamento prolongado", denuncia. De acordo com o seu testemunho, passam 23 horas por dia fechados numa cela de dois por dois metros, dormem num colchão colocado sobre uma base de cimento e só podem sair para o pátio uma hora por dia. "Não têm qualquer tipo de comunicação com o mundo exterior", acrescenta. "Continuam a violar os seus direitos humanos mais fundamentais."

E a repressão não se limita a eles. A única pessoa que podia ver o capitão Sequea era a sua mãe, uma mulher de 71 anos. Há quase quatro meses, foi intercetada por homens encapuzados juntamente com a sua sobrinha, de 60 anos. Desde então, não se sabe o seu paradeiro. "Não sabemos onde estão, nem como estão, nem se estão a receber os seus medicamentos", queixa-se Verónica.

Julgamentos clandestinos e condenações sem defesa

Tanto Antonio Sequea, militar da Guarda Nacional que participou na revolta de 30 de abril de 2020, como Fernando Noya foram acusados de terrorismo e traição à pátria, acusações comuns em processos contra presos políticos na Venezuela. Verónica afirma que nunca tiveram um julgamento justo.

"O tribunal foi transferido para El Helicoide. Fizeram-nos assinar uma lista de presenças e isso foi usado para definir a sentença", conta. Foram condenados a quase 30 anos de prisão sem advogados particulares, com defensores públicos impostos e sem acesso posterior ao processo. O juiz que os condenou, acrescenta, está atualmente detido por corrupção.

Imagens que anunciam a prisão e o desaparecimento de Antonio Sequea, Fernando Noya, Zoris Gutierrez e Merys Torres
Imagens que anunciam a prisão e o desaparecimento de Antonio Sequea, Fernando Noya, Zoris Gutierrez e Merys Torres Fotografia: Verónica Noya

"A justiça não pode ser seletiva"

As recentes libertações geraram esperança, mas também frustração. "Começo a ver a luz ao fundo do túnel", reconhece Verónica, "mas não pode haver uma verdadeira transição se a justiça for seletiva". Apesar do anúncio oficial das libertações e das mais de 50 confirmadas até à data, nenhum militar foi libertado. Um facto que, para os familiares, é particularmente grave e revelador.

"Sempre se disse que os militares não agiam, que eram cúmplices do regime", denuncia. "Mas quando alguns deles deram um passo em frente, quando decidiram atuar de acordo com a Constituição, hoje estão esquecidos."

Os militares detidos por motivos políticos, muitos deles ligados a tentativas de revolta ou à Operação Gedeón, estão há anos em condições de isolamento extremo, sem julgamentos justos nem contacto com as suas famílias. Para Verónica, excluí-los agora das libertações envia uma mensagem perigosa: que a liberdade pode ser seletiva, mesmo num contexto de transição.

"Não podem deixá-los para último nem apagá-los da história", insiste. "Quando as pessoas falam de presos políticos, muitas vezes só pensam em líderes civis ou ativistas. Mas estes soldados também são presos políticos. São pessoas a quem foi pedido que agissem e que o fizeram. Hoje pagam esse preço em silêncio."

Há alguns dias, dizia-se que não havia presos políticos na Venezuela
Verónica Noya

Vigília e pressão dentro e fora do país

Entretanto, na Venezuela, mães, esposas e filhas mantêm uma vigília em frente ao centro penitenciário Rodeo I há dias. Outros protestos foram transferidos para a Universidade Central da Venezuela, com o apoio dos estudantes. "É um trabalho minucioso, mas de valor inestimável", diz Verónica. "Muitas famílias nem sequer sabem que os seus familiares estão detidos ali."

"Há alguns dias, dizia-se que não havia presos políticos na Venezuela", conclui. "Hoje reconhecem que existem, mas só libertaram cerca de 50 pessoas. Ainda há cerca de 750 famílias à espera. Isto não pode parar. O mundo tem de ver isto."

Verónica Noya e a sua mãe
Verónica Noya e a sua mãe Fotografia: Verónica Noya

Um gesto fundamental para uma verdadeira transição

Para as famílias, a libertação dos soldados não é apenas uma questão de justiça individual, mas um termómetro da mudança política. "Se realmente se quer iniciar uma transição para a democracia", diz Verónica, "o primeiro gesto humanitário deve ser a libertação de todos os presos políticos, civis e militares, sem exceção".

Enquanto isso não acontecer, adverte, a promessa de abertura permanecerá incompleta. E centenas de homens, muitos deles de uniforme, continuarão presos em centros como o Rodeo I, sem rosto público nem data de saída.

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