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Teerão culpa "terroristas" pela morte de manifestantes no Irão

ARQUIVO: Um agente da polícia iraniana monta guarda durante a cerimónia fúnebre do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, e do seu guarda-costas, em Teerão, a 1 de agosto de 2024
ARQUIVO: Um agente da polícia iraniana monta guarda durante a cerimónia fúnebre do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, e do seu guarda-costas, em Teerão, a 1 de agosto de 2024 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Alain Chandelier
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As autoridades iranianas intensificaram a repressão da agitação nacional, culpando alegados "terroristas" e divulgando descrições gráficas da violência para justificar medidas legais severas contra aqueles que rotulam de "desordeiros" e "insurretos".

O responsável pela Medicina Legal iraniano atribuiu a responsabilidade pela morte de manifestantes no Irão aos "terroristas", afirmando que os exames forenses revelaram vítimas cujas "gargantas foram cortadas" e outras baleadas à queima-roupa com espingardas de caça.

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Durante uma reunião do Conselho Superior da Magistratura, Abbas Masjedi-Arani, responsável pela Organização de Medicina Legal do Irão, descreveu uma série de assassinatos, afirmando que um grande número de vítimas foi morto com facas e caçadeiras de cano duplo.

"Os tiros de caçadeira foram disparados a uma distância tão próxima do pescoço que os cartuchos de plástico ficaram alojados na garganta das vítimas", afirmou Masjedi-Arani.

O funcionário afirmou que alguns ferimentos pareciam ter sido infligidos a partir de telhados, sugerindo que os "terroristas" se tinham posicionado por cima da multidão. Estas afirmações foram apresentadas sem provas fotográficas ou forenses independentes. A Euronews não conseguiu verificá-las de forma independente.

Criminalização dos protestos

As declarações surgem na sequência de uma mudança na posição legal do governo. O ministro da Justiça iraniano disse aos jornalistas que a simples presença nas ruas depois de 8 de janeiro é agora considerada um ato criminoso.

Esta data marca um ponto de viragem na sequência de um apelo à manifestação lançado por Reza Pahlavi, o filho exilado do último xá do Irão, que reside fora do país.

O ministro argumentou que a situação passou de "protesto" a "conflito interno" após essa data, afirmando que qualquer pessoa detida desde então é "definitivamente um criminoso".

Gholamhossein Mohseni-Ejei, presidente do Supremo Tribunal do Irão, apelou a uma ação rápida e "decisiva", sublinhando que não haverá "clemência" para os acusados de fogo posto ou decapitações.

"Se estes casos forem tratados com atraso, perderão o seu efeito dissuasor", declarou Ejei no X. Aqueles que forem rotulados como "elementos de motins" devem não só enfrentar uma punição legal severa, mas também ser obrigados a compensar os danos causados à propriedade pública, acrescentou.

A narrativa oficial contrasta fortemente com os relatórios das organizações internacionais de direitos humanos. Estes grupos estimam que mais de 2.000 pessoas foram mortas desde o início dos protestos, a 28 de dezembro, desencadeados por uma grave crise económica e pela repressão política.

Segundo a Euronews, o número de mortos no Irão é consideravelmente mais elevado, podendo atingir os 15 mil iranianos, uma vez que o regime de Teerão aumentou a repressão violenta contra as manifestações nos últimos dias.

A verificação independente das afirmações do governo continua a ser quase impossível. O governo iraniano tem restringido sistematicamente o acesso à Internet e às comunicações telefónicas, uma medida que, segundo os críticos, se destina a impedir a divulgação de dados em tempo real e a ocultar a verdadeira dimensão da força do Estado.

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