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Europa: expansão de IA de milhares de milhões da Cerebras desafia Nvidia

Foto de arquivo – Andromeda, da Cerebras, supercomputador de IA com 13,5 milhões de núcleos, com as portas colocadas. 14 nov. 2022
Arquivo – Andromeda da Cerebras, fotografado com as portas colocadas, supercomputador de IA com 13,5 milhões de núcleos. 14 nov. 2022 Direitos de autor  AP Photo/Business Wire
Direitos de autor AP Photo/Business Wire
De Doloresz Katanich com AFP
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Startup americana de chips de IA Cerebras acelera expansão europeia com 200 MW de capacidade até 2027 e desafia gigante Nvidia face à procura «extraordinária» no continente

A fabricante de chips de inteligência artificial Cerebras, sediada nos Estados Unidos, anunciou esta quinta-feira que prevê ligar a primeira capacidade de centro de dados na Europa até ao final de 2026, seguida de uma rápida expansão pela França e países nórdicos, reforçando a sua capacidade de computação de IA no continente.

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A empresa indicou, em comunicado, que a procura por infraestruturas de IA locais e de baixa latência disparou entre empresas europeias, instituições de investigação e governos que procuram alternativas à capacidade de computação concentrada nos EUA e na Ásia.

A empresa tenciona construir até ao final de 2027 uma rede de centros de dados de IA em toda a Europa, com uma capacidade elétrica conjunta de 200 MW.

A capacidade elétrica é o principal indicador para centros de dados de IA, já que a eletricidade se tornou a principal limitação à expansão da computação em IA. Para comparação, centros de dados empresariais mais pequenos consomem normalmente entre 1 e 20 MW, enquanto infraestruturas de grande escala geridas por fornecedores de cloud podem consumir 100 MW ou mais.

A Cerebras adiantou que parte da capacidade de centro de dados prevista deverá servir cargas de trabalho da OpenAI, no âmbito da parceria já existente entre as duas empresas.

“São expansões de grande escala”, avaliadas em vários milhares de milhões de dólares, disse o diretor-executivo Andrew Feldman à AFP, à margem da cimeira RAISE, em Paris.

A expansão surge numa altura em que o investimento em infraestruturas de IA acelera em toda a Europa, onde a Nvidia afirma que a sua tecnologia alimenta mais de 90% dos projetos de fábricas de IA anunciados no continente.

A expansão da Cerebras deverá disponibilizar infraestruturas de inferência de IA de alta velocidade a utilizadores europeus, contribuindo para reduzir os tempos de resposta em cargas de trabalho de IA cada vez mais complexas.

“Estas instalações vão permitir avançar de forma decisiva no que os nossos clientes têm pedido: capacidade de computação de IA rápida e de alto desempenho localizada na Europa”, referiu Feldman no comunicado.

Fundada em 2015, a Cerebras tem-se concentrado em chips dedicados à inferência de IA.

Este processo, através do qual os modelos de IA respondem aos pedidos quotidianos dos utilizadores, tem exigências distintas do processo intensivo de “treino” de um novo sistema de IA.

A procura de chips específicos para inferência disparou à medida que mais pessoas recorrem a agentes de IA, um novo tipo de interface capaz de executar tarefas de forma autónoma em nome dos utilizadores.

Estes agentes exigem recursos de computação muito superiores, fornecidos por empresas como a Cerebras, a Nvidia e a AMD.

Mas as tensões transatlânticas levaram muitos governos e empresas a recear uma dependência excessiva de fornecedores norte-americanos.

Na Europa, a procura de poder de computação para fazer funcionar a IA generativa é “extraordinária... está a crescer muito, muito depressa”, afirmou Feldman à AFP, acrescentando que o crescimento do setor “é mais rápido do que conseguimos acompanhar”.

“Ao instalar centros de dados por toda a Europa... pensamos conseguir responder a todos os requisitos específicos europeus” em matérias como a soberania dos dados, acrescentou.

O boom das infraestruturas de IA ajudou a Cerebras a angariar 5,5 mil milhões de dólares na oferta pública inicial (OPI) realizada em maio nos Estados Unidos, tornando-a numa das 15 maiores OPI da história de Wall Street.

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