A emergência de um novo partido político, liderado pelo antigo presidente Rumen Radev, poderá alterar significativamente não só os assuntos internos da Bulgária, mas também a sua política externa.
O presidente búlgaro, Rumen Radev, anunciou a sua demissão do cargo de chefe de Estado e assinalou o lançamento de um novo projeto político, a dois meses das próximas eleições legislativas antecipadas no país, que se encontra mergulhado numa crise política permanente.
"A nossa democracia não pode sobreviver se a deixarmos nas mãos de figuras corruptas, negociantes e extremistas", declarou o presidente, acrescentando que apresentará formalmente a sua demissão na terça-feira.
Rumen Radev exerceu a Presidência da Bulgária durante nove anos. A especulação de que iria entrar na corrida parlamentar e candidatar-se ao cargo de primeiro-ministro já existia há algum tempo e foi confirmada hoje. A Bulgária é uma república parlamentar e a sua governação está nas mãos do parlamento, do Conselho de Ministros e do primeiro-ministro.
"Já somos membros de Schengen e da Zona Euro. As questões que se colocam são as seguintes: porque é que a concretização destes objectivos não trouxe estabilidade e satisfação; porque é que os búlgaros deixaram de votar; porque é que não confiam no sistema judicial e não confiam nos meios de comunicação social; porque é que os cidadãos inundaram as praças duas vezes; porque é que, numa Bulgária europeia, uma grande percentagem de pessoas se sente pobre e uma percentagem ainda maior vive na insegurança", afirmou Radev. Radev culpou o modelo de governação de "correia de transmissão", "que tem as caraterísticas exteriores da democracia mas funciona através dos mecanismos da oligarquia".
Durante o seu mandato como Presidente da Bulgária, Rumen Radev teve de nomear sete governos provisórios devido à crise política que se arrasta há anos e à incapacidade dos partidos para formarem maiorias estáveis.
Há apenas algumas semanas, o país foi abalado pelos maiores protestos desde a década de 1990, inicialmente desencadeados pela oposição ao projeto de orçamento, mas que mais tarde se transformaram em exigências de demissão e outras - nomeadamente, a retirada da política de figuras políticas importantes, como o antigo primeiro-ministro Boyko Borissov e Delyan Peevski, que foi sancionado ao abrigo da Lei Magnitsky.
A emergência de um novo partido político, liderado pelo antigo Presidente Rumen Radev, poderá alterar significativamente não só os assuntos internos da Bulgária, mas também a sua política externa. A posição de Radev em relação à guerra na Ucrânia é muito diferente da dos governos anteriores. Por esta razão, analistas e opositores rotularam-no frequentemente de "pró-russo". No discurso de hoje, Radev também abordou esta questão, afirmando: "Em nome do seu futuro político, alguns políticos estão a pôr em risco a vida pacífica dos búlgaros, no meio de uma guerra perigosa perto das nossas fronteiras, e estão mesmo a invadir a paz civil e étnica, que vocês e eu preservaremos apesar das suas provocações".
Semanas antes da Bulgária adotar o euro (a 1 de janeiro de 2026), Rumen Radev convocou um referendo sobre a adoção da moeda única europeia, mas o Parlamento rejeitou-o. "A última fratura entre os búlgaros e a classe política surgiu com a recusa da Assembleia Nacional de realizar um referendo sobre a data de introdução da moeda única europeia. Os representantes do povo negaram ao povo o seu direito de escolha", afirmou hoje Radev.
As eleições legislativas antecipadas na Bulgária terão lugar na primavera e serão as sétimas eleições desde 2021. O papel de presidente será assumido pela vice-presidente Iliana Yotova.