O primeiro-ministro do Qatar apelou ao fim imediato do conflito, após ataques com mísseis terem atingido instalações energéticas em todo o Golfo, incluindo o importante centro de Ras Laffan. Doha exige que o Irão ponha termo aos ataques, num momento em que os preços do gás disparam.
"Esta guerra tem de acabar imediatamente, porque toda a gente sabe quem é o maior beneficiário e a causa do conflito."
Foi esta a mensagem do primeiro-ministro do Qatar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, numa altura em que as tensões continuam a aumentar em toda a região.
Ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, Al Thani afirmou que o Qatar exige que o Irão ponha termo aos ataques contra os países do Golfo, considerando a escalada perigosa e alertando que esta está a atingir civis e a ameaçar a segurança energética global.
Os seus comentários surgem depois de Israel ter atacado o principal campo de gás natural do Irão na quarta-feira.
Teerão respondeu rapidamente, disparando mísseis contra instalações energéticas em todo o Golfo, incluindo locais na Arábia Saudita, no Kuwait e no principal centro de gás do Qatar, Ras Laffan.
"Agressivo e irresponsável"
Al Thani condenou veementemente o ataque às infraestruturas energéticas do Qatar, descrevendo-o como um ato de sabotagem.
"Referimo-nos ao ataque ocorrido ontem nas instalações energéticas de Ras Laffan. Infelizmente, este ato de sabotagem não reflete senão uma política agressiva e irresponsável, bem como uma escalada perigosa por parte do Irão", afirmou.
"Isto apesar do Qatar, desde a primeira hora, após o ataque israelita às instalações e infraestruturas energéticas iranianas, ter condenado esse ataque. No entanto, a resposta do Irão ao ataque israelita foi visar diretamente o Estado do Qatar."
Preocupações energéticas globais
A escalada está a fazer soar os alarmes nos mercados energéticos mundiais.
O Qatar partilha com o Irão a maior reserva de gás natural do mundo, o que torna a região crítica para o abastecimento global.
Ras Laffan é a maior instalação de exportação de gás natural liquefeito do mundo e as perturbações já se fazem sentir.
Os preços do gás na Europa atingiram os níveis mais elevados desde o início do conflito, há três semanas, à medida que aumentam as preocupações com o abastecimento.
A QatarEnergy diz que os ataques causaram danos consideráveis no seu principal centro energético no norte do país, aumentando a pressão num mercado global já volátil.
Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou numa publicação nas redes sociais que Israel agiu sozinho e foi o único responsável pelos ataques de quarta-feira.
Apelo à desescalada
Fidan, da Turquia, foi mais longe, acusando Israel de transformar a região no que descreveu como um "campo de batalha que ameaça a estabilidade global".
Ao mesmo tempo, salientou que os esforços diplomáticos continuam em curso.
Fidan afirmou que os mediadores turcos estão em contacto com o Irão e com os Estados Unidos para promover a desescalada, acrescentando que quase todo o mundo deseja que esta guerra termine.