O Qatar afirmou que o acordo-quadro a assinar na sexta-feira é apenas um primeiro passo e que o regresso à normalidade levará tempo, mesmo após a reabertura do estreito de Ormuz. Trump elogiou em separado o papel mediador de Doha e a sua "grande coragem".
"Estamos moderadamente otimistas", afirmou esta terça-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed Al Ansari, numa altura em que Doha saudou um acordo esperado entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, sublinhando, porém, que o quadro negociado deve ser visto como um primeiro passo e não como um acordo final.
"Estamos no caminho certo para reforçar a segurança regional. É evidente que haverá muitos desafios pela frente, mas aproveitemos este momento para alimentarmos algum otimismo", disse Al Ansari no habitual briefing semanal em Doha.
No entanto, o acordo-quadro que deverá ser assinado em Genebra na sexta-feira, com a participação de representantes do Qatar, não significará um regresso à normalidade no Golfo.
"Quanto a um regresso ao normal, não creio que, depois deste conflito, haja algo que se possa descrever como normal na região", afirmou Al Ansari.
"São questões que têm afetado a região há décadas. Não se resolvem em poucos dias".
O acordo-quadro anunciado no domingo por ambas as partes deverá prever a reabertura do estreito de Ormuz, após meses de perturbações num dos corredores energéticos mais importantes do mundo.
Al Ansari afirmou que o acordo permitirá retomar a navegação normal naquela via marítima, "para que o Qatar possa continuar a fornecer GNL", aliviando a pressão sobre os mercados energéticos mundiais.
Acrescentou que o maior desafio virá depois da própria cerimónia de assinatura. "Temos de encontrar uma nova normalidade, que passará por reconstruir a confiança, reconstruir canais de comunicação e perceber exatamente como será a região no pós-guerra", explicou Al Ansari.
O Qatar tem motivos para cautela, uma vez que Teerão tem visado o país e outros Estados do Golfo nos ataques diários com mísseis e drones que se seguiram aos primeiros bombardeamentos norte-americanos e israelitas contra o Irão, em fevereiro.
Embora tenha sido alcançado um cessar-fogo em 8 de abril, o Irão continuou a bombardear esporadicamente os vizinhos. Entretanto, Doha assumiu o papel de um dos principais mediadores entre as duas partes.
Segundo Al Ansari, o Qatar tenciona continuar a apoiar o esforço de paz liderado pelo Paquistão, que tem desempenhado um papel central na facilitação das conversações entre Washington e Teerão.
"No Qatar não encaramos de ânimo leve a nossa responsabilidade para com a segurança regional", afirmou, sublinhando o empenho do país do Golfo em evitar novas hostilidades.
Ao intervir numa reunião bilateral com o emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, à margem da cimeira do G7 em Évian-les-Bains, na terça-feira, Donald Trump elogiou o papel de Doha na mediação do acordo.
Trump iniciou o encontro dizendo ao emir: "Serás sempre meu amigo". Tamim agradeceu a Trump a liderança, mas advertiu que o acordo de cessar-fogo, embora "muito importante", ainda exigia um acompanhamento substancial.
"Estamos muito, muito impressionados com o Qatar e com a forma como lidou com esta situação", afirmou Trump.
"Trabalhar com o Qatar e com o povo qatari foi realmente um prazer. Foram duros, foram firmes. Sabem que são os que estão fisicamente mais próximos do Irão", acrescentou, elogiando a "grande coragem" das autoridades de Doha.