Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Greenpeace enfrenta ação de 290 milhões de euros: sobreviverá o histórico grupo ambientalista?

Líderes e advogados de entidades da Greenpeace ouvem a pergunta de um jornalista após o veredito de um júri no tribunal de Mandan, Dakota do Norte, 19 de março de 2025
Dirigentes e advogados da Greenpeace ouvem pergunta de jornalista após veredicto do júri no tribunal do condado de Morton, Mandan, Dacota do Norte, 19 de março de 2025 Direitos de autor  AP Photo/Jack Dura
Direitos de autor AP Photo/Jack Dura
De Jack Dura com AP
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Processo está ligado a protestos contra o oleoduto Dakota Access realizados há mais de uma década.

Greenpeace luta pela sobrevivência no sistema judicial da Dacota do Norte, onde um juiz decidiu ordenar que o grupo ambientalista pague cerca de 345 milhões de dólares (292 milhões de euros) a uma empresa de energia cuja construção do oleoduto Dakota Access desencadeou protestos há quase uma década.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Um júri considerou, no ano passado, três entidades da Greenpeace responsáveis por várias queixas e atribuiu mais de 660 milhões de dólares (559 milhões de euros) em indemnizações à Energy Transfer, montante que o juiz James Gion reduziu para quase metade. Assim que a decisão que prometeu a 24 de fevereiro for formalmente registada, é expectável que ambas as partes recorram para o Supremo Tribunal da Dacota do Norte.

Conglomerado energético avaliado em 64 mil milhões de dólares (54 mil milhões de euros), com sede em Dallas, e proprietário e operador de milhares de quilómetros de oleodutos em 44 estados, a empresa contestou a redução para metade da indemnização. A Greenpeace USA declarou dispor de liquidez e ativos muito aquém de um valor desta dimensão.

«Vamos pedir um novo julgamento e, se tal não acontecer, recorreremos da sentença para o Supremo Tribunal da Dacota do Norte, onde a Greenpeace International e as estruturas da organização nos Estados Unidos dispõem de argumentos sólidos para o arquivamento de todas as ações judiciais contra nós», afirmou a 26 de fevereiro Kristin Casper, conselheira jurídica-chefe da Greenpeace International.

ARQUIVO - Na foto de sexta-feira, 28 de setembro de 2018, o navio-almirante da Greenpeace, o Rainbow Warrior, está atracado em Wellington, na Nova Zelândia
ARQUIVO - Na foto de sexta-feira, 28 de setembro de 2018, o navio-almirante da Greenpeace, o Rainbow Warrior, está atracado em Wellington, na Nova Zelândia AP Photo/Mark Baker, File

Consegue a Greenpeace sobreviver?

Com sede nos Países Baixos, a Greenpeace International, a Greenpeace USA e o braço financeiro Greenpeace Fund Inc. garantem que nunca deixarão de trabalhar para proteger o planeta.

Presente em mais de 55 países, a Greenpeace descreve-se como «uma rede global de organizações de campanha independentes que recorrem ao protesto pacífico e à confrontação criativa para expor problemas ambientais globais e promover soluções essenciais para um futuro verde, justo e alegre».

Fundada em 1971, no Canadá, por ativistas ambientais que procuravam travar testes de armas nucleares no arquipélago das Aleutas, no Alasca, a organização fez zarpar um navio para «testemunhar» um ensaio nuclear, seguindo a tradição de protesto quaker.

Foram intercetados pela Guarda Costeira, mas a ação acabou por ser considerada uma vitória quando os Estados Unidos interromperam os testes na ilha. Segundo o site da organização, o nome nasceu quando alguém saiu de uma reunião, levantando dois dedos e dizendo «Peace!». O ecologista canadiano Bill Darnell respondeu: «Então que seja uma Green Peace».

Que fez a Greenpeace?

Ativistas da Greenpeace escalaram pontes para pendurar faixas e enfrentaram em alto-mar navios baleeiros. Três navios percorrem o mundo para promover as causas da organização.

Membros da Greenpeace subiram à chaminé de uma fábrica química para protestar contra a poluição tóxica, em 1981, e ocuparam uma plataforma de petróleo no Mar do Norte, em 1995. Em 2017, dias depois de o então presidente Donald Trump tomar medidas para relançar a construção do Dakota Access, desenrolaram de uma grua, perto da Casa Branca, uma faixa com a palavra «Resist». E, em 2023, cobriram com tecido preto a residência de campo do então primeiro-ministro britânico Rishi Sunak, em protesto contra novos projetos de exploração de petróleo e gás.

Mas foram os protestos na Dacota do Norte, em apoio à tribo sioux de Standing Rock, que colocaram as organizações em dificuldades legais.

ARQUIVO - Manifestantes confrontam a polícia local durante um protesto contra a expansão do oleoduto Dakota Access, perto de Cannon Ball, Dacota do Norte, em 2 de novembro de 2016
ARQUIVO - Manifestantes confrontam a polícia local durante um protesto contra a expansão do oleoduto Dakota Access, perto de Cannon Ball, Dacota do Norte, em 2 de novembro de 2016 AP Photo/John L. Mone, File

Em que consiste o processo contra a Greenpeace?

Os planos para o oleoduto Dakota Access, avaliado em vários milhares de milhões de dólares e que atualmente transporta petróleo através de quatro estados do Médio-Oeste dos Estados Unidos, geraram forte oposição após as queixas da tribo, cuja reserva se situa a jusante do ponto em que a infraestrutura atravessa o rio Missouri. A comunidade indígena tem vindo a afirmar há anos que o oleoduto ameaça o seu abastecimento de água.

O protesto da tribo atraiu milhares de apoiantes, que acamparam na zona durante meses para tentar travar a obra. Os protestos, por vezes caóticos, em 2016 e 2017 levaram à detenção de centenas de pessoas.

Um advogado da Energy Transfer, Trey Cox, afirmou que a Greenpeace explorou um problema local pequeno e desorganizado para promover a sua agenda. Classificou a organização como «mestres da manipulação» e «enganosa até ao âmago». Acusou ainda a Greenpeace de pagar a manifestantes profissionais, organizar formações, partilhar informações sobre o traçado do oleoduto e até enviar dispositivos de bloqueio para que os manifestantes se pudessem prender ao equipamento.

As várias estruturas da Greenpeace alegaram que não há provas dessas acusações e que tiveram pouca ou nenhuma participação nos protestos. Descreveram o processo como «lawfare», uma estratégia destinada a silenciar ativistas e críticos.

Apesar disso, o júri considerou a Greenpeace USA responsável por todas as acusações, incluindo difamação, conspiração, intrusão, perturbação e interferência ilícita em relações comerciais. As outras duas entidades foram consideradas responsáveis por parte das queixas.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Mundo continua despreparado: cientistas pedem avaliação global das alterações climáticas

Degelo dos glaciares pode travar as alterações climáticas? Cientistas pensavam que sim até agora

Europa: alterações climáticas de origem humana agravam chuvas de inverno