Meses depois de a Ucrânia ter sido abalada por uma importante investigação de corrupção na empresa estatal de energia nuclear Energoatom, o antigo ministro da Energia, Herman Halushchenko, foi oficialmente acusado depois de ter sido detido quando tentava sair do país.
O antigo ministro ucraniano da Energia, Herman Halushchenko, foi acusado de branqueamento de capitais e de envolvimento num grupo criminoso no âmbito da investigação sobre a corrupção na empresa estatal de energia nuclear Energoatom, anunciaram as autoridades na segunda-feira.
Num comunicado do Gabinete Nacional Anticorrupção (NABU) e do Gabinete do Procurador Especializado Anticorrupção (SAPO), foi confirmado que os dois organismos "alargaram o círculo de suspeitos no caso Midas".
"O ex-ministro da Energia (2021-2025) foi acusado de branqueamento de capitais e de participação numa organização criminosa", refere o comunicado.
De acordo com a investigação, que abalou a Ucrânia em novembro, os membros do grupo criminoso iniciaram o registo de um fundo na ilha de Anguila em fevereiro de 2021.
O fundo tinha como objetivo angariar cerca de 118 milhões de euros em "investimentos", com a família de Halushchenko entre os "investidores", disse o gabinete.
A NABU afirmou que mais de 8,8 milhões de euros foram transferidos para as contas do fundo controladas pela família de Halushchenko. Além disso, mais de 1,3 milhões de francos suíços (1,8 milhões de euros) e 2,4 milhões de euros em dinheiro foram retirados e enviados diretamente para a sua família na Suíça.
Parte dos fundos foi gasta na educação dos filhos de Halushchenko em instituições suíças de topo e depositada nas contas da ex-mulher. O restante foi alegadamente depositado, "gerando um rendimento extra para uso pessoal da família".
Halushchenko foi ministro da Energia de 2021 a 2025 e foi nomeado ministro da Justiça em julho de 2025. Em novembro, a NABU fez buscas em propriedades ligadas a ele como parte da investigação.
Segundo a NABU, o dinheiro terá sido branqueado através de vários métodos, incluindo criptomoedas e "investimentos" no fundo.
Halushchenko ainda não comentou as acusações feitas contra ele.
A investigação continua
Halushchenko foi investigado pela polícia anti-corrupção do país no âmbito de um processo que envolve a empresa estatal de energia nuclear Energoatom. Oito outros suspeitos foram acusados.
De acordo com a investigação, Timur Mindich, um antigo colaborador próximo do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, é o alegado cabecilha.
No domingo, Halushchenko foi detido quando tentava atravessar a fronteira, informou o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia.
"Ao atravessar a fronteira, os detectives do NABU detiveram um antigo ministro da Energia no âmbito da (investigação) Midas", declarou o NABU.
Segundo os meios de comunicação ucranianos, o antigo ministro da Energia foi retirado de um comboio e transportado para Kiev para ser interrogado.
Halushchenko foi ministro da Energia de 2021 a 2025 e foi nomeado ministro da Justiça em julho de 2025.
Em novembro de 2025, a NABU fez buscas em propriedades ligadas a Halushchenko no âmbito da investigação sobre a Energoatom.
O gabinete anti-corrupção informou que o grupo estava a recolher subornos de empreiteiros da Energoatom, que ascendiam a 10-15% do valor de cada contrato.
De acordo com a NABU, foram branqueados cerca de 100 milhões de dólares em fundos.
"De facto, a gestão de uma empresa estratégica com um rendimento anual de mais de 4 mil milhões de euros não era feita por funcionários, mas por pessoas estranhas sem autoridade formal", declarou a NABU num comunicado em novembro.
A alegação é de que receberam pagamentos de empreiteiros que construíam fortificações contra os ataques russos às infraestruturas energéticas, enquanto milhões de ucranianos em todo o país sofrem cortes de energia e apagões na sequência dos ataques russos.
A investigação está em curso e a NABU afirmou que está a cooperar com 15 países em todo o mundo.