Os negociadores estão a concentrar-se em três pontos-chave que fizeram descarrilar as conversações do último fim de semana, incluindo o programa nuclear do Irão, o Estreito de Ormuz e a compensação pelos danos causados em tempo de guerra.
Os Estados Unidos estão a discutir a realização de uma segunda ronda de negociações de paz com o Irão no Paquistão e mostram-se otimistas quanto à possibilidade de chegar a um acordo, informou a Casa Branca na quarta-feira.
“Essas discussões estão a decorrer” e “estamos otimistas quanto às perspetivas de um acordo”, afirmou a secretária de imprensa Karoline Leavitt aos jornalistas, acrescentando que as próximas negociações “serão muito provavelmente” em Islamabad.
Os comentários da secretária de imprensa surgem depois de o presidente Donald Trump ter suscitado esperanças na terça-feira de que a guerra no Irão estivesse a chegar ao fim, afirmando que está “muito perto de terminar”.
“Considero que (a guerra) está muito perto de terminar”, afirmou Trump numa entrevista à Fox Business News.
"Sabem que mais? Se eu levantasse as estacas agora mesmo, eles levariam 20 anos para reconstruir o país. E nós ainda não terminámos. Veremos o que acontece. Acho que eles querem muito fazer um acordo", acrescentou.
Trump disse ao New York Post que uma segunda ronda de conversações poderia acontecer "nos próximos dois dias".
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também afirmou ser "altamente provável" que as conversações sejam retomadas, citando uma reunião que teve com o vice-primeiro-ministro do Paquistão, Ishaq Dar.
O ministro das Finanças do Paquistão, Muhammad Aurangzeb, afirmou que "a liderança não desiste" dos esforços para ajudar os EUA e o Irão a pôr fim à guerra.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel e os EUA estão totalmente alinhados no seu objetivo de conter o Irão.
"Os nossos amigos americanos mantêm-nos constantemente informados sobre os seus contactos com o Irão. Os objetivos dos Estados Unidos e os nossos são idênticos", afirmou num discurso transmitido pela televisão.
"Queremos ver o material enriquecido retirado do Irão; queremos ver a eliminação da capacidade de enriquecimento no Irão; e, claro, queremos ver o estreito (de Ormuz) reaberto", acrescentou.
Estreito de Ormuz continua bloqueado
A declaração de Trump surge num momento em que o cessar-fogo, que expira a 22 de abril, continua em terreno instável, com os EUA a avançarem com o bloqueio aos portos iranianos e Teerão a lançar novas ameaças em resposta.
Os negociadores estão a concentrar-se em três pontos-chave que inviabilizaram as conversações do fim de semana passado, incluindo o programa nuclear do Irão, o Estreito de Ormuz e a indemnização por danos de guerra, de acordo com um responsável envolvido nos esforços de mediação que falou sob condição de anonimato.
Apesar da frágil trégua, os preços do petróleo caíram na quarta-feira e as ações dos EUA subiram na esperança de um fim para a guerra.
A guerra começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão, o que deu origem a ataques diários com mísseis e drones por parte de Teerão em toda a região.
Pouco tempo depois, o Irão encerrou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma rota marítima fundamental, o que provocou um choque nos mercados mundiais.