Os números foram avançados pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas à agência Lusa e confirmados pela Euronews junto de fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, abrangendo os regressos efetuados por via de voos promovidos pelo Estado português, mas também os comerciais.
Chegou na segunda-feira a território português mais um voo militar de repatriamento de cidadãos que se encontravam no Médio Oriente e que, por força do asseverar das tensões na região, procuravam regressar à Europa. A bordo da aeronave C‑130H que aterrou, pelas 5:50 do dia de ontem, no Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, seguiam 61 passageiros, entre os quais 54 portugueses, segundo informação publicada no Portal Diplomático. Em causa uma "operação coordenada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pela Força Aérea Portuguesa".
Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, já regressaram a Portugal cerca de 700 cidadãos portugueses, entre voos fretados e comerciais, confirmou uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Euronews. Uma estimativa que tinha sido inicialmente avançada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, em declarações à agência Lusa, esta terça-feira.
Mas o número deverá aumentar muito em breve, já que, segundo detalhou ainda Emídio Sousa à Lusa, é aguardada a chegada de mais um avião da Emirates, ainda durante esta terça-feira, no qual deverão seguir perto de 100 cidadãos nacionais.
Para além do voo militar que chegou a Figo Maduro na segunda-feira, outros dois promovidos diretamente pelo Estado português tinham já aterrado no país, de acordo com a informação que tem sido periodicamente divulgada no Portal Diplomático.
A primeira fase da operação de repatriamento ficou concluída durante a madrugada de sexta-feira, com a chegada à base aérea de Figo Maduro, pelas 5:18, de "39 passageiros, dos quais 24 cidadãos portugueses e 15 cidadãos estrangeiros provenientes de França, Grécia, Brasil e Israel", que seguiam a bordo de uma aeronave da Força Aérea.
Poucas horas depois, pelas 10:16, concretizou-se "a aterragem de um segundo voo, fretado à TAP Air Portugal", com "139 portugueses e oito cidadãos estrangeiros oriundos da Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América e Peru", num total de 147 passageiros, detalha o Portal Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
De notar que a retirada de cidadãos estrangeiros do Médio Oriente tem sido efetuada, no âmbito destas últimas operações promovidas pelo Estado português, "ao abrigo do mecanismo de cooperação e partilha de informação entre Estados‑membros da União Europeia relativo a pedidos de repatriamento", informa ainda a tutela.
Muitos destes cidadãos, refere ainda o Ministério, "encontravam-se no Médio Oriente em contexto de viagem, negócios ou turismo". Mas apesar de a guerra continuar sem fim à vista, alguns "residentes na região optaram por permanecer nos respetivos países, considerando adequadas as condições de segurança locais".
Na mais recente nota publicada no Portal Diplomático assegura-se ainda que as autoridades portuguesas "continuarão a acompanhar permanentemente a evolução da situação no terreno, em coordenação com os parceiros europeus e internacionais, avaliando a necessidade de futuras operações de repatriamento". Ainda que, segundo adiantou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, esta terça-feira, à agência Lusa, não esteja prevista qualquer iniciativa desta natureza, de momento, que tenha Portugal como destino**.**
O conflito no Médio Oriente estalou a 28 de fevereiro, com o lançamento, por parte de Israel e dos Estados Unidos, de ataques aéreos contra o Irão. A resposta de Teerão não demorou, visando várias cidades israelitas, infraestruturas militares norte-americanas, mas também outros países árabes na região.
Desde então, segundo um balanço feito esta terça-feira pela Al Jazeera, com base nas atualizações feitas pelas autoridades locais, a guerra de 11 dias tirou já a vida a 1.255 pessoas no Irão e a 11 em Israel, havendo ainda dezenas de vítimas mortais noutras nações do Golfo Pérsico.
O estalar do conflito fez com que vários países europeus, à semelhança de Portugal, iniciassem operações de repatriamento, promovendo o regresso dos seus concidadãos de países onde as condições de segurança ainda são, neste momento, algo incertas.