Segundo o Instituto de Geologia dos EUA, os dois sismos ocorreram quase em simultâneo, separados por poucos minutos, num dos piores desastres do país sul-americano em mais de um século.
Na quinta-feira, os venezuelanos procuravam sobreviventes sob os escombros dos edifícios e as equipas de resgate dirigiram-se a toda a velocidade para as regiões do norte do país, abaladas por dois poderosos sismos que, segundo as autoridades, causaram a morte de 920 pessoas e 3.360 feridos, segundo o último balanço anunciado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. A ONU aponta para cerca de 50 mil desaparecidos.
Ao final da tarde desta sexta-feira, em declarações à imprensa, o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, revelou que 28 portugueses e lusodescendentes estão entre as vítimas mortais. O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, indicou que além dos mortos estão desaparecidas 85 pessoas.
Espera-se que o número de mortos e feridos aumente, com milhares de pessoas dadas como desaparecidas após os terramotos de magnitude 7,2 e 7,5, os mais fortes registados na Venezuela em mais de um século, e sentidos por toda a região.
Milhares de pessoas foram dadas como desaparecidas e edifícios foram evacuados até à Amazónia brasileira.
Em resposta à devastação, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos decidiu esta quinta-feira suspender até 23 de outubro algumas sanções, para permitir transações ligadas aos esforços de ajuda ao terramoto na Venezuela que, de outro modo, estariam proibidas
Entretanto, nas cidades do norte da Venezuela, moradores em pânico saíram para as ruas e procuraram desaparecidos entre os escombros
Os feridos eram retirados dos escombros cobertos de poeira e sangue, entre eles crianças e animais.
A televisão estatal venezuelana mostrou imagens impressionantes de operações de resgate, incluindo a de uma mulher presa debaixo de uma laje de betão, com apenas um pé descalço visível até que as equipas conseguiram retirá-la com vida.
Moradores das zonas afetadas, contudo, queixaram-se de que as equipas governamentais têm sido enviadas em número limitado.
Na capital, Dayana Delgado, uma mãe de três filhos, perguntava onde estavam as máquinas pesadas prometidas pelos responsáveis governamentais, salientando que são os vizinhos a escavar entre os escombros.
“Quero saber onde está o meu filho, se está preso ou num abrigo”, disse sobre o filho de 8 anos, que continua desaparecido.
A região costeira de La Guaira, a norte da capital, Caracas, sofreu alguns dos danos e do número de vítimas mais elevados. Ali fica o principal aeroporto do país, que foi encerrado devido aos estragos, complicando os esforços de ajuda.
Chegaram ofertas de envio de ajuda e mantimentos de todo o mundo, incluindo dos Estados Unidos, que capturaram o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no início do ano, numa operação militar.
Também uma missão portuguesa com 64 elementos parte hoje de Beja, rumo à Venezuela, para apoiar a missão de busca, salvamento e primeiros socorros.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a missão portuguesa parte em dois aviões KC-390 da Força Aérea, entre as 19:30 e as 20h00 (hora apenas indicativa), da Base Aérea N.º 11, em Beja.
A catástrofe natural é apenas o mais recente desafio para a presidente interina, Delcy Rodríguez, antiga vice-presidente que assumiu funções em janeiro após a captura de Maduro.
Caracas enfrenta desorganização económica há mais de uma década e muitas pessoas rejeitam a legitimidade do movimento político que Rodríguez representa.
As autoridades venezuelanas afirmaram estar a desviar equipas de resgate de outras partes do país para La Guaira, habituada a catástrofes naturais.
Um deslizamento de terras em 1999 matou milhares de pessoas, naquele que é considerado um dos piores desastres naturais do país.
Rodríguez apelou esta quinta-feira às empresas para que disponibilizem maquinaria pesada de construção para as operações de resgate.
“Esperamos resgatar o maior número possível de pessoas com vida”, afirmou a presidente interina, que classificou La Guaira como “zona de desastre”.