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El Niño intensifica-se rapidamente e alimenta fenómenos extremos: quando chega à Europa?

Bombeiro combate o incêndio Canyon Fire em Hasley Canyon, Califórnia, a 7 de agosto de 2025.
Bombeiro combate o incêndio Canyon Fire em 7 de agosto de 2025, em Hasley Canyon, Califórnia. Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved.
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De Liam Gilliver
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Meteorologistas alertam para El Niño forte que aumenta o risco de fenómenos extremos: estará a Europa imune ao impacto?

As condições de El Niño desenvolveram-se no Pacífico tropical e prevê-se que «se reforcem rapidamente» nos próximos meses, numa altura em que o mundo se prepara para novos episódios de fenómenos meteorológicos extremos.

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A atualização sazonal global do clima da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica que se verificará um forte El Niño entre julho e setembro, aumentando a probabilidade de vagas de calor, secas e precipitação intensa.

«A comunidade da OMM lançou uma mobilização sem precedentes para coordenar atividades em todo o sistema das Nações Unidas e a nível regional, de forma a apoiar governos, organizações humanitárias e setores sensíveis ao clima», diz a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

«Previsões sazonais avançadas e sistemas de alerta precoce são vitais para salvar vidas e atenuar o impacto nas nossas economias e comunidades.»

El Niño: o que é e o que afeta

El Niño (espanhol para «o menino») é um fenómeno meteorológico natural que ocorre de forma irregular - em média, de dois em dois a sete anos - quando as temperaturas da água do mar no leste do oceano Pacífico se tornam anormalmente elevadas.

Isto faz subir as temperaturas globais, abrindo caminho a fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes.

Episódios anteriores de El Niño, como o que se formou em maio de 2023 e durou até março de 2024, contribuíram para temperaturas recorde. Isso ajudou a alimentar secas prolongadas e incêndios florestais em várias partes do mundo.

No entanto, o impacto de El Niño faz-se sentir sobretudo nos trópicos.

A América do Sul, o sul dos Estados Unidos, o leste de África e a Ásia Central registaram riscos acrescidos de cheias durante episódios anteriores de El Niño, enquanto a seca e o perigo de incêndios aumentam em grandes áreas da Austrália, no norte da América do Sul e em alguns países asiáticos, como a Indonésia.

Europa: como afeta o El Niño

Na Europa, os impactos de El Niño são muito mais indiretos e tendem a ser menos severos.

O fenómeno natural poderá aumentar a probabilidade de condições mais instáveis mais para o fim do ano, com um outono e início de inverno mais suaves, húmidos e ventosos, mas é pouco provável que tenha impacto no verão de 2026 na Europa.

Isto significa que as semanas recentes de calor abrasador, que causaram a morte a milhares de europeus, não resultam de El Niño, apesar de alguns jornais estabelecerem essa ligação.

Ainda assim, fenómenos extremos noutras regiões do mundo acabarão por ter repercussões na Europa, com especialistas a alertarem para potenciais quebras no abastecimento alimentar.

O Instituto IHE Delft para a Educação sobre a Água, nos Países Baixos, tem trabalhado em zonas diretamente afetadas por El Niño e alerta que muitos produtos alimentares básicos importados pela Europa poderão estar em risco.

Na Nicarágua, por exemplo, culturas essenciais como o milho e o feijão podem falhar em zonas já frágeis, provocando insegurança alimentar e perda de rendimento no país.

A falta de chuva e os caudais reduzidos dos rios significam também que as culturas irrigadas na Colômbia, no nordeste do Brasil e na Índia enfrentarão fortes restrições ou terão de depender mais das águas subterrâneas, o que pode levar à sobre-exploração dos aquíferos e a quebras nas exportações.

El Niño é uma distração das alterações climáticas

Embora os impactos de El Niño não devam ser menosprezados, especialistas em clima sublinham que as alterações climáticas desempenham um papel muito maior nos fenómenos extremos e na subida das temperaturas.

A maioria dos episódios de El Niño aumentou temporariamente a temperatura média global em cerca de 0,2 ºC. As alterações climáticas, por seu lado, já elevaram a temperatura média à superfície (oceano e atmosfera) em aproximadamente 1,3 a 1,5 ºC face aos níveis pré-industriais.

Os impactos de El Niño somam-se, assim, a um mundo que já está a aquecer, em vez de serem os únicos responsáveis pelas consequências previstas pelos especialistas.

É por isso que 2025 foi o terceiro ano mais quente de que há registo - mais quente do que 2016, ano de El Niño - apesar do efeito de arrefecimento associado a um episódio de La Niña (o fenómeno oposto, também natural, que tende a baixar as temperaturas globais).

«El Niño é um fenómeno natural», recordava em maio a cientista do clima Friederike Otto, do Imperial College London, antes de as condições de El Niño terem começado oficialmente.

«Vai e vem. As alterações climáticas, pelo contrário, agravam-se enquanto não deixarmos de queimar combustíveis fósseis. Por isso, é com as alterações climáticas que nos devemos preocupar a sério.»

Ioanna Vergini, fundadora da plataforma global de previsão meteorológica WFY24 (fonte em inglês), afirma à Euronews Earth que El Niño tem sido usado como «distração» em relação às alterações climáticas, numa altura em que a Europa enfrentou, na semana passada, temperaturas acima dos 40 ºC.

Uma análise rápida de atribuição da World Weather Attribution (WWA) concluiu que as temperaturas máximas diurnas e os valores noturnos registados durante a recente cúpula de calor teriam sido «praticamente impossíveis de ocorrer nesta altura do ano» ainda em 1976 - mas tornaram-se possíveis devido à continuação das emissões de combustíveis fósseis.

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