Mais de 180 pessoas morreram e pelo menos 1.000 ficaram feridas, após dois fortes sismos que agravaram a crise na Venezuela.
A ONU lançou um apelo urgente à comunidade internacional e disponibilizou-se para coordenar qualquer ação com o objetivo de reforçar a resposta humanitária após os devastadores terramotos que abalaram a Venezuela, onde já se contabilizam pelo menos 188 mortos e mais de 1.000 feridos, segundo os últimos dados oficiais.
"Estamos plenamente mobilizados para apoiar o povo da Venezuela após os mortíferos e devastadores terramotos que atingiram o país", afirmou na quinta-feira o chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, num comunicado divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas um minuto de diferença e provocaram o colapso de edifícios, cortes de eletricidade e o encerramento do principal aeroporto do país. A população denuncia a falta de meios com que os serviços de emergência têm de lidar, num contexto já marcado por uma profunda crise social e económica.
No terreno, as equipas de socorro continuam à procura de sobreviventes entre os escombros, enquanto o OCHA coordena o desdobramento internacional de equipas de procura urbana. As autoridades venezuelanas declararam o estado de emergência, suspenderam as aulas e transformaram escolas em abrigos temporários e pontos de recolha de donativos nas zonas mais atingidas.
O impacto dos terramotos fez-se sentir com especial intensidade em Caracas e em estados costeiros como Falcón, onde ainda há pessoas presas sob edifícios desabados. A ONU sublinhou a urgência de garantir um apoio internacional continuado às organizações humanitárias que operam no país, sobretudo tendo em conta que o número de vítimas poderá continuar a aumentar nas próximas horas.
Neste momento, equipas de resgate certificadas pelas Nações Unidas dirigem-se à Venezuela para ajudar nas buscas de sobreviventes, anunciou a presidente interina, Delcy Rodríguez, numa mensagem televisiva.
Espanha e França comprometeram-se a enviar dezenas de especialistas, e a Alemanha prometeu seis aviões de transporte militar. A Suíça, por seu lado, mobilizou 80 pessoas, oito cães de resgate e 18 toneladas de equipamento para enviar para a Venezuela logo que possível.
O ministro do Comércio Externo dos Países Baixos, Sjoerd Sjoerdsma, anunciou um pacote de ajuda de 2 milhões de euros para desdobrar no terreno uma equipa de busca e salvamento, enquanto a Chéquia informou que a sua equipa se preparava para viajar.
Venezuela: comunidade internacional manifesta apoio
Em nome do seu país, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, expressou "as suas mais sentidas condolências ao povo da Venezuela" através da rede social X. "Por ordem do presidente Trump, o Departamento de Estado está a enviar de imediato equipas de busca e salvamento, meios médicos e assistência humanitária para a Venezuela".
O papa Leão XIV, por sua vez, enviou 100 mil euros para a Venezuela, noticiou a publicação "Vatican News". O dinheiro provém do fundo da Esmolaria Apostólica, o serviço responsável por gerir as obras de caridade do Santo Padre.
A partir de Madrid, o presidente do governo de Espanha, Pedro Sánchez, transmitiu "ao povo venezuelano" todo o seu apoio, assim como "o de Espanha", e assegurou que, "após os devastadores terramotos desta noite", o povo espanhol está "com as vítimas e as suas famílias".
O presidente eleito da vizinha Colômbia, Abelardo de la Espriella, transmitiu através de uma mensagem no X "toda" a sua solidariedade "com o povo irmão venezuelano". "A Colômbia acompanha-vos nesta hora difícil com afeto, respeito e esperança. As minhas orações estão com as vítimas e as suas famílias. Deus proverá".
O presidente de França, Emmanuel Macron, recorreu também a esta rede social para anunciar que falou com a presidente Rodríguez e que uma equipa de 85 profissionais franceses, especializados em operações de busca e salvamento, se está a desdobrar de imediato no país sul-americano. "França está preparada, juntamente com os seus parceiros europeus, para prestar assistência às populações afetadas, em resposta às necessidades identificadas pelas autoridades venezuelanas", escreveu.
Também o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, lamentou a situação na Venezuela e disse que o seu Governo "está pronto para enviar ajuda de emergência e humanitária”. De acordo com Montenegro, já foi posta "à disposição imediata uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos, o que a Presidente Delcy Rodriguez prontamente agradeceu e aceitou".
Mesmo a partir do Irão, país que enfrenta uma guerra contra os Estados Unidos e Israel, as autoridades manifestaram a Caracas a sua disponibilidade para ajudar perante o terramoto mais forte que abalou o país em mais de um século. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, ofereceu em comunicado "toda a assistência necessária" nas operações de resgate e socorro, e expressou a sua solidariedade com o governo e o povo da Venezuela.