Agentes da autoridade entraram em apartamentos de Teerão e tentaram pôr fim às celebrações de uma das mais antigas tradições do Irão. No Chaharshanbe Suri, população salta sobre as chamas para afastar negatividade antes do início do ano novo no calendário persa
Os iranianos celebraram o Festival do Fogo, apesar de o país estar em guerra e de o regime dos aiatolas ter proibido a pirotecnia.
Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ver encontros nas ruas com foliões à volta das fogueiras em danças típicas acompanhadas por fogo de artifício, numa das tradições mais antigas da cultura persa, cumprida anualmente.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, pediu à população que levasse a cabo os festejos, ao mesmo tempo que fez um apelo aos Estados Unidos (EUA) e Israel para que protegessem os civis das forças de segurança da Republica Islâmica.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deixou uma mensagem semelhante, encorajando os iranianos a desfrutarem da ocasião e garantindo que Israel estava a vigiar tudo o que se passava do alto.
As forças de segurança tentaram conter as celebrações com incursões a residências em Teerão. Vídeos gravados por habitantes da capital iraniana mostram momentos em que polícias entram num complexo de apartamentos e entoam palavras de ordem enquanto se ouvem tiros.
As autoridades iranianas manifestaram preocupação com o que descreveram como "o uso indevido das celebrações por parte dos soldados israelitas".
O Chaharshanbe Suri é um festival antigo no Irão que acontece na última quarta-feira antes do início do ano novo no calendário persa. Os iranianos saltam sobre as chamas num ato simbólico que, acreditam, deixa para trás a tristeza e negatividade.
Nos últimos anos, a República Islâmica tem-se oposto a estas celebrações, e os jovens costumam aproveitar a ocasião para mostrar descontentamento com as políticas do regime.