Xi Jinping e Kassym-Jomart Tokayev firmaram mais de 70 acordos na Conferência Mundial de IA em Xangai, incluindo a primeira fábrica de baterias da Ásia Central com a CATL e um novo terminal portuário no Cáspio.
O presidente chinês Xi Jinping disse ao seu homólogo cazaque Kassym-Jomart Tokayev que as relações bilaterais atingiram um novo máximo histórico durante conversações em Xangai, numa altura em que os dois países assinaram mais de 70 acordos comerciais no valor de mais de 13 mil milhões de dólares (11,4 mil milhões de euros).
"Graças aos nossos esforços conjuntos, a parceria estratégica abrangente e permanente entre a China e o Cazaquistão atingiu um novo nível. Há ainda uma margem considerável para um maior desenvolvimento", afirmou Xi à margem da Conferência Mundial de Inteligência Artificial.
O comércio entre os dois países alcança 49 mil milhões de dólares (42,8 mil milhões de euros) por ano, com o investimento chinês acumulado no Cazaquistão a superar 30 mil milhões de dólares (26,2 mil milhões de euros).
Mais de 8.500 empresas com participação chinesa operam atualmente no Cazaquistão, numa altura em que Pequim mantém o estatuto de maior parceiro comercial de Astana.
"O nosso país está sempre preparado para oferecer um ambiente de negócios a investidores chineses. Garantimos proteção jurídica aos investimentos, infraestruturas modernas e mão de obra qualificada", afirmou Tokayev.
Entre os principais acordos, as duas partes concordaram em construir a primeira fábrica de baterias da Ásia Central, em parceria com o gigante chinês de baterias para veículos elétricos CATL, a par de uma cooperação mais ampla com construtores automóveis chineses.
Um complexo petroquímico com a Sinopec, uma unidade de processamento de milho com o Fufeng Group e um polo têxtil de algodão com o Lihua Group já estão em curso.
O Cazaquistão e a China assinaram também um acordo para desenvolver em conjunto a primeira central hidroelétrica de bombagem do Cazaquistão, no vale do rio Kargaly, na região de Almaty.
Logística mantém-se como vantagem estratégica
O Cazaquistão movimentou cerca de 85% do transporte ferroviário de mercadorias entre a China e a Europa no ano passado, posição que Tokayev disse querer transformar numa vantagem estratégica.
"O Cazaquistão deve tornar-se o principal centro de transporte e logística que liga a China à Ásia Central, ao Cáucaso, ao Médio Oriente e à Europa", afirmou.
O país está ligado a 13 corredores internacionais de transporte e o governo investiu mais de 35 mil milhões de dólares em infraestruturas de transporte nos últimos 15 anos.
Dois novos projetos visam aumentar ainda mais essa capacidade. A linha ferroviária Bakty-Ayagoz vai abrir um novo ponto de passagem ferroviária na fronteira cazaque-chinesa.
No porto de Kuryk, no mar Cáspio, o grupo chinês Guoyou Materials planeia construir um terminal multifuncional com uma capacidade anual de 15 milhões de toneladas. O Cazaquistão e a China discutiram também a criação de uma empresa conjunta para dragar o Cáspio e manter a profundidade e operacionalidade do porto.
No plano digital, o Cazaquistão está a desenvolver a plataforma Smart Cargo para integrar alfândega, logística e operações comerciais num único sistema digital.
Tokayev destacou também a Alatau City, um novo projeto urbano construído com base num modelo "Digital by Default", que integra transportes inteligentes e infraestruturas de pagamentos digitais.
Tokayev aproveitou o contexto da conferência de IA para declarar a tecnologia uma prioridade nacional. "Hoje, já não basta depender dos recursos naturais. A competitividade é determinada pela tecnologia, pelos dados e pela inteligência artificial", afirmou.
O Cazaquistão registou uma colheita de 27 milhões de toneladas de cereais, resultado que Tokayev atribuiu em parte à expansão da agricultura de precisão, ao recurso a drones de monitorização e à gestão de culturas por satélite. Mais de 200 empresas agrícolas funcionam hoje como explorações inteligentes.
Os dois países assinaram um roteiro de cooperação comercial e económica 2027–2030 que enquadra a colaboração futura.