Especialista da OMS salientou que a situação não deve ser comparada à covid-19, afirmando: "Isto não é o SARS-CoV-2. Isto não é o início de uma pandemia de Covid".
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que já foram registados cinco casos de hantavírus associados a um surto num navio de cruzeiro, alertando que poderão surgir mais infeções, uma vez que o vírus pode ter um período de incubação de até seis semanas.
Durante uma conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, a epidemiologista especializada em doenças infeciosas da OMS, Maria Van Kerkhove, procurou distinguir este surto dos primeiros dias da pandemia de covid-19.
"Quero ser inequívoca aqui. Isto não é SARS-CoV-2. Isto não é o início de uma pandemia de Covid. Trata-se de um surto que observamos num navio", afirmou. Van Kerkhove explicou que o hantavírus não se transmite da mesma forma que os coronavírus, mas sim através de "contacto próximo e íntimo".
Acrescentou que as medidas que estão a ser tomadas a bordo do navio são "preventivas para evitar qualquer propagação futura".
As autoridades europeias também afirmaram que o risco para a população continua a ser baixo. "Tenho de repetir que, de acordo com as evidências de que dispomos neste momento, o risco para o público na Europa, o risco para os europeus, é baixo", afirmou a porta-voz da UE, Eva Hrncirova.
O que aconteceu no MV Hondius?
Três passageiros morreram e outros oito adoeceram devido ao hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira neerlandesa, que permanece ao largo da costa de Cabo Verde com cerca de 150 pessoas a bordo.
O navio partiu da Argentina a 1 de abril para um cruzeiro pelo Atlântico e tinha paragens previstas na Antártida, nas Ilhas Malvinas e noutros locais, embora o seu itinerário tenha entretanto sido alterado devido ao surto.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que três doentes com casos suspeitos de hantavírus foram retirados e estão a caminho dos Países Baixos.
"Nesta fase, o risco global para a saúde pública continua a ser baixo", escreveu na sua conta do X.
Entretanto, Maria Van Kerkhove, da OMS, afirmou que as autoridades estão a investigar uma possível transmissão entre humanos — algo considerado extremamente raro — e acreditam que a primeira pessoa infetada provavelmente contraiu o vírus antes de embarcar. As autoridades também afirmaram que não há ratos a bordo.
Foi também confirmado um caso relacionado com o navio na Suíça, enquanto as autoridades de saúde da África do Sul e da Suíça identificaram uma estirpe capaz de se propagar entre humanos em casos raros.
Passageiros desembarcaram após a primeira morte a bordo
Cerca de 40 passageiros desembarcaram do navio de cruzeiro após a morte do primeiro passageiro a bordo, se.gundo autoridades neerlandesas. Os passageiros deixaram o MV Hondius durante uma escala na remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos.
Entre eles estava a mulher do passageiro neerlandês de 70 anos que morreu a bordo após adoecer durante a viagem. Ela viria a apanhar depois um voo comercial para a África do Sul, onde entrou em colapso e acabou por morrer no hospital.
A operadora do cruzeiro, a Oceanwide Expeditions, tinha anteriormente confirmado apenas que a mulher neerlandesa deixara o navio com o corpo do marido e não tinha reconhecido publicamente que dezenas de outros passageiros também desembarcaram.
As autoridades neerlandesas não revelaram onde se encontram agora os passageiros que deixaram o navio.
45 dias de quarentena para os passageiros espanhóis
Os 14 espanhóis a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius serão levados para Tenerife antes de serem transferidos para Madrid, informaram as autoridades sanitárias espanholas.
Ficarão em quarentena por um período de até 45 dias nas instalações de isolamento mais avançadas de Espanha, no Hospital Central de la Defensa Gómez Ulla, em Madrid.
A Unidade de Isolamento de Alto Nível (UAAN) é uma instalação especializada criada após o surto de Ébola de 2014 e anteriormente utilizada durante as evacuações de Wuhan devido à covid-19.
O que é o hantavírus?
O hantavírus refere-se a um grupo de vírus transportados por roedores, transmitidos principalmente aos seres humanos através da inalação de partículas transportadas pelo ar provenientes de excrementos secos de roedores.
De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, os hantavírus podem causar duas doenças graves.
A primeira é a síndrome pulmonar por hantavírus, que afeta os pulmões e pode levar a insuficiência respiratória grave. A segunda é a febre hemorrágica com síndrome renal, que afeta os rins e pode causar complicações graves.