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Qatar está cautelosamente otimista com acordo-quadro EUA-Irão antes de sexta-feira

Dr. Majed Al Ansari analisa o acordo esperado entre os EUA e o Irão durante uma conferência de imprensa em Doha.
O Dr. Majed Al Ansari discute o esperado acordo EUA-Irão durante uma conferência de imprensa em Doha. Direitos de autor  Euronews
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De Mohamed Elashi & Euronews Doha
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O Qatar afirmou que o acordo-quadro a assinar na sexta-feira é apenas um primeiro passo e que o regresso à normalidade levará tempo, mesmo após a reabertura do estreito de Ormuz. Trump elogiou em separado o papel mediador de Doha e a sua "grande coragem".

"Estamos moderadamente otimistas", afirmou esta terça-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed Al Ansari, numa altura em que Doha saudou um acordo esperado entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, sublinhando, porém, que o quadro negociado deve ser visto como um primeiro passo e não como um acordo final.

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"Estamos no caminho certo para reforçar a segurança regional. É evidente que haverá muitos desafios pela frente, mas aproveitemos este momento para alimentarmos algum otimismo", disse Al Ansari no habitual briefing semanal em Doha.

No entanto, o acordo-quadro que deverá ser assinado em Genebra na sexta-feira, com a participação de representantes do Qatar, não significará um regresso à normalidade no Golfo.

"Quanto a um regresso ao normal, não creio que, depois deste conflito, haja algo que se possa descrever como normal na região", afirmou Al Ansari.

"São questões que têm afetado a região há décadas. Não se resolvem em poucos dias".

O acordo-quadro anunciado no domingo por ambas as partes deverá prever a reabertura do estreito de Ormuz, após meses de perturbações num dos corredores energéticos mais importantes do mundo.

Al Ansari afirmou que o acordo permitirá retomar a navegação normal naquela via marítima, "para que o Qatar possa continuar a fornecer GNL", aliviando a pressão sobre os mercados energéticos mundiais.

Acrescentou que o maior desafio virá depois da própria cerimónia de assinatura. "Temos de encontrar uma nova normalidade, que passará por reconstruir a confiança, reconstruir canais de comunicação e perceber exatamente como será a região no pós-guerra", explicou Al Ansari.

O Qatar tem motivos para cautela, uma vez que Teerão tem visado o país e outros Estados do Golfo nos ataques diários com mísseis e drones que se seguiram aos primeiros bombardeamentos norte-americanos e israelitas contra o Irão, em fevereiro.

Embora tenha sido alcançado um cessar-fogo em 8 de abril, o Irão continuou a bombardear esporadicamente os vizinhos. Entretanto, Doha assumiu o papel de um dos principais mediadores entre as duas partes.

Segundo Al Ansari, o Qatar tenciona continuar a apoiar o esforço de paz liderado pelo Paquistão, que tem desempenhado um papel central na facilitação das conversações entre Washington e Teerão.

"No Qatar não encaramos de ânimo leve a nossa responsabilidade para com a segurança regional", afirmou, sublinhando o empenho do país do Golfo em evitar novas hostilidades.

Ao intervir numa reunião bilateral com o emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, à margem da cimeira do G7 em Évian-les-Bains, na terça-feira, Donald Trump elogiou o papel de Doha na mediação do acordo.

Trump iniciou o encontro dizendo ao emir: "Serás sempre meu amigo". Tamim agradeceu a Trump a liderança, mas advertiu que o acordo de cessar-fogo, embora "muito importante", ainda exigia um acompanhamento substancial.

"Estamos muito, muito impressionados com o Qatar e com a forma como lidou com esta situação", afirmou Trump.

"Trabalhar com o Qatar e com o povo qatari foi realmente um prazer. Foram duros, foram firmes. Sabem que são os que estão fisicamente mais próximos do Irão", acrescentou, elogiando a "grande coragem" das autoridades de Doha.

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