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Suécia: chefe da diplomacia critica bloqueio 'ilógico' da Hungria a empréstimo à Ucrânia

Ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, em entrevista à Euronews em Bruxelas, 23 de fevereiro de 2026
Ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, em entrevista à Euronews, em Bruxelas, 23 de fevereiro de 2026 Direitos de autor  Euronews
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De Lauren Walker & Sasha Vakulina
Publicado a Últimas notícias
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A ministra dos Negócios Estrangeiros sueca disse à Euronews que a UE tem de encontrar forma de desbloquear o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e reforçar a pressão sobre a Hungria.

A ministra sueca dos Negócios Estrangeiros, Maria Malmer Stenergard, criticou declarações feitas por Budapeste de que vai bloquear a ajuda financeira a Kiev até ser retomado o trânsito de petróleo russo através de um oleoduto danificado que liga a Hungria à Rússia via Ucrânia. Classificou a decisão como "ilógica".

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"Estou muito frustrada com isto e não é lógico, porque foi a Rússia que bombardeou este oleoduto", disse no programa de entrevistas da Euronews "12 Minutes With". "Por isso, penso que a frustração deles devia ser dirigida ao Kremlin e não à Ucrânia ou à UE."

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, afirmou na segunda-feira que o país vai bloquear um empréstimo de emergência de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, acusando o país devastado pela guerra de "chantagem" por causa de um oleoduto danificado usado para o trânsito de petróleo russo.

O ramo sul do oleoduto Druzhba, situado em território ucraniano, foi danificado em janeiro após ter sido atingido por um ataque russo, mas, ainda assim, Budapeste responsabiliza a Ucrânia, acusando-a de não fazer o suficiente para o reparar.

Szijjártó acusou Kiev, Bruxelas e as forças da oposição de atuarem em coordenação para perturbar os fluxos energéticos por razões políticas. Numa conferência de imprensa na segunda-feira, disse que o operador da rede informou a Hungria de que o oleoduto está operacional, uma afirmação negada pela Ucrânia. A Euronews contactou o operador da rede na segunda-feira para obter comentários.

Questionada se a UE vai encontrar uma solução criativa para contornar o veto húngaro, como já fez no passado, incluindo no processo de adesão da Ucrânia, Malmer Stenergard afirmou que a Hungria deve "cumprir a decisão que já foi tomada".

"Temos de garantir que a Ucrânia recebe esse dinheiro. Cerca de dois terços das suas necessidades orçamentais para dois anos serão cobertas por este empréstimo, e eles precisam disso, por isso temos de encontrar uma forma." Considerou "desleal" a atitude do Governo húngaro.

Numa cimeira em dezembro, Budapeste negociou uma derrogação juntamente com a Eslováquia e a República Checa, o que significa que ficam dispensados de contribuir financeiramente para o empréstimo, que será emitido ao abrigo de um mecanismo de cooperação reforçada.

Sobre o momento da decisão da Hungria, a ministra sueca disse acreditar que está ligado às eleições legislativas de abril, um escrutínio-chave em que o primeiro-ministro Viktor Orbán surge nas sondagens com uma desvantagem de dois dígitos. "Não creio que seja coincidência que se aproximem eleições na Hungria", afirmou.

Malmer Stenergard criticou também duramente o anúncio do primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, de que vai cortar o fornecimento emergencial de eletricidade à Ucrânia se Kiev não retomar o bombeamento de petróleo russo para o seu país.

"É a Rússia que é a agressora. É a Rússia que deve ser prejudicada em tudo isto e não a Ucrânia. (...) Espero que o resto da União Europeia exerça mais pressão sobre estes dois países que estão a comportar-se desta maneira", disse.

'Mais países têm de dar mais apoio'

A entrevista de Malmer Stenergard à Euronews teve lugar um dia antes do quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia. Sublinhou que nunca é boa altura para pôr fim ao apoio à Ucrânia, lembrando que o país precisa de todo o apoio possível.

No final do ano passado, as necessidades militares e financeiras da Ucrânia para os dois anos seguintes foram estimadas em 135,7 mil milhões de euros. A ministra sueca defendeu que, para colmatar esta importante lacuna, mais países devem conceder ajuda financeira.

"Acredito que mais países deviam apresentar apoios bilaterais se levam a sério aquilo que dizem – e quase todos dizem – de que esta luta não é apenas pela Ucrânia, mas também pela nossa liberdade e futuro comuns", afirmou.

Recordou que a Suécia apresentou na semana passada um dos maiores pacotes de apoio militar de sempre do país para a Ucrânia. "O nosso 21.º pacote de apoio ronda 1,2 mil milhões de euros e concentra-se na defesa aérea", avançou Malmer Stenergard.

A ministra tem salientado repetidamente que os países nórdicos proporcionam um nível de apoio desproporcionadamente elevado à Ucrânia em comparação com outros aliados da NATO, sobretudo para reforçar a segurança regional face à agressão russa, que estes Estados veem como uma ameaça direta à sua própria estabilidade.

No ano passado, a Suécia, em conjunto com a Dinamarca, a Noruega, a Finlândia e a Islândia, comprometeu-se com cerca de um terço de toda a ajuda militar aliada, apesar de representar apenas 3% da população da aliança.

"Ao sublinhar isto, não quero dizer que devamos fazer menos; quero dizer que outros podiam fazer muito mais."

'É preciso fazer a Rússia sofrer mais'

Sobre as negociações de paz trilaterais com a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos – cuja terceira ronda teve lugar em Genebra na semana passada e outra é esperada esta semana –, a ministra diz estar "grata por todos os esforços" que estão a ser feitos para alcançar a paz.

"[Mas] não vejo qualquer verdadeira vontade do lado russo de se envolver em negociações de paz reais. E é por isso que temos de alterar o cálculo", disse.

"Vemos que a Rússia já está a sofrer. A economia está muito debilitada. E perdeu mais de um milhão de vidas. Perdeu aliados, perdeu influência. Mas ainda precisamos de aumentar a pressão sobre a Rússia."

Assinalou que a Europa tem de garantir que a Rússia "sofre ainda mais", sobretudo no que toca à dependência energética. Malmer Stenergard afirmou que, desde a invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, a UE gastou mais em petróleo e gás russos do que concedeu em ajuda a Kiev.

"É muito frustrante ver que continuámos a alimentar a economia de guerra deles ao mesmo tempo que tentamos apoiar a Ucrânia. Por isso, temos de parar todas as importações de energia russa", afirmou, acrescentando que é algo que a Hungria e a Eslováquia – os dois únicos países da UE que ainda dependem de quantidades significativas de petróleo russo – já deviam ter feito "há muito tempo".

"Temos também de avançar com outras medidas, como pôr fim às importações de fertilizantes e continuar a trabalhar em sanções contra as frotas-sombra", referindo-se aos petroleiros russos que contornam as sanções europeias.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE pretendiam concluir o 20.º pacote de sanções contra Moscovo, que inclui uma proibição total de serviços para petroleiros russos, no Conselho dos Negócios Estrangeiros de segunda-feira. No entanto, a adoção voltou a ficar bloqueada por um veto húngaro devido ao mesmo diferendo sobre o petróleo.

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