Um grupo ambientalista contra a caça à baleia é acusado de ter colidido deliberadamente com um barco de pesca industrial de krill nas proximidades da Antártida.
Uma embarcação operada por um grupo fundado pelo ativista Paul Watson, que se opõe à caça à baleia, colidiu com um navio de pesca industrial de krill na Antártida.
A operadora Aker afirmou, na quarta-feira, que a embarcação Bandero da Captain Paul Watson Foundationesteve a centímetros de atingir um tanque de gasóleo do seu navio, o Antarctic Sea, de bandeira norueguesa.
Colocando assim em risco um habitat repleto de várias espécies de baleias, focas e aves marinhas, devido à possível libertação de enormes quantidades de combustível para o oceano, mas também as pessoas que seguiam a bordo, alegou ainda.
A empresa afirmou que a sua tripulação multinacional ficou abalada, mas permaneceu ilesa, anunciando que pretendia adotar todas as medidas legais disponíveis, já que considera que se tratou de um "ataque terrorista" sustentado em "visões ideológicas ou políticas". Tratou-se da primeira colisão em mais de uma década no Oceano Antártico.
A Aker é responsável por mais de metade das capturas de krill a nível mundial, sendo atualmente a maior empresa da atividade.
As autoridades competentes do Chile e da Argentina foram informadas da ocorrência, com um dos países a ter ordenado o envio de uma embarcação para as proximidades do local do incidente.
Segundo a AP, é provável que seja iniciada uma investigação ao incidente assim que a embarcação Bandero, alegadamente responsável, atraque num novo local.
A colisão coloca em destaque a batalha crescente nas águas geladas do Oceano Antártico pelo futuro do krill antártico, um crustáceo semelhante ao camarão que é fundamental na dieta das baleias e um amortecedor crítico para o aquecimento global.
O krill é também utilizado em suplementos alimentares, farinha de peixe e outros produtos, o que tem igualmente motivado uma procura crescente. A pesca deste crustáceo, aliás, atingiu um recorde na última temporada.