A Eslovénia vai realizar eleições legislativas no próximo domingo, com a oposição conservadora de Janez Janša a tentar restaurar os "valores tradicionais".
Os eslovenos vão às urnas no próximo domingo para uma eleição parlamentar que poderá levar a oposição conservadora a retomar o poder do governo liberal do primeiro-ministro Robert Golob.
Embora o líder conservador Janez Janša tenha mantido durante muito tempo a liderança nas sondagens, a diferença diminuiu significativamente nas últimas semanas na antiga nação jugoslava de dois milhões de habitantes.
Janša, três vezes primeiro-ministro e aliado do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, fez campanha para restaurar os "valores eslovenos", centrando-se na "família tradicional" e cortando o financiamento estatal às ONG's.
Também admirador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Janša entrou frequentemente em conflito com Bruxelas e atraiu protestos em massa no seu país, com os críticos a acusarem-no de atacar a liberdade dos meios de comunicação social e do poder judicial, e de minar o Estado de direito durante o seu terceiro mandato como primeiro-ministro, que terminou em 2022.
"Se o bloco de direita ganhar, isso significaria a queda de mais um bastião liberal na Europa", argumenta o comentador político Aljaž Pengov Bitenc, referindo a ascensão dos partidos de extrema-direita em todo o continente.
"Deus, pátria, família"
Janša ganhou popularidade em relação à coligação de centro-esquerda de Golob com as suas medidas económicas, incluindo novas contribuições para a assistência a idosos e alterações à tributação das empresas.
"Este governo levou a cabo experiências semelhantes às de Cuba", disse Janša, à margem de um recente comício em Celje, a nordeste da capital, Liubliana, onde se reuniram centenas de apoiantes. Acusou o governo de Golob de se comportar como se "o dinheiro crescesse nas árvores".
Gaja Grcar, um estudante de 22 anos que participou no comício de Celje, criticou o governo de Golob que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, argumentando que "não apoia os nossos valores, talvez até vá contra eles", que são "Deus, a pátria e a família", disse Grcar.
A imagem de Golob também foi afetada após acusações de abuso de poder na nomeação de altos funcionários da polícia.
Para responder a este desafio, Golob adoptou o slogan "Escolher a construção em vez da destruição". Em vez de organizar grandes comícios, o primeiro-ministro concentrou-se em cerimónias de inauguração de projetos de saúde e de infraestruturas.
Apesar do Partido Democrático Esloveno (SDS) de Janša liderar as sondagens há algum tempo, a diferença diminuiu recentemente, graças a medidas governamentais como a introdução de subsídios de Natal obrigatórios e aumentos nas pensões e no salário mínimo garantido.
Segundo uma sondagem publicada na semana passada pelo diário Delo, o SDS tem 22,4% de apoio, enquanto o Partido da Liberdade (GS) de Golob tem 20,3%.
Uma sondagem publicada no fim de semana pelo diário Dnevnik coloca, pela primeira vez, o GS à frente, com 24,1% de apoio e o SDS logo atrás, com 23,2%.
No plano internacional, Golob e Janša não são muito diferentes, uma vez que ambos criticaram fortemente a guerra da Rússia contra a Ucrânia, a aplicação de tarifas pelos EUA, a posição de Washington sobre a Gronelândia e o seu apoio à guerra de Israel em Gaza.
Golob, um recém-chegado à política em 2022, foi o mais votado nesse ano, impulsionado pela ira contra a repressão das liberdades civis por parte do governo de Janša.
O partido de Golob obteve 34,5% dos votos contra 23,6% da fação de Janša.
"Toda a gente viu este governo (de Golob) como um salvador, um messias... e acabaram inevitavelmente desiludidos", disse o analista Pengov Bitenc.