Falando diretamente em espanhol ao povo cubano, Rubio acusou a liderança comunista do país de roubo, corrupção e opressão.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ofereceu aos cubanos um "novo caminho" numa mensagem especial em vídeo, esta quarta-feira, horas antes de Washington dever acusar criminalmente o antigo líder da ilha, Raúl Castro.
Dirigindo-se diretamente, em espanhol, ao povo cubano, Rubio acusou a liderança comunista do país de roubo, corrupção e opressão.
"O presidente Donald Trump está a propor um novo caminho nas relações entre os Estados Unidos e uma nova Cuba", afirmou Rubio, filho de imigrantes cubanos.
"Uma nova Cuba, onde tenham uma verdadeira oportunidade de escolher quem governa o vosso país e de votar para os substituir se não estiverem a fazer um bom trabalho".
As tensões entre Washington e Havana agravaram-se nos últimos meses, desde que forças norte-americanas derrubaram, numa operação militar, o aliado regional de Cuba, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, e impuseram de seguida um doloroso bloqueio energético à ilha, já a braços com dificuldades económicas.
Trump sinalizou repetidamente que o governo cubano poderá ser o próximo a cair e, no início deste mês, chegou mesmo a dizer que Washington iria "assumir o controlo" da ilha caribenha, situada a cerca de 145 quilómetros da Florida, "quase de imediato".
"Nos Estados Unidos, estamos prontos para abrir um novo capítulo na relação entre os nossos povos e os nossos países", disse Rubio, segundo a tradução oficial em inglês do discurso, publicada pelo Departamento de Estado.
"E, neste momento, a única coisa que impede um futuro melhor são aqueles que controlam o vosso país".
No discurso, Rubio acusou a Gaesa, o conglomerado apoiado pelos militares que se estima controlar cerca de 40% da economia cubana, de enriquecer as elites à custa dos cidadãos comuns.
"Um 'Estado dentro do Estado', que não presta contas a ninguém e acumula os lucros das suas empresas em benefício de uma pequena elite", acusou Rubio.
"E o único papel desempenhado pelo chamado 'governo' é exigir que continuem a fazer 'sacrifícios' e reprimir quem se atreve a queixar-se".
Esperava-se que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciasse, esta quarta-feira, acusações criminais contra Raúl Castro, de 94 anos, que sucedeu ao irmão Fidel na presidência de Cuba e supervisionou a histórica aproximação de 2015 aos Estados Unidos, sob Barack Obama, posteriormente revertida por Trump.
A cadeia CBS News noticiou que a eventual acusação se centraria no abate, em 1996, de dois aviões civis pilotados por opositores de Castro, citando responsáveis norte-americanos conhecedores do processo.
Bloqueio energético
Uma das últimas tábuas de salvação económicas de Cuba foi cortada em janeiro, quando forças norte-americanas derrubaram o homem-forte da Venezuela petrolífera, Nicolás Maduro, e impuseram um bloqueio ao fornecimento de combustível.
Na semana passada, Rubio renovou uma oferta de 100 milhões de dólares (85 milhões de euros) em ajuda, sob condição de que a assistência seja distribuída pela Igreja Católica, contornando o governo.
"O povo cubano deve saber que há 100 milhões de dólares em alimentos e medicamentos disponíveis para si neste momento", afirmou Rubio. "É do nosso interesse nacional ter uma Cuba próspera, não um Estado falhado a 90 milhas da nossa costa".
Numa publicação na rede X, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, apelou aos Estados Unidos para que, em vez disso, levantem o bloqueio.
"Os danos poderiam ser atenuados de forma muito mais simples e rápida, levantando ou aliviando o bloqueio, já que se sabe que a situação humanitária é friamente calculada e provocada", afirmou.