Mais de 11,4 milhões de pessoas viviam em Portugal no final de 2025, com a imigração a representar já 14% da população e a assumir-se como principal motor do crescimento demográfico.
Em 31 de dezembro de 2025, a população residente em Portugal foi estimada em 11.424.031 pessoas, o número mais elevado de sempre. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta segunda-feira, o número de residentes aumentou em 36.809 pessoas relativamente a 2024 (0,32%).
Este aumento é ainda mais notório quando se analisa o período entre 2021 e 2025, período em que a população residente aumentou em 824.914 pessoas, com o INE a destacar os anos de 2022, 2023 e 2024, "nos quais se verificaram fluxos migratórios excecionalmente elevados, traduzindo-se em acréscimos populacionais, respetivamente, de 330 587, 274 643 e 182 875 pessoas".
A população residente de nacionalidade estrangeira representa já 14% da população total, sendo que em 31 de dezembro de 2025, havia já 1.597.539 imigrantes em Portugal. Destes, 913 249 (57,2%) eram homens e 684 290 (42,8%) eram mulheres. Este valor correspondeu a um aumento de 59.113 pessoas face ao ano anterior.
Envelhecimento acentua-se, apesar de pressão na população em idade ativa ter atenuado
O boletim do INE revela ainda que "o envelhecimento demográfico em Portugal continuou a acentuar-se, ainda que atenuado pelo reforço relativo da população em idade ativa". Em 2025, o índice de envelhecimento atingiu o valor de 188,8 idosos por cada 100 jovens (178,3 em 2021). A idade mediana da população residente em Portugal era de 45,8 anos(46,1 anos em 2021).
Já o acréscimo populacional, em 2025, resultou do facto de o saldo migratório positivo, de 70.862 pessoas, ter compensado o saldo natural negativo, de -34.053. "Em 2025 registou-se, assim, uma taxa de crescimento migratório positiva, de 0,62%, e uma taxa de crescimento natural negativa, de -0,30%."
Segundo o INE, entre 2022 e 2025, com saldos naturais negativos, a população residente em Portugal aumentou impulsionada pelos saldos migratórios positivos, que atingiram valores excecionalmente elevados nos anos de 2022, 2023 e 2024, respetivamente de 371.277, 307.288 e 216.629, correspondendo a taxas de crescimento migratório de 3,45%, 2,78% e 1,92%.
Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens (população dos 0 aos 14 anos de idade) diminuiu de 13,0% para 12,4% da população total, o que se refletiu no estreitamento observado na base da pirâmide etária, refere o gabinete de estatística português.
Já a percentagem de pessoas em idade ativa (população dos 15 aos 64 anos de idade) aumentou, de 63,7% para 64,3%, graças ao "contributo dos fluxos migratórios recentes que tendem a concentrar-se nesta idade", justifica o INE.
A proporção de idosos (população com 65 ou mais anos de idade), com ligeiras oscilações ao longo do período, manteve-se relativamente estável, em cerca de 23%.
"Esta estabilidade não contrariou, contudo, o processo de envelhecimento, sendo compatível com o aumento do índice de envelhecimento, que reflete sobretudo a diminuição relativa da população jovem", lê-se no boletim.
População estrangeira concentra-se mais na Grande Lisboa e no Norte
O Norte é a região NUTS II onde reside o maior número de pessoas (3.790.554), concentrando 33,2% do total da população, seguida pela Grande Lisboa (2.415.261) e pelo Centro (1.771.259), onde residem, respetivamente, 21,1% e 15,5% da população total.
O acréscimo populacional entre 2021 e 2025 refletiu-se em todas as regiões NUTS II, tendo sido particularmente expressivo, em termos relativos, no Algarve (13,8%), na Península de Setúbal (12,8%), na Grande Lisboa (10,6%) e no Oeste e Vale do Tejo (9,7%).
Em 2025, a região da Grande Lisboa, onde residiam 546 419 pessoas de nacionalidade estrangeira, concentrava 34,2% do total de estrangeiros em Portugal, seguindo-se a região Norte, com 311 095 residentes de nacionalidade estrangeira e representando 19,5% do total. Estas duas regiões concentravam mais de metade da população estrangeira residente (53,7%).
Por seu lado, a Região Autónoma dos Açores era a região onde residiam menos imigrantes, concentrando apenas 0,6% do total da população de nacionalidade estrangeira.
O Algarve, com 161 556 estrangeiros, destacou-se como a região com maior peso de população estrangeira no total de residentes na região, com 27,9%. A Grande Lisboa apresentava a segunda maior proporção (22,6%), seguida pela Península de Setúbal (18,3%).
Relativamente a 2021, todas as regiões NUTS II registaram um acréscimo significativo no número de residentes estrangeiros. A Grande Lisboa foi a região NUTS II que apresentou o maior aumento (mais 259 544 estrangeiros), seguindo-se as regiões Norte (mais 191 523) e Centro (mais 113 308).
Quanto às faixas etárias, em 2025, a população residente de nacionalidade estrangeira era composta por 8,9% de jovens (população dos 0 aos 14 anos de idade), 86,1% de pessoas em idade ativa (população dos 15 aos 64 anos de idade) e 5,0% de idosos (população com 65 ou mais anos de idade). A concentração nas idades ativas aumentou relativamente a 2021 (+3,6 p.p.).
"A população estrangeira apresenta uma pirâmide etária muito distinta da população total, onde se evidencia o predomínio do sexo masculino e da população em idade ativa", destaca o gabinete de estatística.
A população brasileira continua a ser a maior comunidade estrangeira no país. Em 2025, estima‑se que residiam em Portugal 574.195 cidadãos de nacionalidade brasileira, o que corresponde a 35,9% da população estrangeira residente.
Relativamente a 2021, o número de residentes nacionais do Brasil mais do que duplicou (106,5%), registando um acréscimo de 296.086 pessoas. A nacionalidade angolana era, em 2025, a segunda principal nacionalidade estrangeira, abrangendo 103.140 pessoas (6,5% do total de estrangeiros), o que representa igualmente um acentuado aumento em comparação com 2021 (33.099). A nacionalidade indiana, com 93.683 pessoas a residir em Portugal, era a terceira mais representativa (37.914 em 2021).
Cabo Verde (76.099), Nepal (56.866), Bangladesh (56.724) e Guiné-Bissau (53.555) integravam também o conjunto das principais nacionalidades estrangeiras em 2025.