Loader
Encontra-nos
Publicidade

Espanha: “Aqui não vai haver papéis”, aviso a cerca de 10.000 migrantes que continuam em Ceuta

Migrantes na praia de Ceuta, agosto de 2026
Migrantes na praia de Ceuta, agosto de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Jesús Maturana
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, pediu ao Governo mais meios para enfrentar a crise migratória, com entre 8 000 e 11 000 pessoas ainda na cidade após a entrada maciça de 30 de julho, proveniente de Marrocos.

O presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, transmitiu ao Governo central um pedido de recursos que considera imprescindíveis para gerir o que classificou como uma situação insustentável.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Segundo os cálculos do próprio Executivo local, entre 8 000 e 11 000 migrantes permanecem ainda na cidade após a entrada massiva registada em 30 de julho, provenientes de Marrocos, entre os quais um número de menores que, admitiu, ainda não está determinado.

O pedido concretiza-se em três pontos. O primeiro passa por um aumento dos efetivos das Forças e Corpos de Segurança do Estado, que, na sua opinião, estão a fazer um bom trabalho, mas se encontram numa situação precária e precisam de reforço. O segundo, mais meios materiais e humanos na área de estrangeiros, para acelerar os processos de retorno. E o terceiro, a manutenção do Exército em Ceuta como garantia de segurança na fronteira.

Vivas insistiu que o controlo fronteiriço deve ficar nas mãos da Espanha e não depender de um país terceiro, para evitar que uma situação semelhante se repita.

Marrocos: retorno pelo Tarajal sem exceções

Para Vivas, a saída para a crise passa por um único caminho: o retorno a Marrocos de todas as pessoas que entraram em Ceuta durante os dias da avalancha, através da passagem fronteiriça do Tarajal. O presidente ceutense foi explícito ao advertir quem permanece na cidade de que não haverá regularização da sua situação nem transferências para a península.

Na sua opinião, esse retorno não é apenas uma questão administrativa, mas também uma condição para o futuro da cidade. Manter aberta qualquer expectativa de permanência, argumentou, poderia incentivar a repetição de episódios semelhantes e criar uma incerteza que a cidade não pode suportar em termos de estabilidade e desenvolvimento.

Semanas depois daquela entrada massiva, o Ministério do Interior situou em cerca de 72 000 o número total de pessoas que chegaram a cruzar a fronteira durante a crise, das quais, segundo o próprio ministério, cerca de 70 000 já terão regressado a Marrocos.

Críticas à gestão do Governo e apelo à unidade

Vivas criticou o Executivo central por falar em regresso à normalidade em Ceuta quando, defendeu, essa normalidade ainda não existe. Classificou a atuação do Governo no dia da avalancha como clamorosa e manifestou estranheza perante as afirmações sobre uma colaboração ativa de Marrocos.

Apesar das críticas, o presidente ceutense pediu que não se quebre a unidade entre os moradores da cidade e transmitiu uma mensagem de calma face ao receio de que a situação se repita, para o que reclamou medidas dissuasoras e preventivas.

Reconheceu que o futuro de Ceuta está em jogo, embora tenha sublinhado que o seu Governo manterá a lealdade institucional e o sentido de Estado, ao mesmo tempo que pediu ao Executivo central que atue com maior celeridade.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Crise diplomática entre Itália e Espanha: especialista diz que suspensão de Schengen é simbólica

Espanha reforça Ceuta com duas fragatas e mais efetivos, por receio de uma nova entrada em massa a 15 de agost

“Ceuta não desiste”: quatro religiões pedem soluções para crise migratória