As autoridades afirmam que até 50 palestinianos são autorizados a atravessar diariamente de ambos os lados, para além de 50 pacientes que procuram cuidados médicos.
Israel reabriu o posto fronteiriço de Rafah, na Faixa de Gaza, com o Egito, na segunda-feira, para tráfego limitado, de acordo com as autoridades egípcias e israelitas, num importante passo em frente no acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos (EUA) entre Israel e o Hamas.
Um funcionário egípcio, que falou à AP sob condição de anonimato, disse que 50 palestinianos seriam autorizados a atravessar em cada direção no primeiro dia de abertura da fronteira, que esteve fechada durante quase dois anos.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou que Israel autorizará a saída de Gaza de um máximo de 50 doentes por dia, acompanhados por dois familiares da sua escolha. Netanyahu referiu ainda que 50 palestinianos que desejem regressar a casa terão passagem diária.
Cerca de 20.000 palestinianos no exclave esperam deixar o território para receber tratamento médico, de acordo com as autoridades de saúde locais. Se as quotas atuais se mantiverem em vigor, demorará mais de um ano para que os necessitados recebam cuidados médicos.
Segundo as Nações Unidas, estima-se que cerca de 100 000 palestinianos tenham abandonado a Faixa de Gaza durante a guerra, tendo muitos deles procurado refúgio no Egito. A este ritmo, poderá demorar mais de cinco anos a repatriar os deslocados.
O ministério da Saúde egípcio afirmou na segunda-feira que 150 hospitais em todo o país foram preparados para receber os doentes e feridos palestinianos que serão retirados de Gaza através de Rafah nos próximos dias e semanas.
Israel afirmou que irá controlar, juntamente com o Egito, a saída de pessoas do território através da passagem, um processo que será supervisionado por agentes da patrulha fronteiriça da União Europeia (UE) com uma pequena presença palestiniana.
As autoridades deram a entender um possível aumento do número de viajantes autorizados a atravessar todos os dias se o sistema for bem-sucedido, mas não deram prazos.
Os soldados israelitas fecharam a passagem de Rafah em maio de 2024, alegando que era essencial impedir que os militantes do Hamas fizessem contrabando de armas através da fronteira. A passagem foi brevemente aberta durante vários dias para evacuações médicas durante um cessar-fogo em janeiro de 2025, mas não para a circulação de civis.
Israel hesitou em reabrir a passagem, apesar de um acordo de cessar-fogo mediado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que está em vigor desde outubro.
No entanto, a devolução do corpo do último refém israelita detido em Gaza na semana passada abriu caminho para a reabertura, permitindo que a trégua existente avançasse para a segunda fase, destinada a estabelecer a governação, a reconstrução e o desarmamento do exclave palestiniano.