O olho do supertufão de categoria 5 passou sobre a pequena ilha de Rota na manhã de segunda-feira, hora local, com ventos superiores a 241 km/h, tendo também atingido Guam, Tinian e Saipan.
O supertufão Bavi atingiu a terra na segunda-feira na pequena ilha de Rota, um território dos Estados Unidos no Pacífico Ocidental, perto de Guam, e levou ventos muito fortes e chuvas torrenciais às Ilhas Marianas do Norte.
Um ciclone é classificado como supertufão quando apresenta ventos máximos sustentados de 241 km/h ou superiores, o que equivale a uma tempestade de categoria 4 forte ou de categoria 5. As autoridades de Rota indicaram ter recebido relatos de "danos significativos" e preveem rajadas de até 290 quilómetros por hora.
"Estamos a aguentar-nos. Estamos a sentir ventos muito fortes e inundações aqui... Já há pessoas a reportar danos de grande dimensão", afirmou Lou Rosario, responsável pela informação pública do Centro de Operações Municipais de Rota.
Rosario acrescentou que alguns serviços de telemóvel estavam interrompidos devido à queda de uma torre de telecomunicações.
O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA exortou os residentes, na plataforma X, a "tratar estes ventos extremos iminentes como se um tornado se estivesse a aproximar e a deslocar-se, e a procurar imediatamente abrigo num local interior seguro!".
Anteriormente, o NWS já tinha alertado que um impacto direto em Rota deixaria grande parte da ilha "inabitável durante semanas, talvez mais tempo".
"Muitas habitações sem estrutura de betão ou reforço serão destruídas, com o colapso total dos telhados e das paredes", acrescentou.
"Quase todas as árvores serão partidas ou arrancadas pela raiz e os postes de eletricidade serão derrubados. As árvores caídas e os postes danificados vão isolar zonas residenciais. As falhas de energia poderão prolongar-se por semanas, ou até meses".
O supertufão Bavi representava um "perigo iminente para a vida", alertou o meteorologista Edwin Montvila, do serviço de meteorologia, tendo recomendado aos habitantes de todas as ilhas que se deslocassem para divisões interiores e se mantivessem afastados das janelas.
"Sair para o exterior pode resultar em morte devido a objetos projetados pelo vento. Os postes de serviços públicos e as respetivas linhas elétricas vão cair", acrescentou Montvila.
Tufões intensificam-se com o El Niño
Além de Rota, estavam em vigor avisos de tufão e de cheias súbitas para Guam, Tinian e Saipan, enquanto outros territórios da região permaneciam sob aviso e vigilância de tempestade tropical. O serviço meteorológico indicou que a tempestade poderia deixar um acumulado de, pelo menos, 51 centímetros de chuva antes de atravessar a região.
As Marianas do Norte e o território norte-americano vizinho de Guam têm, no total, cerca de 210 mil habitantes. Algumas ilhas ainda se encontravam a recuperar de um tufão anterior, o Sinlaku, que tinha atingido a região em abril. Muitas pessoas em Saipan e na vizinha Tinian continuavam sem eletricidade desde o supertufão Sinlaku.
Quando Sinlaku chegou ao arquipélago, provocou uma devastação generalizada, arrancando telhados, derrubando árvores e deixando dezenas de milhares de pessoas sem eletricidade.
Os oceanos mais quentes ajudam os sistemas tropicais a intensificarem-se e a acumular mais humidade, que depois se traduz em chuva intensa.
Na sexta-feira, a Organização Meteorológica Mundial alertou que o fenómeno El Niño, que normalmente ocorre de dois em sete anos e dura entre nove e 12 meses, já começou no Pacífico tropical e deverá ser intenso.
Este fenómeno climático natural aquece as temperaturas da superfície do Pacífico equatorial central e oriental, causando alterações globais nos padrões de vento, de pressão atmosférica e de precipitação.