O cessar-fogo é declarado numa altura em que Israel intensifica os ataques e lança a mais profunda ofensiva terrestre no Líbano em vinte anos
Israel e o Líbano acordaram esta quarta-feira pôr em prática um cessar-fogo condicionado que exige uma "cessação total" dos disparos por parte do Hezbollah, apoiado pelo Irão, segundo um comunicado conjunto divulgado após conversações em Washington lideradas pelos Estados Unidos.
Segundo o comunicado conjunto, o cessar-fogo fica "dependente de uma cessação total" dos disparos do Hezbollah, bem como da retirada dos seus militantes do sul do Líbano.
No entanto, por o acordo ficar condicionado ao comportamento do Hezbollah, continua por esclarecer como evoluirão os acontecimentos. Na terça-feira, um alto responsável do movimento, Mahmud Qomati, advertira que o grupo "não aceitará um cessar-fogo parcial".
As conversações desta quarta-feira em Washington foram a quarta ronda de contactos diretos entre diplomatas libaneses e israelitas desde que os combates eclodiram a 2 de março, quando o Hezbollah retomou ataques contra Israel em apoio do Irão.
As duas partes, que não mantêm relações diplomáticas formais, acordaram ainda criar "zonas piloto" onde as forças armadas libanesas "assumirão o controlo exclusivo do território, à exclusão de todos os atores não estatais".
O cessar-fogo surge numa altura em que Israel intensificou recentemente os ataques e conduz a ofensiva terrestre mais profunda em território libanês das últimas duas décadas.
Estados Unidos: Trump quer negociações separadas sobre o Líbano
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que confirmou ter tido uma chamada telefónica tensa com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sobre a campanha militar alargada de Israel no Líbano, afirmou querer separar as negociações sobre o conflito no Líbano das conversações sobre a guerra com o Irão.
“Gostaria de separar as coisas; gostaria de ter um processo separado porque são, de facto, questões distintas”, declarou Trump aos jornalistas, na quarta-feira.
Teerão, porém, insiste que os conflitos estão ligados e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, advertiu que qualquer ataque a Beirute desencadeará uma "retoma total" da guerra.
As duas partes voltarão a reunir-se para novas conversações na semana de 22 de junho, "com vista a alcançar um acordo global", referiu o comunicado de quarta-feira.
Líbano: hostilidades continuam
Na quarta-feira, os combates prosseguiram com ataques transfronteiriços: o Hezbollah afirmou ter visado tropas israelitas. Os ataques de Israel mataram, pelo menos, nove pessoas no sul do Líbano.
Dois rockets e uma "aeronave hostil" entraram em território israelita a partir do Líbano, segundo o exército israelita.
Quanto às ações militares de Israel, a agência estatal libanesa National News Agency (NNA) noticiou ataques israelitas que atingiram um automóvel na estrada principal de saída da capital.
A mesma agência relatou ainda ataques a mais de 20 locais no sul, alguns após o exército israelita ter alertado os habitantes de várias aldeias para deixarem o local.
O ministério da Saúde do Líbano afirmou que um ataque israelita contra Al-Hawsh, perto da cidade de Tiro, matou quatro sírios e dois palestinianos, alegação que um porta-voz militar israelita terá desmentido, segundo relatos da comunicação social. "Não temos conhecimento de qualquer ataque desse tipo na área", afirmou.
De acordo com o ministério da Saúde libanês, outro ataque israelita no sul teve como alvo uma ambulância, matando dois socorristas da Associação de Escuteiros Risala, ligada ao movimento Amal, aliado do Hezbollah.
O ministério divulgou imagens de uma ambulância gravemente danificada, com máscaras médicas a saírem do veículo e espalhadas na estrada.
Pelo menos 130 profissionais de emergência e de saúde foram mortos desde o início dos combates, segundo dados locais.