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Estados Unidos apoiam soberania japonesa sobre ilhas em disputa após visita de Putin

FICHEIRO: Bandeira japonesa içada num barco no sul do Japão, 29 de junho de 2015
ARQUIVO: Bandeira japonesa içada num barco no sul do Japão, 29 de junho de 2015 Direitos de autor  AP Photo
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De Aleksandar Brezar
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Embaixador dos EUA afirma que Washington é “inabalável” ao reconhecer a soberania japonesa, após visita de Putin a ilhas ocupadas levar Tóquio a ponderar reforço de sanções.

Estados Unidos apoiam soberania do Japão sobre quatro ilhas controladas pela Rússia, depois de Vladimir Putin se ter tornado o primeiro presidente russo em 15 anos a visitar o território em disputa, o que levou Tóquio a convocar o embaixador de Moscovo e a considerar a viagem “absolutamente inaceitável”.

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“Os Estados Unidos mantêm-se firmes no apoio ao seu aliado mais importante e no reconhecimento da soberania japonesa sobre os Territórios do Norte”, afirmou na rede X o embaixador norte-americano em Tóquio, George Glass.

“Numa altura em que a aliança Estados Unidos-Japão está empenhada em promover a prosperidade em todo o Indo-Pacífico, opomos-nos firmemente a qualquer ação que comprometa a sua paz e estabilidade”, acrescentou Glass.

As relações russo-japonesas têm sido há muito marcadas pelo diferendo em torno das quatro ilhas mais meridionais de uma cadeia vulcânica ao largo de Hokkaido, ocupadas pela União Soviética na sequência de uma invasão em agosto de 1945, nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial.

Moscovo rompeu a sua neutralidade formal com o Japão poucos dias antes da invasão.

O governo japonês sustenta que as quatro ilhas e grupos de ilhéus que constituem os Territórios do Norte — Etorofu, Kunashiri, Shikotan e Habomai — fazem parte do seu território, ilegalmente ocupado pelos soviéticos e cuja ocupação a Rússia manteve após a dissolução da União Soviética, em 1991.

A disputa tem impedido os dois países de assinarem um tratado de paz que ponha formalmente termo às hostilidades. Puseram termo ao estado de guerra em 1956.

Moscovo reforçou a presença militar nas ilhas tão recentemente como em dezembro de 2021, quando instalou sistemas de mísseis costeiros Bastion numa ilha vulcânica desabitada situada a meio da cadeia.

ARQUIVO: Lançadores de mísseis Bastion deslocam-se para as suas posições na cadeia de ilhas em disputa perto do Japão, 21 de dezembro de 2021
ARQUIVO: Lançadores de mísseis Bastion deslocam-se para as suas posições na cadeia de ilhas em disputa perto do Japão, 21 de dezembro de 2021 AP Photo

A ilha acolheu uma base do exército japonês antes da ocupação soviética. Uma base soviética ali instalada foi encerrada devido a falta de financiamento após o colapso da União Soviética.

Moscovo já tinha colocado sistemas de mísseis Bal e Bastion em duas das quatro ilhas mais meridionais em 2016.

Nos anos seguintes, Moscovo reforçou ainda mais o arsenal nas ilhas, enviando sistemas de mísseis antiaéreos de última geração, instalando uma base aérea na ilha de Etorofu e destacando aviões de combate.

As ilhas, pouco povoadas, têm importância estratégica para o Kremlin, por se situarem à entrada do mar de Okhotsk e garantirem à Frota do Pacífico russa acesso ao Pacífico aberto sem passar por águas sob controlo japonês.

A visita de Putin foi a primeira de um presidente russo desde Dmitri Medvedev, em 2010.

“Absolutamente inaceitável”

A primeira-ministra Sanae Takaichi declarou aos jornalistas que “os Territórios do Norte são parte integrante do território japonês, tanto do ponto de vista histórico como ao abrigo do direito internacional”.

A visita de Putin “ofende os sentimentos do povo japonês e é absolutamente inaceitável”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, afirmou que o país “protesta veementemente” contra a visita de Putin à maior das ilhas, Etorofu.

“Os Territórios do Norte, incluindo a ilha de Etorofu, constituem parte inerente do território japonês, tanto em termos históricos como do ponto de vista do direito internacional”, declarou Motegi em comunicado.

Convocou o embaixador russo, Nikolay Nozdrev, ao ministério em Tóquio e apresentou um protesto firme contra a visita, pedindo-lhe que “transmitisse rapidamente a mensagem a Moscovo”, adiantou o ministro aos jornalistas.

ARQUIVO: A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, fala durante uma conferência de imprensa na sede do governo em Tóquio, 18 de fevereiro de 2026
ARQUIVO: A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, fala durante uma conferência de imprensa na sede do governo em Tóquio, 18 de fevereiro de 2026 AP Photo

A embaixada da Rússia no Japão informou que o embaixador reiterou a posição de Moscovo de que as ilhas fazem parte da Rússia e que a deslocação de Putin não é “assunto para discussão com Estados estrangeiros”.

O Kremlin destacou a visita ao divulgar um vídeo de Putin numa das quatro ilhas principais. Os média estatais russos referiram que o presidente visitou uma unidade de processamento de pescado e mostraram-no a provar caviar local.

Takaichi considerou que a visita representa mais um golpe nas já tensas relações entre os dois países devido à Ucrânia e que Moscovo deve compreender as consequências.

O Japão impôs sanções à Rússia depois de Moscovo lançar a invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

O país introduziu também controlos às exportações de tecnologia com aplicações militares e concedeu apoio financeiro à Ucrânia. A Rússia respondeu designando o Japão como “país não amigo”.

Tóquio está agora a ponderar reforçar essas sanções como parte das contramedidas em resposta à viagem de Putin.

“Temos de reconhecer que esta visita endureceu ainda mais o sentimento público japonês em relação à Rússia e tornou mais difícil a restauração das relações bilaterais a médio e longo prazo”, afirmou.

“Esperamos que a parte russa compreenda plenamente a gravidade da situação.”

Outras fontes • AP, AFP

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