As forças israelitas fecharam a passagem no início de maio, depois de a terem tomado durante uma ofensiva contra a cidade do sul, o que levou o Egito a fechar o seu lado em protesto.
Um comboio de camiões foi avistado no posto fronteiriço de Rafah na manhã de domingo, numa altura em que o cessar-fogo entre o Hamas e Israel ainda se mantém.
As autoridades sanitárias palestinianas em Gaza informaram que o posto fronteiriço de Rafah com o Egito, há muito fechado, reabriu no sábado, permitindo a saída de milhares de palestinianos que necessitavam urgentemente de cuidados médicos.
Com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos seus parceiros, 37 doentes - 34 crianças e três adultos - foram retirados de Gaza para o Egito através da passagem de Rafah no sábado, acompanhados por 39 familiares.
A evacuação significa que estes doentes vão poder receber cuidados médicos especializados que não estão disponíveis em Gaza, destruída pela guerra.
No Complexo Médico Nasser, em Khan Younis, as famílias prepararam-se para a viagem com a ajuda das equipas da OMS. Entre elas estava Al-Ata Al-Najjar, a mãe do jovem Abdul, que sofre de um caso suspeito de fibrose quística e de um defeito cardíaco congénito.
“Fiquei muito contente quando recebi o telefonema sobre a viagem para tratamento. Senti-me aliviada porque o meu filho, se Deus quiser, vai receber tratamento”, afirmou.
A evacuação surge no meio de apelos urgentes da OMS para acelerar as transferências médicas de doentes em estado crítico.
Richard Peeperkorn, representante da OMS para os territórios palestinianos, sublinhou a dimensão da crise, estimando que entre 12 000 e 14 000 doentes em Gaza necessitam de evacuação urgente para receberem tratamento que lhes salve a vida. “Isto é apenas o início. Temos de acelerar o ritmo. O que precisamos é de corredores médicos fora de Gaza”, afirmou.
Quando o comboio chegou a Rafah, as famílias deram os últimos passos em direção à passagem, algumas em cadeiras de rodas, outras agarradas aos seus entes queridos.
Com milhares de pessoas ainda a precisar urgentemente de cuidados médicos, a OMS continua a apelar à aceleração dos esforços de evacuação, alertando para o facto de muitas vidas continuarem em risco sem uma intervenção imediata.
As forças israelitas encerraram a passagem no início de maio, depois de a terem tomado durante uma ofensiva contra a cidade do sul, o que levou o Egito a fechar a sua parte em sinal de protesto.
A reabertura da passagem representa um avanço fundamental no acordo de cessar-fogo alcançado no início deste mês entre Israel e o Hamas.
Israel concordou em reabrir a passagem de Rafah depois de o Hamas ter libertado as últimas mulheres reféns que restavam em Gaza. É o único posto fronteiriço de Gaza que não dá acesso a Israel.
Durante as seis semanas da primeira fase das tréguas, 33 reféns israelitas detidos pelo Hamas e cerca de 2.000 palestinianos detidos nas prisões israelitas deverão ser libertados, enquanto os palestinianos deslocados serão autorizados a regressar ao norte de Gaza e a ajuda humanitária aumentará no enclave devastado pela guerra.
Na próxima semana, Israel e o Hamas deverão iniciar conversações sobre a segunda fase do cessar-fogo, que tem por objetivo garantir a libertação dos restantes reféns e prolongar a trégua indefinidamente.
Se não se chegar a um acordo, a guerra poderá recomeçar no início de março.