Do curling ao hóquei no gelo, Doha está a abraçar os desportos de inverno, à medida que o Qatar lança o seu "Ano da Cultura 2026" em parceria com o Canadá e o México, combinando o intercâmbio cultural com laços diplomáticos mais estreitos.
Pode parecer o Canadá, mas é o Qatar.
No interior da Arena Ali Bin Hamad Al Attiyah, em Doha, pedras de curling deslizam pelo gelo, crianças e adultos dão os primeiros passos na patinagem e jogadores amadores disputam um jogo amigável de hóquei no gelo.
Esta cena marcou o lançamento do Ano da Cultura Qatar-Canadá-México 2026, com o desporto no centro das atenções.
O Programa de Desenvolvimento de Desportos de Inverno é o primeiro grande evento público da iniciativa anual, concebida para aproximar as pessoas por via de experiências partilhadas, mesmo em ambientes improváveis.
Por que razão é importante agora
O lançamento da iniciativa ocorre num momento que, segundo os organizadores, lhe confere um peso acrescido.
"Passámos por algumas semanas difíceis, tempos turbulentos", disse Karim Morcos, embaixador do Canadá no Qatar. "A cultura e o desporto são o que une a humanidade. Derrubamos as barreiras e mostramos o que significa ser humano."
Para Morcos, a parceria é também uma oportunidade para mostrar a identidade do Canadá.
"O Canadá é um lugar muito diversificado... o desporto e a cultura são formas de integração", afirmou. "O que eu quero que os catarenses vejam é a beleza disso, a diversidade do Canadá."
Construir algo novo no gelo
Para muitos dos presentes, este foi o primeiro contacto com os desportos de inverno.
As famílias experimentaram o curling, a patinagem de velocidade em pista curta e o hóquei no gelo, numa altura em que o Qatar procura aumentar a participação em modalidades que ainda são relativamente novas no país.
Para Besan Elwadia, esse crescimento tem sido profundamente pessoal.
"Aos 16 anos, comecei a praticar patinagem artística e depois juntei-me à primeira seleção nacional feminina de hóquei no gelo do Qatar", referiu. "Ajudei a recrutar jogadoras e, aos poucos, fomos tornando-nos uma equipa."
Agora, como treinadora assistente no programa Learn to Play Hockey, está a ajudar a dar a conhecer o desporto à próxima geração.
"Conseguimos criar esta comunidade no Qatar, com pais de diferentes países a unirem-se através de um desporto", afirmou. "O programa já conta com mais de 60 crianças."
Num país conhecido pelo seu calor, o apelo é simples.
"Às vezes, só precisamos de um lugar fresco e de um desporto para praticar em recintos fechados."
Além do desporto: laços mais profundos
Embora o foco seja o desporto, a iniciativa reflete uma cooperação mais ampla entre o Qatar e os seus parceiros.
"É um novo dia, uma nova página na nossa relação", indicou Morcos, citando os recentes acordos entre o Canadá e o Qatar, incluindo um plano de 10 anos para aprofundar os laços nos setores político, económico e de segurança.
Essa colaboração já se está a estender aos grandes eventos mundiais.
"O Qatar teve uma experiência muito bem-sucedida, por isso, estamos em busca de lições junto deles", disse, referindo-se aos preparativos para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, que o Canadá irá coorganizar.
O México, o terceiro parceiro no programa deste ano, vê o Ano da Cultura como uma forma de fortalecer ainda mais essas ligações.
"Somos três países amigos, que promovem a amizade, a cooperação e a colaboração", afirmou Guillermo Ordorica, embaixador do México no Qatar.
Ordorica acrescentou que o Qatar já é familiar para muitos mexicanos, na sequência do Campeonato do Mundo de 2022.
"O Qatar tornou-se muito famoso no meu país... estamos certos de que iremos reforçar essa visão muito positiva do Qatar como um país com o qual partilhamos muitos valores."
Um programa com a duração de um ano
A iniciativa "Ano da Cultura" estabelece, todos os anos, parcerias entre o Qatar e outros países, indo além das artes tradicionais para abranger o desporto, a educação e programas comunitários.
O Programa de Desenvolvimento de Desportos de Inverno decorrerá ao longo de 2026, com eventos mensais destinados a fomentar a participação popular e a criar vias de acesso à competição.
A julgar pelo arranque, os desportos de inverno podem estar a encontrar o seu lugar no Qatar.
Mesmo no deserto.