O número de mortos ascendeu a mais de 1 300 no Irão, mais de 1 000 no Líbano, 15 em Israel e 13 militares norte-americanos na região. Milhões de pessoas no Líbano e no Irão foram deslocadas.
Esta sexta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump classificou os seus aliados da NATO de "covardes", afirmando que, sem os Estados Unidos, a aliança é um "tigre de papel". Numa publicação na sua plataforma Truth Social, Trump queixou-se de que os aliados não responderam ao seu apelo para garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
"Agora que a batalha está ganha militarmente, com muito pouco risco para eles, queixam-se dos preços elevados do petróleo que são obrigados a pagar, mas não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, uma simples manobra militar que é a única razão para os preços elevados do petróleo. É tão fácil para eles fazê-lo, com tão pouco risco! Covardes!", escreveu.
Na segunda-feira, Trump advertiu que a NATO enfrenta um "futuro muito sombrio" se os aliados não responderem ao seu apelo para criar uma força policial naval internacional.
O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o petróleo e o gás do Golfo, por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial. A maior parte do tráfego marítimo está paralisada desde o início de março, pouco depois do início da guerra no Irão. Nas últimas semanas, os preços do petróleo ultrapassaram os 100 dólares (86 euros) por barril.
Poucas horas após a declaração de Trump, o Reino Unido anunciou que tinha autorizado a utilização das suas bases militares para que os Estados Unidos levassem a cabo ataques contra alvos iranianos que atacam navios no Estreito de Ormuz.
Um comunicado de Downing Street indicou que os ministros britânicos "confirmaram que o acordo que permite aos Estados Unidos utilizar bases do Reino Unido no âmbito da autodefesa coletiva da região inclui operações defensivas norte-americanas destinadas a neutralizar as instalações e capacidades de mísseis utilizadas para atacar navios no Estreito de Ormuz".
O acordo alarga as condições previamente acordadas para a utilização das suas bases, que estipulavam que as forças norte-americanas podiam utilizar bases britânicas para operações destinadas a impedir que o Irão lançasse mísseis que pusessem em risco os interesses ou a vida dos britânicos.
Os Estados Unidos e Israel têm apresentado justificações contraditórias para a guerra, desde a esperança de fomentar uma revolta que derrube a liderança iraniana até à eliminação dos seus programas nucleares e de mísseis. Não houve sinais públicos de tal revolta, nem se vislumbra o fim da guerra.
Tensão regional com impacto mundial
Entretanto, após três semanas de escalada do conflito no Médio Oriente, os Estados Unidos continuam a enviar mais navios de guerra e fuzileiros navais para a região, e o Irão ameaça alargar os seus ataques de retaliação a locais de lazer e turísticos em todo o mundo.
Com ataques aéreos israelitas contra Teerão, a República Islâmica está a lançar novos ataques contra Israel e contra centrais elétricas nos vizinhos Estados árabes do Golfo. A região celebra o Eid, uma das festas mais sagradas do calendário muçulmano. Por sua vez, os iranianos celebram o Ano Novo persa, o Nowruz, uma festa que este ano decorre com maior sobriedade.
A Cidade Velha de Jerusalém foi atingida esta sexta-feira por destroços de mísseis iranianos interceptados. Os destroços caíram no bairro judeu, a menos de 500 metros do Muro das Lamentações, o local mais sagrado para a oração judaica, e da Mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do Islão.
Dada a escassez de informações provenientes do Irão, não é claro qual a extensão dos danos sofridos pelas suas instalações militares, nucleares ou energéticas na sequência dos violentos ataques norte-americanos e israelitas que tiveram início a 28 de fevereiro, nem quem detém efetivamente o poder no país.
No entanto, os ataques iranianos continuam a interromper o abastecimento de petróleo e a afetar a economia mundial, elevando os preços dos alimentos e dos combustíveis muito para além do Médio Oriente.