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Estados Unidos voltam a esvaziar espelho de água do Memorial Lincoln em obra problemática de Trump

Funcionários do Serviço Nacional de Parques junto a uma bomba colocada ao lado do lago refletor do Memorial Lincoln, 10 julho 2026
Funcionários do Serviço Nacional de Parques junto a uma bomba colocada ao lado do lago refletor do Memorial Lincoln, 10 de julho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Trump ordenou que a parte inferior fosse pintada com o que chamou de "azul da bandeira americana", mas os problemas surgiram logo após a conclusão dos trabalhos

Foi de novo esvaziado o espelho de água do Lincoln Memorial, em Washington, numa altura em que os esforços do presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump para o remodelar já vão muito além do objetivo inicial de o ter pronto até 4 de julho, para assinalar os 250 anos da independência do país.

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Inicialmente, Trump afirmou que as obras de renovação durariam um século. Mas, poucas semanas depois de o projeto ter ficado concluído, no mês passado, a água foi tomada por uma proliferação de algas e partes do novo revestimento começaram aparentemente a desprender-se do fundo.

Trump atribuiu o problema a atos de vandalismo, embora os críticos defendam que se deve a trabalhos de reparação mal executados.

O Secretário do Interior, Doug Burgum, cujo departamento supervisiona o Serviço Nacional de Parques, afirmou à podcaster conservadora Katie Miller, numa entrevista divulgada no início da semana, que esta nova drenagem já estava prevista.

Acrescentou que a água poderá ainda conter detritos do vasto espetáculo de fogo de artifício do Dia da Independência sobre o National Mall.

Presidente dos Estados Unidos Donald Trump fala enquanto muda de avião na base RAF Mildenhall, em Suffolk, 8 de julho de 2026
Presidente dos Estados Unidos Donald Trump fala enquanto muda de avião na base RAF Mildenhall, em Suffolk, 8 de julho de 2026 AP Photo

"Esvaziar a água, limpar os restos do fogo de artifício", disse Burgum a Miller, mulher do adjunto do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller. "Reparar o vandalismo que foi feito. Voltar a encher."

As obras no espelho de água são apenas um dos vários projetos que Trump tem impulsionado na capital. O mais visível foi a demolição da Ala Leste da Casa Branca para construir uma sala de baile de 400 milhões de dólares (350 milhões de euros) e há ainda planos para um arco monumental entre o Lincoln Memorial e o Cemitério Nacional de Arlington.

Trump anunciou inicialmente, na primavera, a intenção de embelezar o espelho de água, afirmando que queria a obra concluída antes das celebrações dos 250 anos do país.

A água foi drenada e Trump ordenou que o fundo fosse pintado naquilo a que chamou "azul bandeira americana". Em maio, escreveu na sua rede social, sobre o espelho de água: "O objetivo é tê-lo pronto, a este nível superior, antes de 4 de julho - estamos adiantados face ao calendário!"

Mas os problemas começaram pouco depois de concluídas as primeiras obras. Trump responsabilizou vândalos e, mais tarde, documentos judiciais revelaram que o Serviço Nacional de Parques comunicou à Polícia de Parques dos Estados Unidos um incidente, a 9 de junho, em que uma faca ou lâmina cortou o novo revestimento do tanque.

Membros do Serviço Nacional de Parques usam um dispositivo tipo aspirador para remover algas do espelho de água do Lincoln Memorial, 19 de junho de 2026
Membros do Serviço Nacional de Parques usam um dispositivo tipo aspirador para remover algas do espelho de água do Lincoln Memorial, 19 de junho de 2026 AP Photo

Na quinta-feira, o antigo canoísta olímpico David Hearn declarou-se inocente no Supremo Tribunal do Distrito de Columbia, que o acusa de ter danificado deliberadamente o espelho de água. Hearn afirma que se inclinou para dentro da estrutura para examinar o selante que se tinha soltado e largou um pedaço quando um funcionário do parque lhe disse para o fazer.

Os seus advogados e outros críticos da administração Trump consideram o processo um abuso de poder por parte do Ministério Público e sustentam que Hearn está a servir de bode expiatório para o mau trabalho realizado na reparação do espelho de água.

Segundo os registos judiciais disponíveis online, pelo menos mais três pessoas foram acusadas, no mesmo tribunal, de contravenções por alegadamente terem retirado fragmentos de tinta do espelho de água. Todos se declararam inocentes nas primeiras comparências em tribunal, na quarta-feira.

O espaço esteve encerrado durante as comemorações do Dia da Independência, que incluíram aquilo que Trump descreveu como o maior espetáculo de fogo de artifício do mundo. O presidente já tinha afirmado que o espelho de água teria de ser novamente esvaziado no âmbito desta nova fase de reparações.

Obras na nova sala de baile da Casa Branca vistas a partir do Monumento a Washington, 9 de julho de 2026
Obras na nova sala de baile da Casa Branca vistas a partir do Monumento a Washington, 9 de julho de 2026 AP Photo

Burgum afirmou ainda que a administração Trump não irá abrir concurso para esta nova fase de obras. Disse no programa "State of the Union", da CNN, no fim de semana passado: "Vamos usar a mesma empresa, porque fez um trabalho fantástico".

A empresa Green Water Solutions, sediada no esatdo do Ohio e também conhecida como Greenwater Services, recebeu um contrato de 1,7 milhões de dólares (1,4 milhões de euros) para instalar um sistema de purificação da água no espelho de água, enquanto à Atlantic Industrial Coatings, com sede na Virgínia, foram atribuídos 14,7 milhões de dólares (12,8 milhões de euros) para repintar e impermeabilizar o fundo em betão.

Senadores e deputados democratas investigam o projeto, procurando, entre outras questões, saber qual o montante de dinheiro dos contribuintes envolvido.

Outras fontes • AP

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