Os regimes autoritários unem-se contra a hegemonia ocidental. O presidente da Bielorrússia efetuou a sua primeira visita oficial à Coreia do Norte. As partes assinaram um tratado "de amizade e cooperação".
Os líderes da Coreia do Norte e da Bielorrússia assinaram um acordo de "amizade e cooperação" durante a primeira visita oficial do presidente Alexander Lukashenko à Coreia do Norte, que foi recebido em Pyongyang pelo líder norte-coreano Kim Jong-un.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia, Maxim Ryzhenkov, afirmou que, para além do acordo, as duas partes acordaram em cooperar numa série de domínios, desde a agricultura às tecnologias da informação.
O comércio entre os dois países é "insignificante", mas entre as áreas promissoras Ryzhenkov mencionou a exportação de produtos farmacêuticos e géneros alimentícios da Bielorrússia para a Coreia do Norte. De acordo com Ryzhenkov, a Coreia do Norte pode importar vários produtos cosméticos para a Bielorrússia, que são "famosos pela sua qualidade e preços acessíveis".
A Bielorrússia e a Coreia do Norte estão sob sanções ocidentais, acusadas de violações graves dos direitos humanos e de apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
No âmbito da cerimónia oficial, Lukashenko visitou o Monumento da Libertação, dedicado aos soldados soviéticos, e depositou flores a pedido do presidente russo, Vladimir Putin, "em agradecimento pela ajuda à Rússia" na guerra na Ucrânia.
Lukashenko, 71 anos, está no poder na Bielorrússia desde 1994 e tem sido um firme apoiante de Moscovo desde o início da invasão total da Ucrânia em 2022. A Bielorrússia foi um dos trampolins para a invasão e, mais tarde, a Rússia instalou armas nucleares tácticas no país.
Regimes autoritários contra a hegemonia ocidental
"O objetivo da visita é mostrar solidariedade" entre os países que se opõem à ordem ocidental, disse à agência noticiosa AFP o analista Lee Ho-ryun, do Korea Defence Research Institute.
Ambos os líderes acusaram os países ocidentais de violarem o direito internacional e de exercerem pressão em declarações oficiais.
"Nas atuais realidades da transformação global - numa altura em que as principais potências mundiais ignoram e violam abertamente o direito internacional - os países independentes devem cooperar mais estreitamente e consolidar os seus esforços para proteger a sua soberania e melhorar o bem-estar dos seus cidadãos", afirmou Lukashenko, citado pela agência noticiosa estatal bielorrussa Belta.
"Opomo-nos às pressões ilegais do Ocidente sobre a Bielorrússia e expressamos o nosso apoio e compreensão pelas medidas tomadas pela liderança bielorrussa para garantir a estabilidade social e política, bem como o desenvolvimento económico", disse Kim, citado pela Belta.
A coordenação entre regimes autoritários intensificou-se recentemente no contexto de duas guerras - na Ucrânia e no Médio Oriente. A Bielorrússia e a Coreia do Norte fazem parte de uma iniciativa promovida pelo presidente chinês, Xi Jinping, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, para criar o chamado "mundo multipolar" e contrariar a hegemonia ocidental.
Tratado entre a Rússia e a Coreia do Norte
Em 2024, a Rússia e a Coreia do Norte assinaram um acordo de parceria estratégica em que cada uma das partes se compromete a prestar "assistência militar e outra" em caso de ataque à outra.
Segundo os analistas, a Coreia do Norte recebe ajuda financeira, tecnologia militar, alimentos e recursos energéticos da Rússia, o que ajuda Pyongyang a reduzir a sua dependência da China, que há muito é o seu principal aliado.
As agências de informação sul-coreanas e ocidentais estimam que a Coreia do Norte tenha enviado para a Rússia milhares de soldados, na sua maioria da região de Kursk, bem como projécteis de artilharia, mísseis e sistemas de mísseis.