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Venezuela: ONU apela a mobilização internacional sem precedentes após terramotos

Carro preso numa fenda provocada pelos terramotos na Venezuela
Carro preso numa fenda provocada pelos terramotos na Venezuela. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Rafael Salido com AP, AFP
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Mais de 180 pessoas morreram e pelo menos 1.000 ficaram feridas, após dois fortes sismos que agravaram a crise na Venezuela.

A ONU lançou um apelo urgente à comunidade internacional e disponibilizou-se para coordenar qualquer ação com o objetivo de reforçar a resposta humanitária após os devastadores terramotos que abalaram a Venezuela, onde já se contabilizam pelo menos 188 mortos e mais de 1.000 feridos, segundo os últimos dados oficiais.

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"Estamos plenamente mobilizados para apoiar o povo da Venezuela após os mortíferos e devastadores terramotos que atingiram o país", afirmou na quinta-feira o chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, num comunicado divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas um minuto de diferença e provocaram o colapso de edifícios, cortes de eletricidade e o encerramento do principal aeroporto do país. A população denuncia a falta de meios com que os serviços de emergência têm de lidar, num contexto já marcado por uma profunda crise social e económica.

No terreno, as equipas de socorro continuam à procura de sobreviventes entre os escombros, enquanto o OCHA coordena o desdobramento internacional de equipas de procura urbana. As autoridades venezuelanas declararam o estado de emergência, suspenderam as aulas e transformaram escolas em abrigos temporários e pontos de recolha de donativos nas zonas mais atingidas.

O impacto dos terramotos fez-se sentir com especial intensidade em Caracas e em estados costeiros como Falcón, onde ainda há pessoas presas sob edifícios desabados. A ONU sublinhou a urgência de garantir um apoio internacional continuado às organizações humanitárias que operam no país, sobretudo tendo em conta que o número de vítimas poderá continuar a aumentar nas próximas horas.

Neste momento, equipas de resgate certificadas pelas Nações Unidas dirigem-se à Venezuela para ajudar nas buscas de sobreviventes, anunciou a presidente interina, Delcy Rodríguez, numa mensagem televisiva.

Espanha e França comprometeram-se a enviar dezenas de especialistas, e a Alemanha prometeu seis aviões de transporte militar. A Suíça, por seu lado, mobilizou 80 pessoas, oito cães de resgate e 18 toneladas de equipamento para enviar para a Venezuela logo que possível.

O ministro do Comércio Externo dos Países Baixos, Sjoerd Sjoerdsma, anunciou um pacote de ajuda de 2 milhões de euros para desdobrar no terreno uma equipa de busca e salvamento, enquanto a Chéquia informou que a sua equipa se preparava para viajar.

Venezuela: comunidade internacional manifesta apoio

Em nome do seu país, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, expressou "as suas mais sentidas condolências ao povo da Venezuela" através da rede social X. "Por ordem do presidente Trump, o Departamento de Estado está a enviar de imediato equipas de busca e salvamento, meios médicos e assistência humanitária para a Venezuela".

O papa Leão XIV, por sua vez, enviou 100 mil euros para a Venezuela, noticiou a publicação "Vatican News". O dinheiro provém do fundo da Esmolaria Apostólica, o serviço responsável por gerir as obras de caridade do Santo Padre.

A partir de Madrid, o presidente do governo de Espanha, Pedro Sánchez, transmitiu "ao povo venezuelano" todo o seu apoio, assim como "o de Espanha", e assegurou que, "após os devastadores terramotos desta noite", o povo espanhol está "com as vítimas e as suas famílias".

O presidente eleito da vizinha Colômbia, Abelardo de la Espriella, transmitiu através de uma mensagem no X "toda" a sua solidariedade "com o povo irmão venezuelano". "A Colômbia acompanha-vos nesta hora difícil com afeto, respeito e esperança. As minhas orações estão com as vítimas e as suas famílias. Deus proverá".

O presidente de França, Emmanuel Macron, recorreu também a esta rede social para anunciar que falou com a presidente Rodríguez e que uma equipa de 85 profissionais franceses, especializados em operações de busca e salvamento, se está a desdobrar de imediato no país sul-americano. "França está preparada, juntamente com os seus parceiros europeus, para prestar assistência às populações afetadas, em resposta às necessidades identificadas pelas autoridades venezuelanas", escreveu.

Também o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, lamentou a situação na Venezuela e disse que o seu Governo "está pronto para enviar ajuda de emergência e humanitária”. De acordo com Montenegro, já foi posta "à disposição imediata uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos, o que a Presidente Delcy Rodriguez prontamente agradeceu e aceitou".

Mesmo a partir do Irão, país que enfrenta uma guerra contra os Estados Unidos e Israel, as autoridades manifestaram a Caracas a sua disponibilidade para ajudar perante o terramoto mais forte que abalou o país em mais de um século. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, ofereceu em comunicado "toda a assistência necessária" nas operações de resgate e socorro, e expressou a sua solidariedade com o governo e o povo da Venezuela.

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