A Bloomberg obteve a transcrição de uma conversa telefónica entre o primeiro-ministro húngaro e o Presidente russo.
Segundo a Bloomberg (fonte em inglês), Viktor Orbán terá dito ao Presidente russo Vladimir Putin, numa chamada telefónica em outubro de 2025, que estava disposto a fazer tudo para o apoiar, incluindo levar a Budapeste conversações para pôr fim à guerra na Ucrânia. O jornal norte-americano refere que esta afirmação é feita com base em atas do governo húngaro que obteve.
"Ontem, a nossa amizade atingiu tais alturas que estou disposto a ajudar no que puder", disse Orbán, segundo a ata, acrescentando, em jeito de confirmação, que "estou à vossa disposição para qualquer assunto em que possa ajudar".
Viktor Orbán recordou ao Presidente russo o que disse ser uma fábula popular húngara, em que um rato liberta um leão preso numa rede, porque o leão tinha anteriormente poupado a vida do rato. Segundo a ata, Putin riu-se da situação.
Há relatos que afirmam que Moscovo está a tentar interferir nas eleições húngaras
À medida que se aproxima a eleição altamente disputada deste domingo na Hungria, surgem cada vez mais relatos sobre os laços estreitos entre os governos húngaro e russo. Nas últimas semanas, meios de comunicação independentes e jornalistas de investigação alegaram que o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, partilhou informações confidenciais sobre reuniões da UE com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov.
Várias fontes afirmaram que Moscovo está a tentar interferir na campanha eleitoral húngara a favor do governo, com o objetivo de manter no poder o seu aliado mais importante na UE. Em março, foi noticiado que o Kremlin tinha enviado um grupo de trabalho secreto à Hungria para influenciar as eleições e apoiar o primeiro-ministro Viktor Orbán. A embaixada da Rússia em Budapeste negou as acusações na altura.
O Financial Times noticiou posteriormente que o Kremlin tinha lançado uma campanha de desinformação na Hungria, retratando Viktor Orbán como um líder forte e Péter Magyar como um fantoche de Bruxelas. Posteriormente, o Washington Post afirmou que os serviços secretos russos teriam alegadamente proposto uma falsa tentativa de assassinato contra Viktor Orbán, com o objetivo de acirrar os ânimos na campanha eleitoral húngara e aumentar o apoio ao governo.
Putin elogiou a posição de Orbán relativamente à guerra na Ucrânia
De acordo com a Bloomberg, o telefonema entre o primeiro-ministro húngaro e o Presidente russo teve lugar por volta das 12 horas do dia 17 de outubro e consistiu, em grande parte, em fazer as habituais rondas diplomáticas para expressar o seu apreço mútuo e o seu respeito pelo Presidente dos EUA, Donald Trump.
O jornal refere que Orbán e Putin tinham falado com Trump a 16 de outubro sobre uma possível cimeira em Budapeste, que não se concretizou.
Orbán também disse a Putin que acreditava que a sua amizade só se tinha tornado mais forte desde o seu primeiro encontro em São Petersburgo, em 2009. "Quanto mais amigos tivermos, mais possibilidades temos de enfrentar os nossos adversários", disse Orbán, de acordo com a transcrição, confirmada à Bloomberg por uma fonte familiarizada com a conversa, que solicitou o anonimato.
Orbán acrescentou que lamentava não poder encontrar-se com Putin regularmente e pessoalmente, como de costume, antes da pandemia de Covid-19, ao que o presidente russo elogiou longamente a posição "soberana e flexível" da Hungria sobre a guerra na Ucrânia.
Putin acrescentou ainda que não compreendia por que razão as políticas centristas de Orbán estavam, na sua opinião, a causar controvérsia.