Envio de tropas foi anunciado no dia em que chefes da diplomacia da Dinamarca e Gronelândia se reuniram com JD Vance e Marco Rubio, vice-presidente e secretário de Estado dos EUA, em Washington.
Militares europeus começaram a chegar à Gronelândia na quinta-feira, horas depois de uma reunião entre responsáveis dos EUA, da Dinamarca e da Gronelândia, em Washington, não ter resolvido aquilo que o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês chamou "divergência fundamental" sobre a ilha ártica rica em minerais.
França, Suécia, Alemanha e Noruega anunciaram na quarta-feira que iriam destacar militares no âmbito de uma missão de reconhecimento para a capital da Gronelândia, Nuuk.
"Espera-se maior presença de militares da NATO na Gronelândia a partir de hoje e nos próximos dias. É expectável que haja mais voos e navios militares", disse o vice-primeiro-ministro da Gronelândia, Mute Egede, numa conferência de imprensa na quarta-feira, acrescentando que iriam realizar "exercícios".
"Os primeiros militares franceses já estão a caminho. Outros seguir-se-ão", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, no X.
Segundo o Ministério da Defesa alemão, uma equipa de reconhecimento de 13 elementos da Bundeswehr será destacada para Nuuk de quinta-feira a domingo, a convite da Dinamarca.
O destacamento foi anunciado no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia se reuniram, em Washington, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Lars Løkke Rasmussen, ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, falando após sair da Casa Branca, disse que uma tomada de controlo da Gronelândia pelos EUA era "absolutamente desnecessária".
"Não conseguimos alterar a posição americana. É claro que o presidente tem este desejo de conquistar a Gronelândia", disse Løkke aos jornalistas. "Mantemos, portanto, um desacordo fundamental, mas concordamos em discordar".
Donald Trump, presidente dos EUA, prometeu repetidamente assumir o controlo do território dinamarquês autónomo, argumentando que é vital para a segurança dos EUA.
Trump: "Acho que algo vai resultar"
Trump, falando após a reunião a que não compareceu, pela primeira vez soou conciliador em relação à Gronelândia, reconhecendo os interesses da Dinamarca, embora tenha dito novamente que não excluía nenhuma opção.
"Tenho uma relação muito boa com a Dinamarca, e veremos como tudo se resolve. Acho que algo vai resultar", disse Trump, sem explicar mais.
Reiterou que a Dinamarca nada poderia fazer se a Rússia ou a China procurassem ocupar a Gronelândia, mas acrescentou: "Há muito que podemos fazer".
Trump pareceu ganhar fôlego quanto à Gronelândia após ordenar, a 3 de janeiro, um ataque surpresa na Venezuela que derrubou Nicolás Maduro.
Nas ruas de Nuuk, bandeiras groenlandesas vermelhas e brancas surgiram nas montras, em varandas de apartamentos e em carros e autocarros, num sinal de unidade nacional esta semana.
Alguns residentes relataram ansiedade por se verem no centro das atenções geopolíticas.
"É muito assustador, por ser algo tão grande", disse Vera Stidsen, 51 anos, professora em Nuuk. "Espero que, no futuro, possamos continuar a viver como até agora: em paz e sem sermos incomodados".