Venezuela foi afetada por dois sismos de 7,2 e 7,5 na escala de Richter. Governo português confirma uma vítima mortal, presidente do Governo Regional da Madeira diz que há pelo menos mais outras duas mortes de lusodescendentes. Número de feridos ultrapassa os 1.500.
Dois fortes terramotos atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, provocando estragos generalizados, colapso de edifícios e levando moradores em pânico para a rua.
Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, com epicentro a oeste da localidade de Morón, na costa caraibenha do país, cerca de 168 quilómetros a oeste de Caracas. O sismo ocorreu a uma profundidade de 22 quilómetros.
O número de mortos subiu para 188, de acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que acrescentou que já há 1.520 pessoas feridas e cerca de 200 presas sob os escombros.
No balanço anterior, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, avançara que se tinham registado pelo menos 164 mortos e mais de 971 feridos.
O Governo português confirmou entretanto que entre as vítimas mortais está um cidadão português e que o país irá enviar uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos.
"Participaremos no apoio conjunto da União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja ajuda a Venezuela já solicitou. A nossa Embaixada em Caracas e rede consular está mobilizada para apoiar a enorme comunidade portuguesa na Venezuela. A Venezuela tem canal aberto com Portugal, para apoio no plano bilateral e da União Europeia. A Venezuela conta com Portugal na reação e na recuperação desta catástrofe natural.
O presidente do Governo Regional da Madeira, em declarações à RTP, referiu ter conhecimento da morte de pelo menos duas lusodescendentes, ambas com ligação ao arquipélago, acrescentando que há ainda dezenas de desaparecidos. Estes óbitos não foram ainda confirmados pelo MNE.
Os meios de comunicação social venezuelanos adiantam que já foram sentidas cerca de 30 réplicas desde os primeiros abalos de grande dimensão , afetando freguesias de Caracas, do estado de Miranda, de La Guaira, de Carabobo, de Falcón, de Yaracuy, de Aragua, de Trujillo e de Zulia.
Delcy Rodríguez precisou que o estado mais afetado é La Guaira, com dezenas de edifícios desmoronados, razão pela qual foi declarado zona de catástrofe.
A presidente interina informou também que vários países já se mostraram solidários e que em breve chegariam equipas de emergência para ajudar nas operações.
Os terramotos danificaram o principal aeroporto do país, o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, obrigando ao seu encerramento.
“Apelamos à nossa população para que mantenha a calma”, disse Rodríguez. “Apelamos à unidade.”
Rodríguez pediu também a todos os profissionais de saúde do país que se apresentassem nos hospitais para ajudar quem ficou ferido.
O Ministério da Educação indicou que algumas escolas seriam usadas como abrigos e pontos de recolha de donativos nas regiões mais afetadas.
No estado costeiro de Falcón, o governador Víctor Clark afirmou que 32 pessoas foram hospitalizadas e que, mais de quatro horas após o terramoto, ainda havia 15 pessoas presas sob os escombros de edifícios colapsados.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos indicou inicialmente que o primeiro sismo tinha uma magnitude de 7,1, corrigindo depois o valor para 7,2.
A agência reportou mais tarde um segundo sismo ainda mais forte, de magnitude 7,5, um minuto depois. Este abalo teve uma profundidade de 10 quilómetros e o epicentro situou-se 16 quilómetros a sudoeste de Morón.
Os sismos, entre os mais fortes a atingir o país sul-americano em mais de um século, ocorreram pouco depois das 18h00 locais (23h em Portugal continental).
As pessoas abandonaram edifícios que abanavam na capital, Caracas, muitas visivelmente em choque ao verem paredes inteiras colapsadas, deixando ver o mobiliário a partir da rua.
Colunas de pó foram também visíveis em dois bairros da capital, onde restaurantes e outros estabelecimentos costumam estar cheios.
As pessoas permaneceram na rua durante horas, mesmo depois do anoitecer. Algumas sentaram-se no chão, abraçadas aos animais de estimação, enquanto o pó se acumulava à sua volta. Edifícios colapsados, postes de eletricidade tombados e destroços bloquearam ruas. Partes da capital ficaram sem eletricidade e rede de telemóvel.
“Começou suavemente e depois foi crescendo, e no fim tivemos todos de sair de casa, ir para a rua e juntar-nos”, disse Hector Ricci, residente em Caracas.
Rodríguez, que declarou o estado de emergência, afirmou que os serviços de metro e de gás natural na capital foram suspensos. Pediu ainda aos venezuelanos que reportassem quaisquer danos através de uma aplicação governamental, para que fossem tratados atempadamente pelas autoridades.
Portugueses entre as vítimas mortais
O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou na tarde desta quinta-feira que um cidadão português se encontra entre as vítimas mortais do sismo na Venezuela. Ainda foi retirado dos escombros com vida, mas acabou por morrer a caminho do hospital, informou o MNE em comunicado.
Em entrevista na CNN Portugal ao início da tarde, o ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel confirmara apenas que cinco portugueses estavam incontactáveis na Venezuela. Acrescentou ainda que Portugal iria enviar para o país uma equipa de cerca de 50 pessoas para auxiliar nas operações de socorro.
Mais tarde, o primeiro-ministro Luís Montenegro precisou que será enviada para a Venezuela uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos.
"Participaremos no apoio conjunto da União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja ajuda a Venezuela já solicitou. A nossa Embaixada em Caracas e rede consular está mobilizada para apoiar a enorme comunidade portuguesa na Venezuela", garantiu Luís Montenegro.
O presidente do Governo Regional da Madeira, em declarações à RTP, referiu ter conhecimento da morte de pelo menos duas lusodescendentes, ambas com ligação ao arquipélago, acrescentando que há ainda dezenas de desaparecidos. Estes óbitos não foram ainda confirmados pelo MNE.
Vinte minutos depois, sismo abala Japão
Um terramoto de 6,9 atingiu o Japão cerca de vinte minutos depois do primeiro abalo na Venezuela. A Agência Meteorológica do Japão informou que o epicentro estava a 50 quilómetros de profundidade na costa da província de Iwate, localizada na região de Tohoku, na ilha de Honshu.
A cidade de Hachinohe, na província de Aomori, registrou um nível de calor inferior a 6, enquanto algumas cidades na província de Iwate registraram um nível de calor superior a 5.
Em declarações à imprensa, a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que "não há risco de tsunami" e pediu aos moradores das áreas afetadas para permanecerem "vigilantes quanto à possibilidade de outro terremoto de magnitude semelhante".
Segundo informações da província de Aomori, cinco pessoas ficaram feridas, enquanto na província de Iwate, uma mulher de 90 anos sofreu ferimentos leves após uma queda.
O norte do Japão tem sido atingido por terremotos nos últimos meses.