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Pautas dos exames chegaram de noite às escolas, muitas notas estão "suspensas"

Estudantes no exterior de uma escola secundária de Lisboa
Estudantes no exterior de uma escola secundária de Lisboa Direitos de autor  AP Photo/Francisco Seco
Direitos de autor AP Photo/Francisco Seco
De Bárbara Cruz & Ricardo Figueira
Publicado a Últimas notícias
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Escolas secundárias ficam excecionalmente abertas este sábado para que os alunos e os encarregados de educação possam consultar as notas. Centenas de alunos têm a nota "suspensa".

Todas as pautas dos exames nacionais do secundário chegaram às escolas portuguesas na noite de sexta-feira, ao fim de uma longa espera. Mas isso não significa que todos tenham ficado a saber a nota. Centenas de alunos, em vez da nota do exame, viram a menção "suspenso" escrita na pauta, o que significa que a nota não está ainda pronta.

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O Ministério da Educação promete para o dia de hoje (sábado) um esclarecimento cabal sobre a situação, que obrigou várias escolas a abrir excecionalmente para que todas as pautas pudessem ser afixadas e os alunos e pais as possam consultar. Os resultados estão também disponíveis nas plataformas digitais de comunicação entre as escolas e os encarregados de educação.

Ouvido pela rádio TSF esta manhã, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, remeteu para o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EDUQA) e para o Júri Nacional de Exames a responsabilidade pelo atraso. O Ministério diz também que é o EDUQA que tem de esclarecer o que se passou e reparar a situação.

Em declarações à SIC, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse que as escolas tinham "obrigação" de fazer chegar as notas aos alunos esta sexta-feira. Porém, o processo de desfazer o anonimato dos estudantes não é imediato, pelo que as escolas com maior número de estudantes terão levado mais tempo do que o esperado a conseguir concluir esta etapa.

Recorde-se que a divulgação das notas estava inicialmente marcada para o dia 14 de julho, tendo sido adiada para sexta-feira, dia 17, devido aos problemas com a classificação das provas, que pela primeira vez chegaram aos professores em formato digital. Uma comunicação do Júri Nacional de Exames e do EDUQA, citada pela Lusa, informava que as escolas deveriam receber os exames nacionais do ensino secundário até às 19:30, mas que haveria exames sem nota devido a falhas e estes estão sinalizados na pauta como "em suspenso". As escolas receberão "oportunamente" mais orientações sobre como proceder nestes casos, indica a mesma nota.

Rsultados das provas de 9.º ano publicadas só na segunda-feira

Ao final da tarde de sexta-feira, as escolas foram informadas de que os resultados das provas finais de Matemática e Português do 9º ano não seriam publicadas esta sexta-feira. “Tendo em consideração o atraso verificado no processo de classificação, vem o EduQA, através do Júri Nacional de Exames, informar que a afixação de pautas das provas finais de 9.º ano não ocorrerá hoje”, lia-se numa comunicação enviada às escolas e citada pela agência Lusa.

Mas na sequência dos atrasos e de toda a polémica a envolver os exames nacionais, cuja correção foi feita em formato digital pela primeira vez, a Fenprof apresentou já esta sexta-feira, na Procuradoria-Geral da República, uma queixa relativa ao processo de classificação dos exames nacionais do secundário.

A queixa visa "apurar responsabilidades políticas e técnicas, mas há aqui também o que nós entendemos ser uma prática de ilícito criminal", disse à RTP o secretário-geral do sindicato de professores, José Feliciano Costa, recordando que foi exigido aos professores que corrigissem provas sem todos os elementos necessários.

Projeto piloto apresentou falhas

No ano passado, realizou-se um projeto-piloto com o exame nacional de Filosofia (11.° ano) a ser corrigido pela primeira vez de forma totalmente digital. Já nessa altura foram reportadas falhas pelos professores classificadores da disciplina, semelhantes àquelas que agora são, novamente, enumeradas. Exames que "desapareceram" do sistema, respostas cortadas e trocadas.

Além dos erros, segundo contou o jornal Observador, que falou com docentes que participaram nas correções, houve ainda relatos de falta de apoio por parte do IAVE (Instituto de Avaliação Educativa), que não respondeu aos pedidos de ajuda dos docentes, tendo estes de submeter as notas sem as devidas orientações.

O ministro “ignorou todos os alertas até no teste de Filosofia de 2025, que teve as mesmas falhas num processo pautado por amadorismo, experimentalismo e mesmo assim ele quis avançar”, afirmou José Feliciano Costa, da Fenprof, na quinta-feira.

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