Desde o assassínio do presidente Jovenel Moïse, em 2021, o Haiti tem enfrentado uma escalada da violência de gangues.
A violência de gangues matou pelo menos 2.300 pessoas no Haiti este ano, enquanto quase uma centena foi raptada, indicou esta segunda-feira a Organização das Nações Unidas.
O chefe dos direitos humanos da ONU, Volker Türk, apelou às autoridades para que combatam a impunidade generalizada no país caribenho em crise, com 12 milhões de habitantes.
O Haiti tem sido assolado por uma violência de gangues cada vez pior desde o assassínio, em 2021, do então presidente Jovenel Moïse.
Gangues armados controlam hoje a maior parte de Port-au-Prince e cometem regularmente homicídios, violações, pilhagens e raptos.
“No Haiti, a violência de gangues provocou pelo menos 2.300 mortos, 1.100 feridos e 99 raptos desde o início do ano”, disse Türk.
“Exorto as autoridades a avançarem rapidamente com as unidades judiciais para combater a impunidade”.
“A Força de Supressão de Gangues (GSF) é urgentemente necessária e tem de atuar em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos”, afirmou o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos.
O Conselho de Segurança da ONU deu luz verde, no ano passado, à nova GSF internacional encarregada de neutralizar os gangues.
A força irá, progressivamente, substituir a anterior Missão Multinacional de Apoio à Polícia Haitiana (MMAS).
O Conselho deu luz verde à GSF, em setembro passado e a pedido dos Estados Unidos, entre preocupações de que a MMAS estivesse mal equipada e subfinanciada.
Foi aprovado um plano inicial de destacamento, que respeita o limite de 5.500 militares e agentes da polícia autorizado pelo Conselho de Segurança, prevendo-se que os envios ocorram por fases.
Türk fazia o seu balanço global na abertura da 62.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
O Conselho, composto por 47 países, reúne-se em Genebra três vezes por ano em sessões regulares, sendo que a sessão em curso, que decorre até 7 de julho, é a segunda de 2026.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, vai visitar o Haiti na terça-feira para manifestar solidariedade para com as vítimas da violência das gangues, disse na semana passada o seu porta-voz, Farhan Haq.
Será “uma visita de solidariedade, durante a qual se encontrará com homens, mulheres e crianças cujas vidas foram afetadas pela violência”, disse Haq aos jornalistas.