Péter Szijjártó voltou a vetar a ajuda à Ucrânia devido a uma disputa energética em Bruxelas. O ministro entrou em confronto com jornalistas ucranianos depois da Hungria acusar Kiev de chantagem relacionada com o oleoduto Druzhba.
O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, envolveu-se numa acesa troca de palavras com jornalistas ucranianos, depois do seu país ter dito que iria bloquear um empréstimo de emergência numa reunião em Bruxelas, com o confronto a descambar em acusações pessoais.
O governo de Viktor Orbán interrompeu um pacote de sanções planeado contra a Rússia na véspera do quarto aniversário da invasão total da Ucrânia, culpando Kiev, Bruxelas e a oposição de sabotarem o trânsito de petróleo através do oleoduto Druzhba.
Budapeste acusa a Ucrânia de obstruir deliberadamente o trânsito de petróleo depois das infraestruturas em torno do oleoduto terem sido danificadas, no mês passado, e descreveu a ação como chantagem política. A Ucrânia nega as acusações e aponta os ataques russos como responsáveis pelos danos.
Na segunda-feira, enquanto os ministros se reuniam em Bruxelas, Szijjártó foi confrontado com várias perguntas críticas dos meios de comunicação social em Bruxelas. Um jornalista ucraniano perguntou a Szijjártó porque é que a Hungria "odeia tanto a Ucrânia" para a castigar durante um inverno difícil.
A Hungria também afirmou que não vai fornecer eletricidade à Ucrânia até que os fluxos de petróleo sejam retomados.
"Não odiamos a Ucrânia. O problema é que o Estado ucraniano odeia a Hungria, tem adotado uma abordagem política anti-húngara nos últimos dez anos. A Ucrânia comporta-se de uma forma muito hostil em relação à Hungria", disse Szijjártó.
Um correspondente ucraniano perguntou-lhe porque é que a Hungria continua a comprar energia à Rússia, contribuindo para a máquina de guerra. "Porque é que estão a fazer isso?", questionou o jornalista.
"Sabe quanto estamos a pagar por estes fornecimentos de petróleo? Sabe qual é a proporção que isso representa do PIB da Rússia?", respondeu Szijjártó.
"É pequeno, mas vai para os drones", respondeu o jornalista.
Szijjártó ripostou: "Não sejas pouco sério. É nosso direito soberano decidir onde compramos a nossa energia".
Em dezembro, a Hungria conseguiu uma isenção, o que significa que não irá contribuir financeiramente para a ajuda à Ucrânia, juntamente com a Eslováquia e a Chéquia, em troca de não bloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros apoiado pelos restantes Estados-membros. Numa reviravolta dramática, Budapeste deu a entender no fim de semana que iria inverter o rumo e bloquear o pacote.
A Hungria tende a bloquear medidas em troca de concessões de última hora da UE, mas nunca o fez tão tarde no processo legislativo. A unanimidade é necessária para impor novas sanções e utilizar a margem de manobra do orçamento da UE para apoiar o empréstimo.
Quando um segundo jornalista ucraniano pressionou Szijjártó, perguntando-lhe porque é que o seu país tinha mudado de posição desde dezembro, a troca de palavras tornou-se mais acesa.
"Está a falar a sério? Não sabe o que mudou desde então? Não ouviu falar da decisão da Ucrânia de não retomar o fornecimento de petróleo à Hungria?", disse o ministro, referindo-se ao oleoduto danificado.
A Comissão Europeia disse na segunda-feira que acredita que o oleoduto Druzhba foi danificado por um ataque russo a 27 de janeiro, que provocou um grande incêndio. Bruxelas convocou uma reunião de emergência para abordar o diferendo, a realizar-se na quarta-feira. A Hungria não está a enfrentar uma situação de emergência, e a Ucrânia atravessa uma crise.
A Hungria e a Eslováquia são os dois únicos Estados-membros da UE que ainda importam grandes quantidades de petróleo russo, apesar dos repetidos apelos de Bruxelas para que reduzam a sua dependência da energia russa. A UE concordou em eliminar progressivamente os combustíveis russos em todo o seu território até 2027.