Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Órgão marítimo da ONU inicia conversações sobre o transporte marítimo no Médio Oriente

Petroleiros e cargueiros alinhados no Estreito de Ormuz, vistos de Khor Fakkan, 11 de março de 2026
Petroleiros e cargueiros alinhados no Estreito de Ormuz, vistos de Khor Fakkan, 11 de março de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Pelo menos 21 navios foram atingidos, alvejados ou denunciaram ataques desde o início do conflito, de acordo com o UK Maritime Trade Operations, um organismo de monitorização naval.

O líder do órgão marítimo da ONU apelou, na quarta-feira, à adoção de "medidas práticas" para proteger os navios mercantes ameaçados pela guerra no Médio Oriente, ao iniciar uma reunião de emergência num contexto de receios quanto ao destino de milhares de navios e marítimos retidos.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A Organização Marítima Internacional (OMI), responsável pela regulamentação da segurança marítima internacional, irá debater os esforços para atenuar a crise da navegação durante o encontro de dois dias na sua sede em Londres.

O conselho de 40 membros da OMI poderá votar na quinta-feira várias resoluções propostas, incluindo uma que visa "estabelecer um corredor marítimo seguro para permitir a evacuação segura de marinheiros e navios encalhados no Golfo Pérsico".

No entanto, se aprovadas, as resoluções não são vinculativas.

A reunião, aberta a todos os 176 Estados-membros, bem como a dezenas de ONG e organismos da indústria marítima, surge num momento em que a retaliação do Irão aos ataques israelo-americanos paralisou o transporte marítimo comercial no Estreito de Ormuz e nas suas proximidades.

Arsenio Dominguez, secretário-geral da Organização Marítima Internacional, discursa em Belém, 10 de novembro de 2025
Arsenio Dominguez, secretário-geral da Organização Marítima Internacional, discursa em Belém, 10 de novembro de 2025 AP Photo

De acordo com as últimas informações da OMI, esta situação deixou cerca de 20.000 marinheiros retidos em aproximadamente 3.200 navios a oeste do principal ponto de estrangulamento marítimo.

"Esta situação é inaceitável e insustentável", afirmou o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, no início da reunião, instando os membros a concentrarem-se em "medidas práticas" para a resolver.

"O transporte marítimo tem demonstrado repetidamente a sua resiliência, mas a geopolítica está a testar o setor até ao limite e, sempre que o transporte marítimo é utilizado como dano colateral nestes conflitos, o mundo inteiro é afetado negativamente."

Ataques "injustificáveis"

Os Estados do Golfo criticaram o Irão nas suas declarações iniciais.

"Os Emirados Árabes Unidos manifestam a sua rejeição e condenação, nos termos mais veementes, dos... ataques não provocados, injustificáveis, indiscriminados e totalmente ilegais do Irão", referiu o delegado do país.

Os ataques iranianos constituem "uma grave violação da nossa soberania e integridade territorial" e são "uma violação flagrante das regras e princípios fundamentais do direito internacional".

O bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irão, por onde normalmente transita um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito a nível mundial, provocou um aumento dramático dos preços do petróleo e assustou os mercados.

Entretanto, desde o início do conflito, pelo menos 21 navios foram atingidos, alvejados ou denunciaram ataques, de acordo com o UK Maritime Trade Operations (UKMTO), um observatório naval.

Grã-Bretanha, França, Alemanha e uma série de outros países, incluindo os Estados do Golfo, instaram o Conselho da OMI a adotar uma declaração para "condenar veementemente os ataques flagrantes" do Irão aos seus vizinhos.

Referindo que o Irão tinha "ameaçado e atacado navios comerciais e marítimos, bem como infraestruturas marítimas civis", a sua proposta afirmava ainda que os ataques eram "injustificáveis e devem cessar".

Exortaram também a uma condenação semelhante do "suposto bloqueio do Estreito de Ormuz" por Teerão.

"Evacuação segura"

Na sua declaração, o Irão, que é membro da OMI mas não faz parte do seu conselho, atribuiu a "atual deterioração do ambiente de segurança marítima" aos ataques de Israel e dos EUA.

"As repercussões marítimas adversas que afetam atualmente o transporte marítimo e os marinheiros são uma consequência direta e inevitável destas ações ilegais e não podem ser vistas isoladamente da sua causa subjacente", afirmou o país.

Petroleiros e navios de carga alinham-se no Estreito de Ormuz, visto de Corfacão, 11 de março de 2026
Petroleiros e navios de carga alinham-se no Estreito de Ormuz, visto de Corfacão, 11 de março de 2026 AP Photo

Por outro lado, o Japão, o Panamá, Singapura e os Emirados Árabes Unidos instaram a OMI a ajudar a "estabelecer uma conjuntura que permita a retirada segura dos marinheiros e dos navios encalhados no Golfo".

Entretanto, os organismos do setor marítimo apresentaram um pedido para uma "abordagem internacional coordenada em matéria de segurança", ao mesmo tempo que insistiram que "o bem-estar dos marinheiros deve ser tido em conta".

Querem medidas para garantir que "as comunicações com o país de origem possam ser mantidas, que as mudanças de tripulação e o desembarque possam ser facilitados e que as provisões e mantimentos sejam adequados às necessidades dos marinheiros."

Outras fontes • AFP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

França poderá juntar-se às escoltas de navios em Ormuz quando a situação estiver "mais calma", Macron

China gere com cautela guerra no Irão ao equilibrar segurança energética e neutralidade

Órgão marítimo da ONU inicia conversações sobre o transporte marítimo no Médio Oriente