O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, ameaçou a NATO e a Ucrânia com o lançamento de mísseis Oreshnik caso estas se intrometam nos assuntos do seu país.
O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, comentou a declaração do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, de que o complexo de mísseis russos Oreshnik, instalado em território bielorrusso, constitui um "alvo legítimo".
"Isso é uma verdadeira tolice, e só os tolos dizem isso. Não estou a dizer que amanhã vamos disparar esses Oreshnik contra Vilnius, Varsóvia ou Kiev. Deus nos livre. Não é essa a nossa missão. Temos de defender o nosso país. E para que os Oreshnik não sejam disparados, não se metam connosco. Nem da Ucrânia, nem da Polónia, nem da Lituânia, nem da Letónia. Vamos resolver as questões de forma civilizada", terá dito Lukashenko, segundo citado pela agência noticiosa estatal bielorrussa Belta.
Lukashenko afirmou que não ficará simplesmente "a assistir" se a NATO e a Ucrânia "considerarem alvos legítimos instalações no território da Bielorrússia" e prometeu responder com o lançamento de um míssil — seja a 70 km, seja a 200 km.
E subiu o tom das ameaças: "Temos com que atingi-los. Por isso, aconselharia que não fizessem barulho."
O que é o Oreshnik?
O Oreshnik é um míssil balístico russo de médio alcance, havendo também um complexo de mísseis com o mesmo nome. O Ministério da Defesa dos EUA identifica este míssil como sendo uma variante do RS-26 Rubezh.
Foi colocado na Bielorrússia em dezembro de 2025.
Na altura, o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, afirmou que as ogivas do Oreshnik eram "impossíveis de intercetar" e que várias ogivas utilizadas num ataque convencional poderiam ser "tão destrutivas quanto um ataque nuclear".
Os especialistas ocidentais encaram estas declarações com ceticismo, salientando que o Oreshnik é, muito provavelmente, um sistema criado a partir de tecnologias antigas recicladas, que as autoridades russas tentam fazer passar por uma nova "super-arma".
Primeira utilização do Oreshnik
Moscovo afirma ter utilizado o Oreshnik pela primeira vez a 21 de novembro de 2024, atingindo uma instalação da fábrica Pivdenmash em Dnipro, no leste da Ucrânia. O míssil foi lançado a partir do campo de testes de Kapustin Yar, na região russa de Astrakhan, a cerca de 800 quilómetros do alvo.
Na altura, altos funcionários ucranianos afirmaram que o míssil transportava ogivas "fictícias" sem explosivos, enquanto especialistas militares norte-americanos o descreveram como "uma forma dispendiosa de causar poucos danos".
Vladimir Putin classificou o ataque como um "teste bem-sucedido" e um aviso aos EUA e ao Reino Unido.