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Qatar avisa que uma guerra com o Irão pode ter "resultados catastróficos"

 O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar e conselheiro do primeiro-ministro, Dr. Majed Al-Ansari, fala à imprensa em Doha, 10 de março de 2026
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar e conselheiro do primeiro-ministro, Dr. Majed Al-Ansari, fala à imprensa em Doha, 10 de março de 2026 Direitos de autor  Euronews
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De Peter Barabas & Aadel Haleem
Publicado a
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Este é o maior "eu avisei-te" na história dos eu avisei-te do mundo", disse o porta-voz do inistério dos Negócios Estrangeiros do Qatar,aos meios de comunicação social, numa declaração no momento em que uma nova vaga de ataques iranianos desencadeou alertas de ataques aéreos em Doha.

Assumindo-se como uma força mediadora global nos últimos anos, o Qatar emitiu um aviso frontal ao Irão, bem como aos EUA e a Israel, na terça-feira. Desde 2023 que o país tem avisado constantemente sobre os "resultados catastróficos" em toda a região" e as consequentes repercussões globais da escalada da guerra do Irão em curso.

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O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, e conselheiro do primeiro-ministro, Majed Al-Ansari, afirmou que "este é o maior 'eu avisei-vos' da história do mundo."

Em resposta a uma pergunta da Euronews sobre os ecos dos avisos feitos pelo Qatar durante muitos meses, Al-Ansari afirmou que o Qatar "disse desde o primeiro dia: se não for controlada, a escalada que começou em 2023 levará a uma guerra regional."

"O que estamos a ver neste momento é uma guerra regional", sublinhou.

Embora o Qatar acredite que a guerra ainda possa ser contida, de acordo com Al-Ansari, "a trajetória que estamos a atravessar neste momento é uma trajetória muito perigosa para a região e continuamos a avisar que, mais uma vez, se não for controlada e se o conflito passar das salas de negociações para os campos de batalha, conduzirá a resultados ainda mais catastróficos para as pessoas da região."

Caças Typhoon da RAF do Esquadrão 11, baseados na RAF Coningsby, a chegar à Base Aérea de Dukhan, no Qatar, para dar apoio na região. 7 de março de 2026
Caças Typhoon da RAF do Esquadrão 11, baseados na RAF Coningsby, a chegar à Base Aérea de Dukhan, no Qatar, para dar apoio na região. 7 de março de 2026 AP Photo

Al-Ansari afirmou que o Irão deve pôr termo aos seus ataques antes de qualquer conversa sobre uma solução diplomática e acusou o Irão de ter como alvo infraestruturas civis no Golfo e não só, o que não ameaça apenas a região, mas "causará repercussões em todo o mundo, os efeitos em cascata do ataque às instalações de energia nesta região."

"Assistiremos a uma catástrofe humanitária em resultado destes ataques", sublinhou o conselheiro do primeiro-ministro. "Qualquer ataque ao Qatar será tratado de forma adequada", concluiu.

Pedido de desculpas de Pezeshkian

O Qatar esperava que o pedido de desculpas do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, aos seus vizinhos por causa dos ataques, pusesse termo aos ataques, mas estes continuaram, disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, recusando-se a comentar a nomeação do novo líder supremo do Irão.

"Estamos ocupados a defender o nosso país dos mísseis iranianos e não estamos numa altura de delicadezas políticas", afirmou.

Al-Ansari disse ainda à Euronews que o Qatar "aprecia muito" o apoio da Europa ao Qatar e aos países do Golfo e que "provou o seu valor muitas vezes durante este conflito."

"Este é o momento em que conhecemos os nossos amigos e o valor da amizade e da parceria que temos com eles", disse Al-Ansari sobre a "coordenação constante e os telefonemas entre os líderes da UE e os líderes do CCG e dos países árabes afetados."

"Porque é que estamos a ser atacados neste momento?"

Poucos minutos após o fim do briefing do ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, os alertas de ataques aéreos voltaram a soar no Qatar.

O ministério da Defesa afirmou ter intercetado outro míssil que tinha como alvo o país, após a vaga de ataques iranianos de segunda-feira, com 17 mísseis balísticos e seis drones.

O Irão tem afirmado várias vezes que apenas visa os interesses dos EUA nos países do Golfo, avisando que qualquer apoio regional aos EUA será considerado por Teerão como um ato hostil, justificando os ataques iranianos.

O ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar respondeu que "as parcerias estratégicas não só com os EUA, mas com todos os parceiros de defesa no mundo não estão em causa".

"Penso que é muito claro que, neste momento, enquanto os nossos sistemas Patriot estão a defender o país, juntamente com os nossos amigos e aliados americanos e outros da Europa e não só, estas parcerias de segurança são o principal obstáculo e dissuasor de quaisquer ataques ao nosso país", afirmou Al-Ansari.

"Obviamente que, neste momento, a questão que se coloca é: se são dissuasoras, porque é que estamos a ser atacados neste momento?!, concluindo: "bem, esta é a natureza da besta quando se trata de política internacional", disse.

"Quando as coisas ficam fora de controlo, quando um conflito se descontrola, o resultado é que a dissuasão não funciona. Isto aconteceu sempre na história", concluiu o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar.

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