Embora Gaza tenha quatro outros postos fronteiriços, os restantes são partilhados com Israel e apenas Rafah liga o território a um país diferente.
Israel informou na sexta-feira que vai reabrir a passagem fronteiriça pedonal entre Gaza e o Egito em ambos os sentidos no fim de semana, marcando um importante passo em frente para o plano de cessar-fogo do presidente dos EUA, Donald Trump.
O COGAT, o órgão militar israelita encarregado de coordenar a ajuda a Gaza, disse num comunicado que um "movimento limitado de pessoas apenas" seria permitido através da passagem de Rafah a partir de domingo.
Segundo o COGAT, tanto Israel como o Egito controlarão a saída e a entrada de pessoas no posto de passagem, que será supervisionado por agentes das patrulhas fronteiriças da União Europeia.
Para além dos controlos no posto de passagem, os palestinianos que saem e regressam serão vistoriados por Israel no corredor adjacente, que permanece sob controlo militar israelita.
A passagem tem estado quase totalmente encerrada desde que Israel se apoderou dela, em maio de 2024, afirmando que a medida fazia parte de uma estratégia para travar o contrabando transfronteiriço de armas do Hamas.
A passagem foi aberta de forma breve para a retirada de pacientes médicos durante um cessar-fogo de curta duração no início de 2025.
Israel tinha resistido a reabrir a passagem, mas a recuperação dos restos mortais do último refém em Gaza, na segunda-feira, abriu caminho para avançar. Netanyahu afirmou que a travessia seria aberta em breve, de forma limitada e controlada.
Evacuações médicas
Um funcionário israelita que falou sob condição de anonimato disse à The Associated Press que dezenas de palestinianos seriam inicialmente autorizados a passar por cada uma das vias, começando pelas pessoas retiradas por motivod médicos e pelos palestinianos que fugiram durante a guerra.
Segundo a Associated Press, 50 pessoas que precisam de tratamento serão autorizadas a sair e 50 retornados serão autorizados a entrar. Ainda não se sabe se as evacuações médicas serão acompanhados por pessoas que lhes prestem assistência, como aconteceu noutras ocasiões durante a guerra.
Milhares de palestinianos em Gaza estão a tentar abandonar o território devastado pela guerra, enquanto muitos outros que fugiram durante os combates mais violentos dizem querer regressar a casa. Só o Egito está a acolher dezenas de milhares de palestinianos de Gaza.
Cerca de 20.000 palestinianos doentes e feridos precisam de tratamento fora de Gaza, segundo o Ministério da Saúde do território.
No passado, as pessoas a quem foi dada prioridade na saída eram sobretudo crianças, doentes com cancro e pessoas que sofriam de traumatismos físicos. A maioria recebeu tratamento no Egito.
O sistema de saúde de Gaza foi dizimado durante a guerra, tornando inacessíveis os procedimentos cirúrgicos avançados. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 18 000 doentes palestinianos estão feridos e necessitam de tratamento no estrangeiro.
Pelo menos 30.000 palestinianos registaram-se na Embaixada da Palestina no Cairo para regressar a Gaza, segundo um funcionário da embaixada, que falou sob condição de anonimato porque os pormenores da reabertura continuam a ser discutidos.
A reabertura da passagem é um dos primeiros passos da segunda fase do acordo de cessar-fogo do ano passado, mediado pelos EUA, que inclui questões que vão desde a desmilitarização de Gaza até à criação de um governo alternativo para supervisionar a reconstrução do enclave, maioritariamente destruído.
Antes da guerra, Rafah estava sujeita a fortes restrições, mas continuava a ser o principal ponto de passagem para as pessoas que entravam e saíam de Gaza, além de ser responsável pelo comércio entre o Egito e o território.
Em 2022, as Nações Unidas registaram mais de 133 000 entradas e 144 000 saídas através de Rafah, embora muitas envolvessem as mesmas pessoas que atravessaram várias vezes. As autoridades egípcias autorizaram as importações em 150 dias do ano e entraram mais de 32 000 camiões de mercadorias.
Embora Gaza tenha quatro outros postos fronteiriços, os restantes são partilhados com Israel e apenas Rafah liga o território a outro país.
Netanyahu disse esta semana que o objetivo de Israel é desarmar o Hamas e destruir os túneis que ainda restam. Sem estas medidas, afirmou que não haverá reconstrução em Gaza, uma posição que pode fazer do controlo de Israel sobre Rafah um ponto-chave de influência.