O convite a Putin deverá suscitar algumas dúvidas, uma vez que a invasão em grande escala da Ucrânia se aproxima do seu quarto ano e o líder russo parece relutante em comprometer-se com um acordo de paz.
O presidente russo Vladimir Putin terá sido convidado a integrar o "Conselho da Paz" formado pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, destinado a resolver conflitos a nível mundial e a supervisionar a governação e a reconstrução em Gaza, informou o Kremlin esta segunda-feira.
"O presidente Putin também recebeu um convite para se juntar a este Conselho de Paz", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas. A Rússia está a tentar "clarificar todas as nuances" da oferta com Washington, disse Peskov, sem acrescentar se Putin está inclinado a aderir.
A Casa Branca tem contactado várias personalidades de todo o mundo para integrarem o chamado "Conselho da Paz", presidido pelo próprio Trump.
Mas o convite a Putin deverá suscitar algumas dúvidas, uma vez que a invasão em larga escala da Ucrânia se aproxima do seu quarto ano e o líder russo parece relutante em comprometer-se com um acordo de paz.
O braço executivo da União Europeia e a Tailândia também foram convidados a integrar o Conselho, o que foi considerado por um alto funcionário israelita como "mau para Israel".
O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, confirmou que Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão, recebeu um convite e irá falar com outros dirigentes da UE sobre Gaza.
Gill não disse se o convite foi aceite, mas afirma que a Comissão quer "contribuir para um plano abrangente que ponha fim ao conflito de Gaza".
Não se sabe ao certo quantos líderes foram convidados a fazer parte da direção deste órgão. Uma referência a Trump nas cartas de convite, segundo a qual o organismo "embarcará numa nova e ousada abordagem para a resolução de conflitos globais", sugere que poderá atuar como rival do Conselho de Segurança da ONU, o órgão mais poderoso da organização global criada na sequência da Segunda Guerra Mundial.
O ministro israelita das Finanças, Bezalel Smotrich, de extrema-direita, considerou o Conselho de Paz um "mau negócio para Israel" e apelou à sua dissolução.
"É tempo de explicar ao presidente que o seu plano é mau para o Estado de Israel e pedir para o cancelar", afirmou Smotrich na cerimónia de inauguração do novo colonato de Yatziv, na Cisjordânia ocupada. "Gaza é nossa, o seu futuro afetará o nosso futuro mais do que o de qualquer outra pessoa. Assumiremos a responsabilidade pelo que lá acontece, imporemos a administração militar e completaremos a missão."
Smotrich chegou mesmo a sugerir que Israel renovasse uma ofensiva em grande escala em Gaza para destruir o Hamas, caso este não acatasse um "curto ultimato para um verdadeiro desarmamento e exílio".
No sábado, o gabinete do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu afirmou que a formação do comité não foi coordenada com o governo israelita e "é contrária à sua política".
Espera-se que os EUA anunciem a lista oficial de membros nos próximos dias, provavelmente durante a reunião do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.
Os membros do conselho supervisionarão um comité executivo que será responsável pela implementação da dura segunda fase do plano de paz para Gaza, que inclui o envio de uma força de segurança internacional, o desarmamento do Hamas e a reconstrução do território devastado pela guerra.
Uma contribuição de mil milhões de dólares garante a participação permanente no conselho, sendo o dinheiro destinado à reconstrução de Gaza, segundo um alto funcionário dos EUA que falou sob condição de anonimato sobre a carta, que não foi tornada pública.
Os pormenores sobre a forma como tudo isto irá funcionar permanecem obscuros. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse esta segunda-feira que o Reino Unido está em contacto com os aliados sobre o Conselho de Paz.
Embora o Reino Unido não tenha dito se foi formalmente convidado a participar, Starmer diz que é necessário avançar com a segunda fase do plano de paz para Gaza e que o seu país "manifestou vontade de desempenhar um papel e fá-lo-á".