Ilya Hashemi, um ativista cujo canal Telegram tem uma audiência elevada e é a fonte de muitas notícias confiáveis de dentro do Irão, está entre os poucos que vão conseguindo cobrir os protestos contra o regime dos aiatolas.
Pelo menos 15 mil pessoas podem ter morrido na sequência da repressão aos protestos no Irão, adianta Ilya Hashemi em declarações por vídeo à Euronews Persa.
As autoridades do regime dos aiatolas utilizam equipamento de deteção para localizar dispositivos de satélite Starlink e impedir que as notícias cheguem ao mundo exterior, confirmou o ativista à Euronews na terça-feira.
Hashemi disse que o acesso à Internet no Irão está completamente cortado há mais de 112 horas, com todas as informações disponíveis a provirem de pessoas que conseguiram ligar-se através do Starlink.
"A situação que se vive atualmente no Irão é um massacre generalizado e um desastre", afirmou Hashemi. "As estimativas apontam para pelo menos mais de 15 000 mortos".
Hashemi adianta que falou com equipas médicas em hospitais em Teerão, Shiraz, Rasht, Sari e Kerman. Um médico do hospital de transplantes em Shiraz pediu ajuda porque muitas pessoas perderam a visão. Um único hospital relatou mais de 300 casos de lesões oculares.
"O número de mortes é catastrófico e inestimável», afirmou Hashemi. «A situação atual é um genocídio total, um crime contra a humanidade, e o mundo tem permanecido em silêncio, perguntando por que há tão poucos vídeos. O povo iraniano não tem internet e a situação é catastrófica".
Hashemi refere que a República Islâmica está a usar detetores de RF para identificar dispositivos Starlink. As autoridades estão a tentar desesperadamente impedir ligações estáveis usando dispositivos de interferência para sinais e GPS, entrando em casas e interrogando indivíduos suspeitos.
"A velocidade de upload dos utilizadores do Starlink no Irão foi drasticamente reduzida. A situação é assustadora", conta.
Uma testemunha em Shiraz disse a Hashemi que as forças Basij estavam a usar adolescentes de apenas 15 anos devido à falta de pessoal. A testemunha descreveu um adolescente que recebeu uma espingarda e «não entendia nada do que estava a fazer, como se estivesse a jogar um videojogo", Esse adolescente "de repente entrou na multidão e atirou».
Outra testemunha no bairro de Pars, em Teerão, disse que um agente de segurança montou uma metralhadora num carro da polícia e disparou contra as pessoas sem aviso prévio.
Hashemi lembra que não há notícias de Sanandaj, Izeh, bem como dezenas de cidades e centenas de condados e pequenas aldeias no sul do Irão, incluindo Sistan e Baluchistão, porque os residentes não têm conseguido aceder ao Starlink.
"Se até hoje as pessoas falavam do crime mais brutal que ocorreu em 7 de outubro, hoje deveriam falar dos atos mais brutais de um governo contra o povo daquele país", disse Hashemi.
"A República Islâmica é um Estado terrorista que não tem remorso pela morte de seres humanos".