Milhares assistiram à final da Taça do Emir, em Doha, num momento em que os adeptos de futebol, os ajuntamentos públicos e a sensação de normalidade regressam após semanas de tensões e incerteza na região.
Milhares de adeptos encheram no sábado à noite o Estádio Internacional Khalifa para a final da Taça do Amir, num jogo que para muitos foi mais do que apenas futebol.
A final, em que o Al Gharafa SC venceu o Al Sadd SC por 4-1 para revalidar o título da Taça do Amir, chegou após semanas de tensão regional que mantiveram muitos residentes em casa e afastados de grandes ajuntamentos.
Mas a final de sábado marcou um dos sinais mais claros do regresso em força dos adeptos aos estádios, numa altura em que o futebol voltou a ocupar o centro das atenções no Qatar.
Um total de 37 823 espectadores assistiu à final, criando um ambiente vibrante, com adeptos a agitarem bandeiras, a cantarem ao longo de todo o jogo e a ficarem muito depois do apito final.
‘Talvez todo o Qatar esteja aqui’
Para muitos dos presentes, o momento representou um regresso à normalidade depois de um período de grande tensão.
“É uma sensação óptima”, disse a uma repórter da Euronews uma cidadã indiana a assistir ao seu primeiro jogo de futebol no Qatar.
“Quando cheguei ao Qatar, uns três dias depois, aconteceu tudo. Mísseis caíam por todo o lado e não se via ninguém na rua.
“Mas agora, quando estou aqui, posso dizer que talvez todo o Qatar esteja aqui. É maravilhoso. É incrível. Vejo que o Qatar voltou a viver.”
Outro adepto que assistiu à final com os dois filhos afirmou que levar a família ao estádio ajudou a recuperar algum sentido de normalidade.
“Depois dos dias de tensão, sentimo-nos mais confortáveis. Na verdade, está tudo perfeito”, afirmou.
“Alhamdulillah, a vida voltou ao normal. Está tudo seguro.”
Sua Alteza o xeque Tamim bin Hamad Al Thani assistiu à final e, após a vitória, coroou o Al Gharafa como campeão.
Em declarações à Euronews durante o evento, o responsável pela comunicação da Federação de Futebol do Qatar, Ali Al Salat, afirmou que os organizadores queriam que o momento fosse vivido como uma celebração pelos adeptos.
“É muito bom ter tudo de novo no seu lugar”, disse.
“Hoje temos esta competição de prestígio, que é a Taça do Amir. Portanto, é um momento para celebrar o futebol com os adeptos.”
Al Salat explicou que os adeptos já vinham a regressar durante os jogos do campeonato e nas rondas anteriores da Taça do Amir, descrevendo a final de sábado como “a cereja no topo do bolo” da época de futebol.
A final assinalou também o 50.º aniversário do Estádio Internacional Khalifa, um dos recintos desportivos mais antigos do Qatar.
Muitos adeptos permaneceram nas bancadas a celebrar muito depois de o Al Gharafa ter erguido o troféu da Taça do Amir.