Mladenov é um antigo ministro búlgaro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros que foi enviado da ONU para o Iraque antes de ser nomeado enviado da ONU para a paz no Médio Oriente entre 2015 e 2020.
O primeiro-ministro israelita anunciou esta quinta-feira que um antigo enviado das Nações Unidas para o Médio Oriente, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, foi escolhido para ser o diretor-geral do Conselho de Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destinado a supervisionar o processo de paz em Gaza.
Benjamin Netanyahu fez o anúncio depois de se ter encontrado com Mladenov em Jerusalém. O anúncio incluiu fotografias dos dois homens e um pequeno vídeo com um aperto de mão.
No anúncio, Netanyahu identificou Mladenov como o diretor-geral "designado" para o conselho, que se destina a supervisionar a implementação da segunda fase do cessar-fogo, muito mais complicada.
Não houve confirmação imediata por parte de Washington, mas a nomeação representa um importante passo em frente para o plano de paz de Trump para o Médio Oriente, que está estagnado desde o cessar-fogo de outubro, que pôs fim a mais de dois anos de combates entre Israel e o Hamas.
Trump deverá nomear os membros do conselho de administração no final deste mês, sendo Mladenov o seu representante no terreno.
Um alto funcionário dos EUA, que falou sob condição de anonimato porque a nomeação não foi anunciada oficialmente, confirmou que Mladenov é a escolha da administração Trump para ser o administrador diário do Conselho de Paz.
De acordo com o plano de Trump, o Conselho deverá supervisionar um novo governo palestiniano tecnocrático, o desarmamento do Hamas, o destacamento de uma força de segurança internacional, a retirada adicional das tropas israelitas e a reconstrução da Faixa de Gaza.
Mladenov é um antigo ministro búlgaro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros que foi enviado da ONU para o Iraque antes de ser nomeado enviado da ONU para a paz no Médio Oriente entre 2015 e 2020. Durante esse período, trabalhou frequentemente para aliviar as tensões entre Israel e o Hamas.
A primeira fase do cessar-fogo, que teve início a 10 de outubro do ano passado, pôs termo aos combates e permitiu a troca de reféns detidos pelo Hamas por centenas de palestinianos detidos por Israel.
O acordo tem-se mantido em grande parte, embora tenha sido prejudicado por acusações mútuas de violações.
O Hamas ainda não devolveu o corpo de um refém, um polícia israelita morto na incursão de 7 de outubro de 2023 que desencadeou a guerra.
Entretanto, os contínuos ataques israelitas em Gaza já mataram mais de 400 palestinianos, segundo as autoridades sanitárias locais.
Israel afirma que os ataques foram em resposta a violações do acordo, mas as autoridades sanitárias palestinianas afirmam que há muitos civis entre os mortos.
Hamas recusa desarmar-se
Na quinta-feira, os dirigentes egípcios e da União Europeia, reunidos no Cairo, apelaram ao envio de uma força internacional de estabilização para Gaza para supervisionar o cessar-fogo de outubro.
"A situação é extremamente grave. Mesmo assim, o Hamas recusa-se a desarmar. Bloqueia o avanço para a fase seguinte do plano de paz, ao mesmo tempo que Israel restringe as ONG internacionais que colocam em sério risco o acesso à ajuda humanitária", afirmou a chefe da política externa da UE, Kaja Kallas.
"Não há qualquer justificação para que a situação humanitária em Gaza se tenha deteriorado até ao nível atual", afirmou.
UNRWA alerta para "enorme vazio" na ajuda
O chefe da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos alertou para o risco de a pressão israelita sobre a organização criar um "enorme vazio" nos serviços.
Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), disse aos jornalistas em Ancara que nenhum outro organismo tem a capacidade ou a "confiança da comunidade" para prestar serviços de saúde, educação e sociais no país.
"Se a agência não puder ou tiver de deixar de operar em Gaza ou na Cisjordânia, isso criará um enorme vazio", afirmou.
Lazzarini esteve na Turquia para conversações com funcionários sobre a melhoria do acesso humanitário em Gaza.