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Alemanha: gás nacional pode reduzir dependência energética

Fracking na Califórnia, EUA, em 23 de setembro de 2020
Fraturação hidráulica na Califórnia, EUA, em 23 de setembro de 2020 Direitos de autor  Copyright 2016 The Associated Press. All rights reserved.
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De Laura Fleischmann
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Em 2024, 67% da energia consumida no país teve de ser importada, segundo o Destatis. Alemanha supera a média da UE, de 57%, embora pudesse explorar gás nacional, dizem especialistas.

Cresce na Alemanha o receio de uma explosão dos preços do gás e da eletricidade. Cerca de 20 por cento do gás natural liquefeito (GNL) mundial é transportado pelo estreito de Ormuz, segundo o órgão comercial das Nações Unidas, a CNUCED. Mas desde o início da guerra no Irão que tudo está parado nessa passagem marítima.

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A Alemanha depende fortemente das importações de energia. Cerca de dois terços (67 %) da energia de que necessita têm de ser importados, segundo o Gabinete Federal de Estatística. Na média da UE, a dependência é de 57 por cento.

Pode, porém, haver uma saída para essa dependência: «A Alemanha poderia cobrir sozinha cerca de um quarto das suas necessidades de gás natural», explica o geofísico Hans-Joachim Kümpel. Entre 2007 e 2016, dirigiu o Instituto Federal de Geociências e Recursos Naturais.

Com o chamado fracking, a Alemanha poderia extrair cerca de 20 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano, explica o geofísico, e isso durante décadas. Sobretudo na Baixa Saxónia e na Renânia do Norte-Vestefália existem grandes jazidas de gás natural que poderiam ser exploradas com este método.

Alemanha avalia nova extração de gás natural

Na Alemanha, o fracking (fratura hidráulica), um processo de extração de gás natural a partir de camadas rochosas muito compactas, é, no entanto, altamente controverso do ponto de vista político e social. Os críticos alertam para eventuais danos no ambiente e nos lençóis freáticos, receando que, nas perfurações, substâncias poluentes possam infiltrar-se nas águas subterrâneas.

Kümpel considera estes receios exagerados. «Os riscos para as águas subterrâneas e para a água potável são, na Alemanha, tremendamente exagerados», afirma. Além disso, a tecnologia desenvolveu-se claramente nos últimos anos, tornando-se mais segura e menos poluente.

Na avaliação do geofísico, a produção interna poderia até trazer vantagens para o balanço climático. O gás natural liquefeito tem primeiro de ser arrefecido de forma extrema, depois transportado por longas distâncias e finalmente regaseificado, um processo que consome muita energia.

«Em vez de 20 mil milhões de metros cúbicos de gás natural extraídos na Alemanha, é preciso extrair 25 mil milhões de metros cúbicos no outro lado do Atlântico, porque cinco mil milhões de metros cúbicos perdem-se, em termos energéticos, no transporte.» Cálculos simples mostram, diz Kümpel, que assim se poderiam evitar cerca de dez milhões de toneladas de CO₂ por ano.

Terminal de GNL em Wilhelmshaven, Alemanha, 17 de dezembro de 2022
Terminal de GNL em Wilhelmshaven, Alemanha, 17 de dezembro de 2022 Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved

A isto junta-se outro fator: as fugas de metano. A sua monitorização deverá ser significativamente mais rigorosa na Alemanha do que em muitos países produtores. Também por essa via, segundo Kümpel, seria possível poupar cerca de oito milhões de toneladas de CO₂.

Na CDU há, entretanto, esforços para relançar a extração de gás natural na Alemanha: o Governo federal «não quer continuar a dificultar» a extração de gás, disse a ministra da Economia, Katherina Reiche (CDU), aos jornais do grupo Funke Mediengruppe. Sobretudo em tempos de forte tensão geopolítica, é preciso discutir o tema, sublinhou a ministra, vincando que é necessário «ponderar com muito cuidado entre os interesses ambientais e o abastecimento de matérias-primas».

Da parte do parceiro de coligação chega a resposta crítica: «O ataque ao Irão e as reações nos mercados fósseis mundiais mostram que temos de nos libertar o mais depressa possível dos combustíveis fósseis, através da aposta nas renováveis», afirmou a porta-voz para a política energética do SPD, Nina Scheer, em resposta a uma pergunta da Euronews.

Também os Verdes se posicionam claramente contra o fracking: «Quem aposta no fracking para reduzir a nossa dependência do gás também veste fato de banho quando o barco tem uma avaria», afirmou o porta-voz para a política energética dos Verdes, Michael Kellner, à Euronews. Em vez disso, o consumo de gás tem de baixar, «isolando paredes, facilitando a mudança para bombas de calor e permitindo à indústria investir em produção limpa».

A eletricidade produzida em novas centrais a gás nacionais pode sair mais cara do que o previsto, como sugere um novo estudo do Fórum para uma Economia Social de Mercado Ecológica (FÖS), encomendado pelo fornecedor de eletricidade verde Green Planet Energy: os investigadores apontam para um preço entre 23 e 28 cêntimos/kWh. Neste valor, os cientistas incluíram também os custos de construção, exploração e posterior desmantelamento das centrais a gás. A eletricidade de novos parques eólicos e solares custa menos de 10 cêntimos/kWh, conclui o estudo.

Alemanha proíbe fracking desde 2017

Em 2025, a Alemanha importou 106 terawatts-hora de gás natural através de terminais de GNL, cerca de 10,3 por cento do total das importações de gás alemãs. A grande maioria, 96 por cento, veio dos Estados Unidos, extraído, na maioria dos casos, por fracking.

Numa altura em que as relações transatlânticas se tornam cada vez mais tensas, alguns especialistas veem nisto um risco para a segurança do abastecimento. Para extrair gás na Alemanha, seria, porém, necessário aliviar primeiro a proibição atualmente em vigor.

Protestos contra um terminal de GNL, Rügen, Alemanha, 20 de abril de 2023
Protestos contra um terminal de GNL, Rügen, Alemanha, 20 de abril de 2023 (c) Copyright 2023, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten

Em 2017, o então governo de coligação conservadores-social-democratas, liderado pela chanceler Angela Merkel (CDU), proibiu em grande medida a extração não convencional de gás natural, conhecida como fracking. No fracking, o gás de xisto é forçado a sair de rochas compactas com uma mistura de água e elevada pressão.

Em comparação, a extração convencional de gás natural continua autorizada, sob regras rigorosas. Neste caso, é explorado gás que se encontra em rochas porosas e que, por isso, consegue subir mais facilmente.

Em muitos países europeus, o fracking também está proibido ou fortemente limitado. Em França e na Áustria, por exemplo, a técnica não pode ser utilizada para extrair gás natural. Já na Polónia e na Roménia o fracking é permitido, ainda que sujeito a condições rigorosas.

Na população alemã, a opinião sobre o fracking está dividida. Um inquérito representativo da empresa de estudos de opinião Appinio para a revista Wirtschaftswoche, realizado em 2023, mostra que:

48 por cento dos alemães consideram o fracking necessário para fazer face à crise energética. Para 38 por cento, a tecnologia é dispensável. Os restantes 14 por cento estão indecisos.

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